“O ano de um Detectorista Azarado”
Revista Cavando, 1ª Edição (2021)
1ª Publicação: Revista Cavando, 1ª Edição, em Dez2021.
2ª Publicação: “Diário de um Detectorista Azarado”, em 19Mai2022.
URL: [RIP] https://eryxblog.wordpress.com/2022/05/19/o-ano-de-um-detectorista-azarado/
Algures pelo ano passado, foi pedida a minha colaboração numa revista de edição limitada, para um grupo restricto de aficionados deste hobbie que é a detecção de metais. Apesar de o meu tempo não ser muito, acedi e, depois de uma pesada edição ao resultado final, para cumprir os requisitos e não exceder os limites do espaço que me foi dado, a coisa lá foi entregue.
Já na altura um dos editores da revista tinha dado a ideia de que poderia colocar a minha colaboração aqui, o que agora faço.
Antes de decalcar o artigo própriamente dito, tenho que louvar e agradecer a atitude e empenho dos cérebros por detrás da ideia de lançar esta revista. Não a verão nas bancas, e foram apenas impressos uns 100 exemplares, mas é um verdadeiro tesouro para os detectoristas portugueses. A eles, a minha vénia de respeito e admiração.

O ano de um Detectorista Azarado
Azar. Sempre o eterno azar… É uma daquelas coisas inerentes ao nosso passatempo. Nem sempre tudo corre bem. Claro que há uma minoria a quem as coisas correm sempre bem. É achados espectaculares, ouro aos quilos, camiões de prata e coisas jamais vistas.
E depois há aqueles infelizes como eu…
Recordo-me bem do dia em que a Nina Mar’Inês encontrou um Pinto de D. João V. Foi o dia em que andei a correr atrás de uma galinha no pinhal. Mas isso já foi há uns anos. E de lá para cá, muita coisa gira alguns de vós tiraram! (Enquanto eu andava a chutar pinhas com o detector, e o Miranda a catar selos de chumbo…) E lembro-me que houve alguém a desenterrar “batatas moles” plantadas por um tipo de barbas do Montijo! Isso é que é ter sorte! (Colocar uma inflexão sarcástica aqui.) Ainda se fosse uma poia romana…
Estava na dúvida se descrevia apenas este ano de 21, ou se fazia um apanhado dos anos anteriores. Houve coisas deveras caricatas!
O tipo do jipe branco (alguns devem recordar-se desta), pessoal embrenhado em badalhoquiçes (A larga maioria, homens com homens. ARGHHHH!!!), a saída em que cavei quase um metro para encontrar outra pá, o penico de esmalte, o cadáver que afinal estava vivo, a situação com a Baunilha e o Chocolate (Dois cães e a sua dona. Esta nunca publiquei.), quando encontrei o Drácula a tomar conta do nosso carro (Outra, que nunca viu a luz do dia…), a minha azia quando saco uma romana, quando parti o carter do motor ao passar sobre um enorme calhau disfarçado de enorme pinha (Mais uma…), e sei lá mais o quê. Tudo me acontece.
Mas vou cingir-me apenas a este ano. Como saí pouco, tenho menos para contar. E assim escrevo menos e despacho isto num instante!
O meu azar é um conceito abstracto. Chamo azar a tudo o que aconteça de invulgar durante uma saída. E também, quando olho para os achados, já em casa, e constato que o azar nesse campo também é galopante. Assim sendo, sou um azarado do caraças!!!
Sejamos realistas. Não é que eu seja tão azarado como isso. Eu não parto uma perna de cada vez que vou detectar, ou algo do género. Mas parece que a interpretação que faço de situações, que para alguns devem ser absolutamente normais e corriqueiras, as torna suficientemente bizarras para que acabe invariavelmente a rir-me sozinho. Sou apenas um tipo calmo, mas sempre bem-disposto. Gosto de me rir, e o melhor que se pode fazer é partilhar com outros que também possam necessitar. Isto sou eu a tentar convencer-me de que não sou vagamente doido. Todos temos um ou outro problema, e o riso muitas vezes dá outra perspectiva. Sou sarcástico, não para vos curar, mas para me curar a mim próprio.
E… Onde ia eu?… Pois. Xiii… Ainda não escrevi nada de jeito. Mas parece que já vou quase a meio do espaço que me deram. Fixe!
Ora bem. No pedaço que resta não dá para resumir todo um ano, mesmo com muito menos saídas. Fica aqui apenas uma delas… E desta eu lembro-me bem!!!
