Tal como há pessoas de todos os géneros e feitios, também os detectoristas podem ser categorizados. Conheci um aqui, outro ali e uma pazada acolá. E, efectivamente, somos todos diferentes, tendo a boa disposição e o hobby como ponto de encontro.
Confesso que algumas categorias são invenção minha, mas a maior parte é composta por “tiques” meus e pelos que eu “detectei” nos outros detectoristas. Seria irrealista pertencer a uma categoria apenas, pelo que, os que tiverem pachorra para ler isto tudo, irão identificar-se com pelo menos 4 ou 5 tipos diferentes. Tenham presente que não pretendo ofender ninguém com este texto, mas antes aliviar um pouco o espectro que paira sobre este hobby. Não somos bichos esquisitos, nem deixámos o disco voador do outro lado do monte. Isso são patranhas de políticos ignorantes.
Bem, se levarem a sério o que se segue, talvez sejamos bichos esquisitos que saltam de galáxia em galáxia…
No fim de cada tipo de detectorista, acrescentei o que eu chamo de Conto Minimalista. São ossos de histórias, contos reduzidos ao mínimo perceptível, ideias parvas, na verdade, que não pretendem ilustrar o tipo de detectorista em questão.
O FLATULENTO
A detecção é o desporto/hobby ideal para os “gasosos”, onde podem dar asas à sua abundante flatulência. Acabou a preocupação de que possam haver, nas redondezas, pessoas com uma visão especial que lhes permite visualizar maravilhosas nuvens coloridas.
Com alguma prática, eventualmente poderão “assobiar” algumas obras de Verdi, ou, se forem realmente empenhados, Tchaikovsky.
Poderão também, se porventura forem caçadores, levar uma espingarda. É só colocar um daqueles apitos para chamar os patos naquele sítio onde não brilha o Sol e é deixar a coisa andar, estando atento aos patos, que eventualmente aparecerão.
Para este detectorista, não é aconselhável a detecção na praia. E muito menos no Verão, durante o dia. Parques de merendas e zonas de recreio infantis também estão fora de questão.
Por motivos óbvios, não costuma frequentar a Igreja e evita andar de elevador. Nas poucas raves em que participa, costuma ter tipos estranhos a cheirar-lhe o rabo para obter uma “moca” gratuita…
[Francisco queria que Vânia saísse mais.
Vânia foge com um apanhador de pinhas do Cercal.
Francisco está contente.]
O BANHISTA/ACOSSADO
Este é o detectorista que se foca exclusivamente nas praias e zonas em redor de poças de água. Gosta de dinheiro fácil e de uma ou outra joia. Mas este tipo de detecção não é permitida pela Lei. Vá-se lá saber porquê!!! Aparentemente, o Estado espera tapar os sucessivos buracos abertos nas contas públicas com os Euros e Cêntimos que pululam nas praias portuguesas.
O horário habitual deste detectorista está entre o pôr-do-Sol e o levantar do mesmo. Durante o dia, só de Inverno, em dias muito enevoados ou em praias desérticas.
Durante a sua actividade, olha por cima do ombro a cada dez passos, pelo que também o designo de “acossado”. Aparenta ter cometido um crime hediondo, andando a fugir da Policia. Se um destes detectoristas estivesse na sua actividade, acompanhado pelo Inimigo Público Nº1, ao ser interpelado pela Polícia Marítima, o mais provável seria o tipo que tinha o detector nas mãos, estar metido em sarilhos. O Inimigo Público Nº1 podia ir em paz, que não era da competência deles… (A César o que é de César.)
[Jonas tem 5 ovelhas.
O Governo cria um imposto sobre o gado ovino.
Jonas ensina as ovelhas a ladrar.]
O PARASITA
É o detectorista que apenas tem o detector, a pá e umas socas estranhas do tipo holandês. Não se preocupa em conhecer a história das zonas onde detecta, nem tem grande apego pelos achados que encontra.
Costuma ter ar de “gosma” e é evitado por alguns, quiçá devido ao cheiro a bazófia. Desconfiado, acha que lhe andam a gamar as bolachas. E a esposa, também… Que lhe pede para ir detectar com mais frequência…
Prefere andar à pendura dos detectoristas mais sérios, quer à boleia, indo muitas vezes do lado de fora do carro, aos trambolhões, atado com uma corda; quer através das histórias que ouve dos outros detectoristas. É o que menos contribui em saídas de grupo, seja a que nível for, e, orientando-se pelos relatos dos companheiros, decide onde detectar quando sai sozinho. Prefere ir para zonas prometedoras encontradas por outros, ao invés de as procurar por si. E nem se preocupa em eliminar os vestígios da sua passagem! É comum um detectorista chegar a uma zona onde já fez bons achados e encontrar o terreno pejado de buracos por tapar. E os que estão tapados, têm um pedacinho de lixo lá no fundo, para não dizerem que eles levaram tudo!
