Esclarecimento acerca do artigo do jornal Público, da edição de 24 de Novembro de 2019
1ª Publicação: “Diário de um Detectorista Azarado”, em 24Nov2019.
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Esclarecimento acerca do artigo do jornal Público, da edição de 24 de Novembro de 2019
Da parte do artigo em que sou mencionado, devo esclarecer algumas imprecisões que resultaram da entrevista que concedi à jornalista Sónia Trigueirão.
A grande maioria do artigo está correcta, mas a omissão de alguns pontos resultou numa interpretação diferente da pretendida.
– Moedas romanas. Essa parte ficou algo contraditória, uma vez que refere, e muito bem, que apenas encontrei cerca de 20 moedas romanas durante estes anos de passatempo. Mas diz também que “apenas encontra moedas romanas”, o que não é verdade. Quem me conhece, sabe que não aprecio muito as moedas desse período da nossa história. Até fujo delas, e dos locais onde acredite que elas possam existir! Da janela da sala consigo ver a zona de um castro romano, mas nunca me senti tentado a ir para lá detectar.
– “mais de duas mil moedas da monarquia portuguesa”. Eu disse quase, não mais…
– O arqueólogo. É verdade que colaboro com membros da área da arqueologia, mas a aprendizagem é mútua. Eu aprendo pela sede de conhecimento, e não para saber o valor monetário das peças. E dou todos os dados que possuo sobre os achados, quando solicitado.
– GNR. O meu amigo da GNR não me ajudou a encontrar a dona da carteira que encontrei enterrada. Fui eu quem fez esse trabalho de investigação. Ele até me aconselhou a evitar de fazer esse tipo de “devoluções”, uma vez que isso às vezes dá em mais problemas do que paz de espírito.
E o que ficou de fora, da entrevista que dei? Hehehe… Eu sei que o espaço para o artigo também não poderia ser muito extenso, mas coisas importantes ficaram excluídas.
– Que seria salutar que tanto arqueólogos como detectoristas se sentassem à mesma mesa. Podemos todos aprender uns com os outros, e que o conhecimento da nossa história seria o grande vencedor.
– Que eu registo todos os achados no GPS, e que estaria aberto a escrutínio.
– Que eu tenho comigo TODAS as peças que encontrei durante a detecção, tendo apenas cedido as pintadeiras a um senhor que está a preparar um estudo sobre as mesmas, e depois de mais de um ano de insistência por parte dele. Que não comercializo nada do que encontro, e que nem tal me ocorre.
– Que eu, e uns quantos detectoristas, colaboramos com várias disciplinas do saber, seja com numismatas ou estudiosos de áreas especificas da história. E que primamos por uma atitude responsável, seja excluindo zonas com vestígios de ocupação das nossas rotas, seja pelo simples acto de recolher a imensidão de lixo que desenterramos, e por algo tão simples como voltar a tapar o buraco…
E, por fim, algo que nem cheguei a dizer durante a entrevista.
Que, nestes pinhais, o conceito de estrato é uma falácia. Os achados de diversas épocas aparecem misturados. Já me aconteceu encontrar um Dinheiro quase à superfície, e uma moeda da República, ao lado, a uma profundidade bem maior. E não há vestígios de qualquer espécie de ocupação humana nessas zonas. Como disse à jornalista, gosto de procurar os caminhos e vias por onde as pessoas circulavam nos tempos de antanho, não onde elas dormiam…
Que essas zonas onde exerço este passatempo estão orientadas para, entre outras coisas, actividades de lazer. Que é o que isto é para mim.
Como o meu telemóvel grava todas as chamadas, tenho os arquivos áudio de ambas as chamadas. (Este parágrafo deve fazer alguns contrair o esfíncter, uma vez que já tenho esta app instalada há uns anos…)