Num belo dia (1 de Agosto), ia eu muito lampeiro para acabar de bater o terreno onde tinha andado no dia anterior, quando, ao chegar ao lugar onde costumo deixar o carro, reparo que já lá está uma carrinha. Como o caminho termina ali, sendo areia solta daí em diante, presumi que algo de estranho se estava a passar. Já não é a primeira, e, agora que penso bem, nem a segunda coisa invulgar que encontro ali. Estaciono mesmo atrás dela. Aquilo é a dar para o apertadinho… De imediato, a porta do passageiro abre-se e vejo os pés e um traseiro tapado com uns justinhos jeans, que de tão giro e fofinho, só podia ser de uma moça. Às arrecuas, a moça, que estava aparentemente de gatas sobre o assento, lá se compõe e consegue sentar. A porta fecha-se e fica tudo muito quietinho. “Bem, já vim atrapalhar alguma coisa”, pensei eu. Mas como fui para detectar, se ficasse parado dentro do carro, tenho sérias dúvidas de que encontrasse alguma coisa de jeito. Saio e começo a equipar-me. Saco do Racer e estendo a haste. Ligo o GPS, e o carro à minha frente é ligado. Vejo, pelo retrovisor da carrinha, um moço de barba, com cerca de 30 anos. Faço sinais para chamar a atenção, e pergunto se quer que recue um pouco para que ele possa manobrar a saída. Sorri e responde que não. Não sei bem como, ele conseguiu inverter a carrinha naquele espaço diminuto. Eu tenho sempre que ir em marcha à ré até à estrada, uns 50 metros atrás! Bem, e eis que a carrinha passa ao meu lado. E pude então ver o rosto que fazia par com aquele rabinho jeitoso! Ó coisinha mai’linda! Ainda não devia de ter 30 anitos, e fiquei na dúvida se seria emo ou gótica. Não era nenhuma deusa ou Érica Fontes, mas a moça era bem gira! Morenita, de cabelo preto, comprido e liso, maquilhada como uma top-model, era um regalo para a vista. Bem melhor que as pinhas que me aguardavam! Não pude deixar de sorrir quando notei que tinha pouco baton. Hehehe… Espero que o moço, quando foi despejar a bexiga, não tenha entrado em pânico por ter o pénis com uma cor estranha. Só desejava que ela não me estivesse a rogar silenciosas pragas, por provavelmente ter que “começar outra vez do princípio”, noutro local ermo.
Em termos de comparação, a senhora do casal que encontrei há uns anos, enquanto detectava, que estava a escangalhar o companheiro, enquanto gemia e arfava de goelas bem abertas, era uma pota. Esta moça era uma lulinha esbelta e castiça.
Mas era mais que evidente que a criaturinha não era desta zona. Muito aprumadinha. A típica turista. Talvez morasse nas imediações da Casa dos Bicos, em Lisboa. É, devia de ser isso…
“Ena, pá! Que sorte!”, dirão alguns. Qual sorte? Sorte teve o tipo!!! Eu não!… Até aposto que se estivesse no lugar dele, a moça conseguia pôr-me num estado comatoso e de pernas bambas. Devia de ser difícil detectar depois disso…
Mas isso seria realmente ter sorte. Coisa que não abunda para os meus lados…
Isso lembra-me a ocasião em que fui dar com um funcionário do ICNF, de calças em baixo, a dar à luz um ministro… Não me importava mesmo nada que fosse a moça naquela posição. Bem, talvez sem o cagalhão pendurado…
E, quando finalmente liguei o Racer e comecei a detectar, ainda tive que andar um bocado com dois pin-pointers. Felizmente não me enganei quando tive de usar o pin-pointer certo. Com o outro, ainda emprenhava uma toupeira…
E podia contar uma história sui generis, a que dei o título de “O Peido Autocolante”, mas, depois de escrever o texto onde ela estava incluída, para colocar no Blog, não pude deixar de notar que era mesmo muito gráfica, e um exercício de auto-humilhação a roçar o masoquismo. Acabei por não publicar nada. E são 9 páginas no Word que aqui estão, algures numa pasta.
Deixo à vossa imaginação o que poderá ser o conteúdo d’O Peido Autocolante. Tenho a certeza que alguns vão andar lá perto, e outros vão ter uma ideia bem mais escabrosa daquela saída. Que raio de azar o meu!!!
E por aqui me fico. Espero sinceramente que o vosso azar seja menor que o meu, o que, convenhamos, não é nada difícil.
E, como sempre, boas saídas para todos!!!
Eryx