Há vários pacotes de bolachas vazios e caricas de cerveja nas redondezas.
[Aníbal vai apanhar cogumelos.
Aníbal vê uma cobra.
Ao jantar, Gertrudes pergunta que carne é aquela no guisado.]
O OPTIMISTA
Anda sempre bem-disposto e não há contrariedade que o demova. Se se esquecer da pá em casa, cava com as mãos, mesmo que o terreno seja praticamente cimento. Ou então arranca uma tampa da jante do carro.
É o tipo que, se for assaltado, ainda se oferece para dar boleia aos meliantes até ao bairro suspeito mais próximo.
Para ele, cada sinal do detector é um tesouro anunciado! Depois de desenterrar um bidão de resina, é capaz de cavar mais um metro, para se certificar de que não está nenhum centavo por baixo.
E, se tiver o azar de encontrar umas cuecas sujas no meio do mato, vai a correr até à igreja mais próxima, para perguntar ao padre se aquele pedaço de tecido não será parte do Santo Sudário, sendo muitas vezes brutalmente sovado pelo pároco.
[Pedro e Cátia foram às compras.
Enquanto espera, Pedro encontra uma ex-namorada.
Cátia demora-se na escolha dos sapatos.
Pedro e Cátia estão a divorciar-se.]
A DETECTORISTA
Alguns não acreditam que exista nesta realidade, outros, que é mais rara que um Morabitino como brinde numa caixa de cereais Chocapic, apenas comparável à aparição do Yeti à procura de castanhas numa loja de lingerie na Baixa de Lisboa, ou a um politico que admite ser corrupto.
Tal falácia surgiu após a emissão de diversos cartazes publicitários e calendários por parte da Garrett, da Minelab e da Fisher, em que surgem várias moças sedutoras ostentando um detector.
Pessoalmente, já vi algumas na internet, mas a grande maioria estava apenas a manipular uma espécie de Pointer, com propósitos que não deixavam adivinhar que aquilo era detecção de metais. Parece-me que, em muitos sites, tem o nome de vibrador… As que encontrei, também na internet, vestidas a rigor e com um detector “a sério”, eram, para todos os efeitos, detectoristas. Mas parece que habitam todas em países longínquos… Ou imaginários. Na internet há de tudo…
Por outros detectoristas, já ouvi falar da existência de uma, mas não estou certo de que não seja mais uma lenda urbana…
[Update: Após a publicação de parte deste texto no Fórum dos Prospectores de Portugal (http://www.prospectordemetal.com/forum), pude verificar em primeira mão que existe realmente pelo menos uma detectorista em Portugal. Espero que a senhora não se tenha sentido (muito) ofendida. Nada como bater no mato para ver que coelhos de lá saem…]
[Aldina abandona Valter.
Aparecem várias abóboras esburacadas.
Valter tem o pénis coberto de pevides.
Aldina adora pevides.
Aldina volta para Valter.
Valter planta abóboras.]
O DISTRAÍDO/DESPASSARADO
É o tipo que leva gabardine no pico do Verão e calções no Inverno. Por vezes, o sutiã da esposa no lugar do boné. E ainda pergunta porque tem tantos “cordeis” pendurados no boné… Nunca sabe a quantas anda.
É frequente esquecer-se, ou da pá, ou do detector. Mas, graças a uns trocos que tem escondidos, acaba sempre por encontrar umas moças que passam a vida na beira da estrada, a pedir boleia com as cuecas.
Quando, por uma qualquer manigância do destino, se encontra na posse de tudo o material, e acaba por ir detectar, é frequente perder-se, tendo inclusive o carro à vista. Por vezes, acaba por cavar buracos tão fundos, dos quais só consegue sair graças a alguma alma caridosa que passe na zona e ouça os seus gritos desesperados. Por norma, a primeira pergunta que ouvem de quem os socorre é: “O senhor está a enterrar um burro, ou quê?”. É comum passarem vários dias dentro do mesmo buraco, sendo quase sempre socorridos por equipes de busca e salvamento, após o alerta dado por familiares. Lembra-se então de que tinha o telemóvel… E que o buraco só lhe dava pela cintura…
[Laura queixa-se de que Mário é muito frio na cama.
Mário compra mais cobertores.]
O SAQUEDOR
É o que, ao deparar-se com um túmulo romano, subtrai ao espólio o cotão do umbigo do cadáver, o que deixa os arqueólogos a rilhar os dentes. Convém mencionar que este detectorista, por vezes, é também arqueólogo.
