Sinopse
Escrito em Alverca do Ribatejo, de 24 a 26 de Março de 1993. Não sei qual foi a premissa deste devaneio, mas acho-o interessante.
Devaneios – I
As bactérias fazem amor no sorriso do embrião nascido e nunca gerado, afogado nas ondas do ar de um abismo naufragado. É imutável o diamantino sentimento, perdido por entre os ecos do nada; caótica essência arábica que subjuga as ilusórias nascentes do aniquilador prazer. Jogar com a sóbria sorte e perder; aprender, renascer para jogar de novo e perder; esquecer e morrer, cavalgando a aura de um cometa velho que ainda não surgiu no nosso sistema viral. A negra borboleta da solidão governa os céus de bronze aéreo… Louva o Homem com a mentira, o prazer etéreo. Colapso, perdição…
O tempo dos segredos da luz está impresso no cosmos e é imenso a ponto de ocupar o nada que flutua abandonado na superfície de uma infantil bola de sabão. A criança compreende e desvenda a simplicidade que os adultos adulteram e veneram, sem alcançar a verdade oculta nos olhos universais; fugazes estrelas que brilham incógnitas nas crónicas mortais.
E vem o riso humano, imerso em fungos que se propagam até às orelhas surdas. Palavras sensíveis e mudas à gargalhada alheia, som que se regressa e volteia, obrigando-nos a gritar durante o sonho encrespado, sem traço de fé: “É isso! É a sombra da moeda! Não é?” †IN HOC SIGNO VINCES†
Tudo é vago, sem rosto presente. Imperfeição imanente…
O unicórnio mescla-se com o azul do pensamento, impregnado nos ponteiros do relógio da anárquica vida. Os ossos confundem-se com a carne na totalidade humana, para criar a morte, bebida de claro amargo que é oferecida aos moribundos que povoam a Atlântida sacrificada da sociedade vil, em espelho santificada. Perecem as lendas e as verdades, para ser erguido o altar da vergonha e do Homem falso-deus, o auto-ídolo que se corrompe na sua própria doutrina, doentio vidro da destruição. Os monstros agitam-se e estremecem ante o avanço do hálito esterilizador da bomba viva, energizada por ideais insanos, ocultos do vespertino nascer. E, ei-los, agitando os pútridos braços, os nado-mortos que choram a proximidade do fim,…, mineral fruto da luz que arde radioactivo,…, demoníaco querubim…