Quase todos neste meio conhecem um ou outro. Isto não implica que não seja um tipo impecável. A grande maioria é!
Vive imerso em livros de arqueologia e rumores de coisas que foram encontradas em algum sitio, reunindo-se com os seus congéneres em barracas improvisadas no meio de canaviais, a que chamam “castelos”, ou aglomeram-se em grémios secretos em várias redes sociais.
Em termos militares, é muitas vezes o Observador Avançado dos arqueólogos.
Está mais interessado na aquisição de objectos históricos, facilmente identificados pelo contexto da área onde prospectam. A maioria guarda e estima-os mais do que a maior parte dos museus, e dá-lhes mais valor e atenção do que a grande maioria dos arqueólogos.
Mas também há os que prospectam nessas zonas apenas com o lucro em mente.
É celebre o episódio em que Howard Carter, um dos primeiros detectoristas saqueadores, que na altura utilizava um Garrett que funcionava a leite, tentou trocar o punhal de Tutankamon por uma cenoura, sendo apanhado em flagrante por um beduíno, que jurou silêncio ao ser subornado com um pedregulho na testa. A intervenção de Lord Carnarvon evitou que a coisa escalasse para uma guerra com torrões de areia, e obrigou à devolução do punhal.
[Rui não tem namorada.
Rui quer ser pai.
Rui encomenda uma noiva num site russo.
Rui escolhe uma loura escultural de 1 metro e 90.
Rui recebe uma anã peluda e zarolha, grávida de 5 meses.
Rui felicita o site pelo serviço eficiente.]
O CHICO-ESPERTO
É um sabe-tudo! É contra o que é pro, e pró o que está contra. Se um detector for popular entre os entusiastas do hobby, é dos poucos que se esforça por escangalhar a imagem da máquina, afirmando que o cabo de vassoura com a tampa de um tacho, de uma marca obscura, é 1000 vezes melhor.
É o Iznogoud do detectorismo! Mas com conhecimentos técnicos! É capaz de fabricar um detector com uma cavaca, 3 pinhas e 1 quilo de palha-de-aço, segundo as suas palavras. E afirma que funciona melhor que o autoclismo lá de casa! E não gasta pilhas! Funciona a cebolas.
Contudo, os seus achados são uma miséria e raramente encontra algo de jeito. O melhor que encontrou foram umas fulanas manhosas na beira da estrada, que lhe deram 10€ para ele se ir embora e não as fotografar mais. Mas a sua máquina continua a ser a melhor do mundo!
Os outros são todos burros e dignos de ser gozados. Só não ficam com fama de grunhos porque, vá-se lá saber porquê, são tipos porreiraços com ar de ursinhos carinhosos quando finalmente os caminhos se cruzam.
[Nelson vive com Susana nas Ilhas Berlengas.
Nelson ganha o 1º prémio no Euromilhões e compra um burro.
Nelson gaba-se de ser o único da ilha que tem um burro.
Susana, inconsolável, diz que tem dois.]
O AZARADO
Eu!
[Olga zela pela sua saúde.
Olga come a comida certa.
Olga faz exercício.
Olga cai da sanita e morre.]
O TIPO ESTRANHO
É o que mais suspeitas levanta no seio das comunidades rurais, que julgam tratar-se alguém do Governo, a mando do Salazar, um bandido que anda a mudar os marcos de sítio ou um meliante que anda a roubar rabanetes.
Os receios de que possa também andar à procura de petróleo, levam a que a população, temendo ficar sem as suas hortas e rabanetes, se una e persiga este detectorista, armados de forquilhas e paus bicudos, enquanto alguns empunham archotes.
Este detectorista é um autêntico íman de curiosos, que, com alguma desconfiança inicial, se tentam inteirar do propósito daquele estranho aparelho. Antes de irem buscar a caçadeira e uma almofada…
[Cajó soldou um carro-de-mão à sua Zundapp.
Cajó está no OLX a tentar vender um Sidecar.]
O MASOQUISTA
É o que vai detectar para a Serra da Estrela durante o maior nevão do ano. De calções e barbatanas! E ainda acha que “tá-se bem”! Ou então vai para os Jardins do Palácio de S. Bento, tendo o cuidado de ser pouco discreto e deixando crateras por tapar, acenando volta e meia para os seguranças do Palácio.
Mas a sua preferência vai para a detecção em campos de cardos, onde rebola como um gnu na poeira, acabando quase sempre por magoar acidentalmente o recto com um pau grosso e comprido, enquanto é flagelado pela esposa por estar outra vez a fazer “figuras tristes” e por não ter lavado novamente a loiça.
É o que, “à Homem”, dá um pontapé num ninho de vespas, ficando por perto a apreciar a reacção dos insectos. Sendo também um pouco forreta, leva umas quantas vespas para casa, para à noite serem colocadas dentro dos boxers. Assim, evita de gastar dinheiro com o Viagra, recorrendo antes ao Viagra dos Pobres.
Gosta de detectar no topo de montes durante a trovoada e tem por hábito confrontar fisicamente outros detectoristas com o dobro da sua estatura. Se interpelado pelas forças da autoridade, afiança que o detector vai servir para procurar o sítio onde enterrou umas pistolas e explosivos, porque já não se lembra muito bem onde foi…
[Asdrubal sonhava casar-se com Zulmira.
Zulmira casou-se com o outro homem da aldeia, Amâncio.
Zulmira abandona Amâncio e tem um caso com Zé, o bode de Asdrubal.
As más línguas da aldeia focam-se neste episódio…]
O IDOSO
Descobre-se detectorista quando, por engano, ao invés de pegar nas muletas, agarra no detector e na pá. Quando a máquina apita, assusta-se e fica parado a olhar para o equipamento, pensando em “que raio será isto”. Volta e meia, dá por si a passajar peúgas no meio do mato, sem saber como lá foi parar.
Anda sempre com um pequeno canivete, uma carcaça de pão, um naco de queijo e outro de chouriço. Por vezes, também com uma garrafinha de tintol…
Questiona-se do porquê de ter duas fraldas para idoso e um rolo de papel higiénico industrial na mochila que, não sabe como, tem às costas. Dúvidas que são esclarecidas logo após soltar a primeira bufa.
É uma celebridade cuja foto aparece amiúde nas notícias, aquando de um passeio mais prolongado, e é frequente ser encontrado em secções de Perdidos e Achados das grandes superfícies comerciais e praias.
Desloca-se quase sempre de bicicleta, de preferência um modelo bastante antigo.
Quando questionado do porquê de ter tantos comprimidos consigo, com a confusão, é capaz de dizer que os comprou a um drogado. Também fornece medicamentos à Farmácia da zona em caso de ruptura de stock nas mesmas.
Costuma ser dos mais acarinhados pelos detectoristas. Especialmente pelos outros “idosos”, que estão sempre a tentar cravar um Alprazolam ou um Xanax…
[Leopoldo vai à pesca com Adelaide.
Adelaide apanha 2 tainhas e um polvo.
Leopoldo borra-se e mija-se todo.]
O SAPADOR
É o que cava todos os sinais! Mesmo tendo já a experiência suficiente para saber de antemão o que irá sair (especialmente na parte dos metais ferrosos), cava na mesma. No fim, antes de entrar no carro, larga um montão de entulho e lixos vários num sitio qualquer.
A detecção é uma muitas vezes uma extensão da sua actividade profissional, sendo, em 90% dos casos, coveiro. Os restantes 10% repartem-se pelos tipos das Juntas que andam a cavar buracos, pelos que os andam a tapar e meia dúzia de fulanos engravatados que passam a vida a passear pelos corredores do Parlamento e do Ministério das Finanças.
Investe consideravelmente mais dinheiro em equipamento de escavação, do que no restante equipamento, incluindo o detector.
Consulta com frequência os últimos catálogos da Bellota e está a juntar dinheiro para comprar uma pequena retro-escavadora.
Ele gosta mesmo é de cavar! E quando está aborrecido pela ausência de sinais do detector, cava a esmo. Curiosamente, tem sempre o cuidado de tapar os buracos que abre. Por vezes, com umas caninhas e umas folhas, colocando uma fina camada de terra sobre isso.
[Júlio acorda deitado dentro de um buraco.
Júlio acha estranho que um padre atire água-benta sobre ele.]
CHUCK NORRIS
Este não é um tipo de detectorista, mas “O DETECTORISTA”!
Fez apenas meia dúzia de saídas, porque estava aborrecido e não havia ninguém para pontapear num raio de 100 km.
O Donald Trump, irmão gémeo de Barack Obama, ficou com o seu actual aspecto depois de CHUCK NORRIS ter olhado para ele um pouco mais intensamente.
Sendo quem é, não necessita de detector. Bate levemente na terra com um pau e, quando os tremores de terra terminam, as moedas saem do solo, já limpas e colocadas em alvéolos, estando muitas vezes já em álbuns, organizadas desde as mais antigas para as mais recentes.
Na primeira vez que saiu para detectar, encontrou uma pequena cache de ouro, que doou aos Estados Unidos, que à sua volta construiu o Forte Knox.
O mero rumor de que CHUCK NORRIS possa ter respirado na direcção de um país, leva museus, coleccionadores e detectoristas a enterrar os seus espólios, numa tentativa de agradar a CHUCK NORRIS.
Empenhado em reconfigurar a forma dos continentes a pontapé, CHUCK NORRIS fartou-se da detecção e, num gesto de benevolência para com os que ansiavam detectar, permitiu à Humanidade a prática do hobby.
[Pastor Baltazar, esposo de Olímpia, tem 7 ovelhas.
Pastor Baltazar abusa de uma das ovelhas.
6 ovelhas estão zangadas com pastor Baltazar.
Olímpia suspeita que pastor Baltazar tem outra.
Pastor Baltazar aluga um apartamento em segredo.
Está uma ovelha no jacúzi.]
O MINUCIOSO/PICUINHAS
Este detectorista caracteriza-se por ter algum peso acima da média estatística. Algo bonacheirão, tem o equipamento sempre em condições e é extremamente cuidadoso com o mesmo. Por vezes, nem liga o detector para não gastar as pilhas! Além de todo o equipamento e mais algum extra, leva também às costas uma gaiola com 3 ou 4 galinhas…
Quando detecta algo, segue à risca uma lista mental para descortinar o que ali poderá estar. Fixa o alvo de vários ângulos, sobe e desce a coil, numa tentativa de avaliar a profundidade, vê para que lado fica o Norte e esventra uma galinha, para ler os auspícios nas suas entranhas. Quando se acabam as galinhas, começa a ser evitado pelos outros detectoristas, especialmente quando começa a caminhar na direcção deles com uma “naifa” na mão…
Mesmo que não encontre nada de minimamente interessante, o jantar lá em casa é garantidamente galinha!
[Álvaro e Teresa conhecem-se e casam em Lisboa.
Álvaro queixa-se ao padre de que Teresa é porca.
Teresa obriga Álvaro a comer umas cuecas velhas.
Álvaro mora agora em Tavira e Teresa, em Chaves.
A renda da casa de Lisboa está 3 meses atrasada…]
O HIPOCONDRÍACO
Tem sempre as vacinas em dia e verifica mensalmente o Boletim das mesmas. Por qualquer maleita de que suspeite padecer, toma todos os medicamentos que encontra e faz uma panóplia de tratamentos “no privado”. Os médicos, num bizarro episódio de cegueira selectiva, já não o podem ver.
Acaba por suprir a sua falta de medicamentos com as pílulas anticoncepcionais da esposa (único motivo que o levou ao altar), trocando-as religiosamente por pintarolas.
Costuma ter uma família muito numerosa. Motivo pelo qual é apontado pelos amigos como sendo o cruzamento entre uma planta de estufa e um boi de cobrição. Tem fama de reprodutor, mas não toca nos filhos com receio de apanhar sarna.
Nas saídas em detecção, evita os campos onde anda o gado a pastar, convencido de que algumas vacas mais marotas lhe fazem olhinhos.
[Xana come Maria e Heitor.
Sultão viola Xana e sodomiza Benfica.
Benfica é sodomizado por Jardel.
A Direcção Geral de Veterinária manda abater toda a matilha.]
O BETINHO
Lamenta-se por a Benetton ainda não ter lançado a sua gama de detectores, tendo de se contentar em detectar de saltos altos por ora.
Nas saídas de grupo, é o único que leva um polo sobre os ombros, com as mangas caídas para a frente. Se for necessário transpor algum obstáculo, pede que o transportem às costas.
Tem bons contactos com pessoas importantes, quer no sector bancário, como a Dona Graça, que faz as limpezas na filial da CGD lá do bairro, quer na política, tendo visto uma vez um ministro obscuro num restaurante.
Por questões de comodidade, costuma urinar sentado. E quando encontra algo interessante, defeca de pé…
[Na aldeia de Mata do Coito, Gervásio, de 19 anos, tem um caso com Dona Julieta, de 93.
Dona Julieta é mãe de Acácio, o presidente da Junta.
Dona Julieta é internada com suspeitas de velhice.
No dia seguinte, uma galinha de Dona Clotilde aparece morta em circunstâncias misteriosas, com lacerações ao nível da cloaca.
Dona Clotilde diz à TVI que andam lobisomens à solta.
Acácio está apaixonado por Gervásio.]
O DESENRASCADO
É o MacGyver dos detectoristas. É o que aproveita o óleo que sobra das fritadas para a limpeza e manutenção do detector.
Guarda a máquina em qualquer lado, pelo que é frequente ter ninhos de ratos dentro do detector e no equipamento.
Durante as saídas, costuma andar rodeado de gatos, que lhe lambem sofregamente a coil e haste do detector. Aborrecido, enxota-os, passando a estar cercado de cães, entretanto atraídos pelo odor dos felinos.
As saídas terminam quando aparece sempre a mesma cabra, vinda sabe-se lá de onde, que afugenta os cães e dá umas valentes marradas no detectorista.
Todavia, consegue sempre encontrar alguma coisa. É frequente conseguir mostrar os Dinheiros e Morabitinos portugueses, encontrados em pleno deserto da Namíbia, esquecendo-se de mencionar que os tinha nos bolsos à ida…
[Alberto crê ser o típico amante latino.
Valéria diz que o pénis de Alberto é um esparguete inútil.
Alberto ama Valéria.
Valéria ama pão com chouriço.
Alberto masturba-se até à morte com uma lula.]
O ALUCINADO
Caracteriza-se por ter um andar estranho, quase como se os ossos do corpo estivessem trocados, e por ter, aparentemente, umas lentes de contacto de visão nocturna.
Costuma fumar tabaco de enrolar “aditivado” e só detecta nos campos e mato nos meses de Novembro e Dezembro, onde conhece todas as espécies de cogumelos alucinogénicos e as dosagens correctas. É comum acabar a detectar no topo de choupos ou eucaliptos, onde eventualmente acaba por fazer um ninho com bosta de vaca seca, descendo apenas quando o ramo onde está se parte.
As suas conversas são estranhas e algo desconexas, sendo os únicos que compreendem a língua que falam. É irmão de todos os que encontra, o que leva a que o seu nome conste em diversos testamentos.
[Celso foi ao banheiro da fábrica onde trabalha.
João, o encarregado, pergunta se andaram a queimar estrume no banheiro.]
O SORTUDO
Caracteriza-se por ter um ar despreocupado, algo desmazelado até.
É o que chega a um terreno já palmilhado por dezenas de outros detectoristas e encontra um punhado de Morabitinos. Antes de ligar sequer o detector!
É crença de alguns que este detectorista é proprietário de um batalhão de toupeiras que, trabalhando afanosamente com minúsculos detectores de metais, encontram itens interessantes e os “empurram” para a frente do “Mestre”, sendo recompensadas com pequenos nacos de banha, na qual estão viciadas.
Este detectorista identifica-se com facilidade, se tivermos presentes os seguintes parâmetros:
– Caiu uma vez ao Rio Tejo e não se molhou. E, num estranho refluxo da maré, foi empurrado pelos esgotos acima, até bem perto da porta do prédio onde reside. E continuava seco!
– Tem uma quantidade absurda de amigas giras com pouca roupa, que se oferecem, umas, para levar a pá, outras, para levar o detector. Por vezes, também o levam ao colo.
– É gay.
– Se encontrar um javali no meio do nada, este já está assado, tendo uma garrafa de um bom tinto ao lado.
– Abre uma noz e caem de lá Denários.
[Lina teve trigémeos de Carlos.
Os trigémeos não gostam de mamar.
Lina começa a fazer queijos.
Carlos fazia sexo com Lina 5 vezes por dia.
Lina abandona Carlos.
Carlos começa a fazer queijos.]
O ENGATATÃO
Veste-se como um emigrante dos anos 70, tendo o andar típico de um predador em busca de uma presa incauta, sendo por isso muitas vezes confundido com um “chulo”. Não leva pá, uma vez que tem umas unhas multiusos extremamente longas, que utiliza, quer para cavar, quer para tirar o cerume dos ouvidos para fazer velinhas, ou ainda, para palitar os dentes.
Os pulsos costumam andar decorados com uma profusão enorme de pulseiras de metais nobres, a saber, latão, cobre ou pechisbeque. Ao pescoço, traz um grosso fio banhado a ouro, o que leva as outras pessoas a cogitar se ele está a pensar em enforcar-se.
O palito a dançar no canto da boca são uma das característiscas que o denunciam de imediato.
Faz doações de esperma e tenta sempre, sem sucesso, que a colheita seja feita pelas interessadas.
Na carteira, faz questão de ter uma foto do José Castelo Branco, bem ao lado da sua.
É um misógino, mas no Carnaval assume a sua veia oculta, e veste-se invariavelmente de mulher.
[Timóteo é virgem.
Timóteo conhece um senhor simpático no Parque Eduardo VII.
Timóteo já não é virgem.
Timóteo ainda não consegue sentar-se.]
O ADÃO
O pai do detectorismo, entretanto extinto. Na altura em que o os primeiros hominídeos passaram de uma sociedade recolectora para uma produtora, em que sedentarizaram, surgiram oportunidades para outras coisas. E eis que surge este detectorista. O seu nome não era Adão, mas Ugh da Silva. Os detectoristas apelidaram-no de Adão para o assinalar como o primeiro detectorista.
Naquele tempo, o detector consistia de uma enorme moca e detectava apenas grelos. Motivo pelo qual se reproduzia com alguma rapidez.
[Maria e Manél foram à apanha da azeitona.
Maria escorregou e Manél ficou a rir-se.]
O METÁLICO
A evolução natural para um fã de Heavy Metal é a detecção de metais.
Esta categoria é complexa e divide-se um diversas sub-categorias, conforme o género de Heavy Metal preferido pelo detectorista.
Trash Metal – Como o nome indica, só desenterra lixo.
Speed Metal – Passo largo e apressado. Às vezes, nem tem tempo para detectar.
Death Metal – Prefere detectar em cemitérios, velórios e locais de tragédias. Costuma ver fantasmas.
Folk Metal – É o que vai detectar vestido com as roupas da avó. Costuma andar na Festa do Avante com o detector, cheirando o rabo cabeludo de umas hippies badalhocas nos intervalos.
Nu Metal – Detecta nu. Opera principalmente na praia do Meco e noutras do mesmo género. A sua presença é suficiente para causar o pânico nas criancinhas e respectivas mães. É frequêntemente o alvo preferido das gaivotas aborrecidas. Também se insere na categoria do detectorista naturista.
Black Metal – Tem um detector preto, comprado no mercado negro. Sempre vestido de tons escuros, detecta apenas em noites de Lua Nova. Tem a mochila cheia de produtos de maquilhagem e revistas da Avon.
Gothic Metal – Tem tendências masoquistas e costuma ser pouco falador, ao ponto de ser confundido com um arbusto esquisito. Costuma masturbar-se no mato com um punhado de urtigas e é o único que detecta com uns enormes sapatões de plataforma calçados, aparentemente surrupiados do armário de uma actriz porno reformada. Muitas vezes, cola dois seios de silicone no detector. Assim sendo, identifica-se à distância por ser o único a ter um detector com mamas…
[Hermengarda é filha de Zebedeu e Procópia.
Hermengarda é irmã de Zenóbia, Adamastor e Agapito.
Hermengarda está noiva de João.
Hermengarda anula o noivado porque João tem um nome estranho.]
O POLITICO
Como o Metálico, também o Politico se divide numa série de sub-grupos.
A sua característica mais flagrante é a de detectar de “collants”, numa tentativa vã de ser identificado com o Robin dos Bosques ou o Peter Pan, conseguindo apenas ser gozado pelos colegas, que o apelidam de “rabeta” e o aconselham a ir detectar para a beira da estrada.
Há 5 grandes sub-grupos.
O Socialista – É o que tem um amigalhaço que lhe empresta dinheiro para comprar pilhas para o detector, que, curiosamente, foi oferecido por esse mesmo compadre. É burro como a porta de um estábulo, mas as suas capacidades oratórias são quase tão vastas como a sua falta de ética, pelo que até passa por “gente de bem” e enrola os papalvos.
É um falinhas-mansas com ar de trafulha.
O Social-Democrata – Costuma emprestar o seu detector, mas faz questão de ficar com aquilo que os outros encontram com a sua máquina. Cede também pilhas das mais baratas aos outros detectoristas, informando-os à posteriori de que terão que devolver das mais caras.
É um trafulha com ar de falinhas-mansas.
O Bloquista – O mais radical desta categoria. Costuma organizar eventos, comummente conhecidos por “Quermesse dos Seringas”, para angariação de fundos para uma revolução qualquer. Os seus melhores amigos são uma mistura de prostitutas e drogados, com alguns “analfabrutos” pelo meio.
Tem ar de calhau e conversas de calhau.
O Comunista – Em algumas mitologias obscuras, é o detectorista mais antigo. A dar crédito a essas correntes de pensamento, quando ainda não existiam seres humanos dignos desse nome, foram eles os primeiros a ser esborrachados pelos dinossauros.
Detecta sempre na mesma hortinha, anos a fio, com o mesmo detector e com umas pilhas de aparente carga infinita, na esperança de que um dia saia alguma coisa.
De ar carrancudo, parece um chofer da Carris.
O Verde – Tem um detector que funciona a energia solar e uma pá feita com folhas de alface. Não cava, com receio de magoar as raízes das ervas daninhas ou decepar uma toupeira. Anda sempre com uma t-shirt do Clube dos Amigos Disney.
Sendo exclusivamente vegetariano, tem um ar adoentado, como quem padece de Ebola.
[Joãozinho não quer comer a sopa porque lhe doi a barriga.
Joãozinho leva uma chapada do pai.
Joãozinho está curado e come dois pratos de sopa.]
O CRENTE
Aparentemente, parece uma pessoa normal, mas quando saca de uma garrafinha de água-benta para benzer o detector antes de qualquer saída, fica-se com a impressão de que algo não bate certo.
Por cada sinal do detector, desenterra um nabo. Os seus jantares são, invariavelmente, compostos por receitas que envolvam nabos.
São a fé e a esperança de que saia pelo menos uma moeda de 100 Escudos, que o leva a prosseguir na detecção.
Sendo muito religioso, cava sempre de joelhos, o que leva a que seja muitas vezes confundido com um homossexual.
Quando, por milagre, que é disso que se trata, encontra um Ceitil, solta traques muito ruidosos, semelhantes ao matraquear de uma Kalashnikov, e promete uma vela à Nossa Senhora.
[Jorge cai.
Jorge levanta-se.
Jorge segue o seu caminho.
Júlia empurra-o de novo.]
O ALIENTEJANO (Alien+Tejano)
Este é um personagem sui-generis.
O encontro com este detectorista costuma estar associado à aparição de estranhas luzes no céu, talvez fruto de algum vinho com mais grau.
Cansa-se com facilidade, tendo que repousar à sombra de um chaparro de 50 em 50 metros. Se o chaparro mais próximo estiver a mais de 50 metros, espera que anoiteça. Então, volta para casa, chegando lá em menos de duas semanas.
É frequente adormecer enquanto caminha, ou mesmo durante a abertura de um buraco.
Tem por hábito andar acompanhado com um burro, que lhe leva a pá… e o detector.
Por norma, acontecerem muitos ataques de bruxas, possessões diabólicas e casos generalizados de Papeira nas áreas onde este detectorista opera.
Para deslocações mais longas, utiliza um disco voador ou um comboio. Se a viagem for realmente longa, como uma ida até à Junta de Freguesia, terá então que usar o recurso de emergência e tentar pôr a Zundapp a trabalhar.
[Joel está a ficar careca.
Joel tem caspa.
Joel vai à bruxa.
Joel compra um champô milagroso.
Joel fica sem cabelo.
Joel já não tem caspa.]
O NATURISTA
É o que reduz ao extremo a quantidade de coisas que leva para uma saída, inclusive ao nível do vestuário, detectando muitas vezes completamente despido. No Inverno, leva apenas um cinto de ligas da esposa como agasalho.
Sendo muito peludo, quem o encontra, confunde-o frequentemente com um Gummy Bear, com um badalo pendurado, “a dar, a dar”.
Mesmo que encontre uma ânfora cheia de Denários, nunca traz nada das saídas que efectua, uma vez que não tem bolsos.
[Daniel mata e esfola um coelho para o almoço.
Dora não gosta de coelho.
Dora delata Daniel.
Daniel é preso por homicídio em 1º grau e profanação de cadáver.]
O CASADO
Há diversos motivos que levam esta pessoa para a detecção de metais.
Há aquele a quem a esposa oferece um detector, para que ele saia de casa, onde só atrapalha e lhe apalpa o rabo cada vez que se cruzam, numa esperança de que saia um jackpot ou que ele se abra como uma piñata e de lá caiam doces.
Outro há, que acha a esposa uma chata insuportável que não se cala, e que, não tendo 50€ para comprar uma cana de pesca, gasta 500 num detector.
Há ainda o que usa a desculpa da detecção para não participar da lide da casa, podendo assim usufruir de umas cervejas numa tasca suspeita.
Leva todos os achados para casa, incluindo o lixo, como prova de que esteve mesmo a detectar. Não vá a esposa ficar desconfiada e voluntariar-se para o acompanhar na próxima saída.
[Noémia tem três seios.
Noémia namora Bruno.
Bruno tem três mãos.
Albino procura mulher com quatro seios…]
[Revisão 1. Álbuns ouvidos durante a composição: Slayer – Repentless (2015), Crematory – Monument (Limited Edition)(2016), Vader – The Empire (2016)]
[Revisão 2. Álbuns ouvidos durante a composição: Crematory – Monument (Limited Edition)(2016), Accept – Metal Heart (1985)]
[Revisão 3. Álbuns ouvidos durante a composição: Metallica – Hardwired… to Self-Destruct (2016)]
[Revisão 4. Álbuns ouvidos durante a composição: Eisbrecher – Die Hölle Muss Warten (2012)]