Saídas Abril 2018
Mais fotos e menos texto. Afinal, isto está dois meses atrasado!
1ª Publicação: “Diário de um Detectorista Azarado”, em 11Jun2018.
URL: [RIP] https://eryxblog.wordpress.com/2018/06/11/saidas-abril-2018-mais-fotos-e-menos-texto-afinal-isto-esta-dois-meses-atrasado/
É… A preguiça, aliada à falta de tempo livre, levam a que assim seja.
Vou tentar pôr a coisa em dia, com o mínimo de trabalho possível.
Saída 7Abr2018 – Foi algures por ali…
Errr… Sei que foi no pinhal. Algures… Sei que fui testar uma zona, mas, agora, para saber exactamente onde, teria que ir cuscar nos trajectos marcados no GPS.
Bem, saíram umas coisitas algo castiças, como o Dinheirito e meio, os III Reais de D. João III e uma bela medalha. E uma carrada de anilhas de pombo-correio! Ainda não me dei ao trabalho de as contar, mas já devo ter catado mais de 300! E, é um achado tão pequeno e discreto, que quase passa despercebido, a ponta de uma bainha de uma espada ou punhal. Ou de uma faca de cortar pão…

Convívio 14Abr2018
7 e tal da matina, aí vamos nós (eu, a minha “dona” e a outra minha “dona”, mais conhecida por “filha”) a caminho de Évora, para mais um convívio com um punhado de detectoristas e interessados no assunto.
É claro que, por questões de privacidade, não vou referir ninguém pelo nome, apesar de achar que, sendo tudo malta de mente aberta e com o à vontade de quem não põe a pata na poça, não haveria problemas. Faço-o apenas porque entendo que sim.
Como o ponto de reunião era num estacionamento, não tinha grandes referências para dar com aquilo, pelo que, no Google Maps, lá encontrei a rua mais próxima e meti a direcção no GPS do carro.
Com as habituais paragens pelo caminho, para colocar os níveis de cafeína do organismo em níveis aceitáveis, lá chegamos, 5 minutos antes da hora.
O G., o identificador de achados e relíquias de plantão, foi o primeiro que reconheci ao longe. Talvez por o topo da sua cabeça me lembrar a minha. É. Também está a ficar carequinha…
Lá estava, é claro, o organizador, que já não via à coisa de um ano, e duas caras novas.
O pessoal foi chegando e, enquanto não chegavam os últimos, tivemos direito a um périplo cultural por Évora.
Ainda só lá tinha ido uma vez, e de raspão. Pelo que, finalmente, pude ver o afamado Templo de Diana, que, se fosse aqui na zona, já tinha sido demolido, por não passar de “um monte de ruínas”, para lá nascer uma vivenda ou hotelzico de luxo… E vimos também mais uma série de coisas que costumam fugir aos olhos dos visitantes. Graças à organização, pudemos aceder a algumas. Mas a pequenita mantinha-me ocupado, pelo que vi muito, mas ouvi pouco…
Almoçamos no espaço combinado, e acho que o organizador, em conluio com o dono do restaurante, me mantinha ocupado com a conversa, apenas para eu comer pouco queijo. No fim, acabei por petiscar, mas creio que foi o melhor que podia ter feito. A conversa e convívio estavam a um nível que normalmente não se alcança neste tipo de eventos.
Havia partilha de histórias, identificação de achados, e um sentido de comunidade. Estavam lá achados de fazer cair o queixo! Infelizmente, ou não, porque eu sou quem sou, nenhum desses achados “de fazer cair o queixo” era meu…
Pude conhecer pessoas que, sendo detectoristas, normalmente evitam estes convívios. Aprendi com todos, e até gostava de poder ter ensinado alguma coisa, mas as dicas e experiências que foram partilhadas não as encontrei ainda em livro ou manual algum. Estavam ali conhecimentos preciosos! E não havia vergonha nessa partilha! E eu bebi o máximo que pude dessa fonte, pelo que fica aqui o meu humilde e sincero obrigado a quem estava lá. Foi o terceiro convívio do género a que fui, e aprendi mais do que nos dois anteriores. Talvez por ter não ter havido detecção, houve mais convívio e conversa. E aprendizagem!
Eramos apenas 13 (para uns, um número “azarado”), incluindo duas senhoras e uma criança, mas o organizador soube contactar as pessoas certas.
Podia alongar-me mais nesta data do texto, mas ainda vou no segundo ponto e isto já começa a levar mais tempo do que eu pretendia…
A todos, uma vénia e um abraço de agradecimento!
Saída 17Abr2018 – Ó Mealha!
Fui para uma zona que bato com alguma regularidade e, quem diria, continuam a sair umas coisinhas! O raio da fivela, de tão grande que é, deixa-me a pensar como não o detector não deu com ela assim que saí do carro. Estava a uns 300 ou 400 metros dele, mas é tão grande…
E uma Mealha, que eu coloco em D. Sancho I. (Isto deve ser o suficiente para fazer o Iúri espumar pela boca e rogar-me umas pragas…)
(Um abraço, Iúri!)
Mais um Pataco (já devo ter uns quilos de Patacos!), um Ceitil e o 1 ½ Real de D. Pedro II… E outras traquitanas, é claro!

Saída 21Abr2018 – Raios partam os Escudos!
Fui experimentar uma nova zona e posso afirmar com certeza de que há lá moedas! Mas, as que me interessam, além de não serem muitas, estavam todas amassadas. Ficou só um cantinho por bater, que…

Saída 22Abr2018 – Continuação…
…Fui bater neste dia. Como esperava, nada de interessante, e, o que o poderia ser, amassadinho.
Encontrei mais uma peça de ferramenta, para juntar a umas quantas que já encontrei até hoje. Qualquer dia, abro uma oficina! No dia em que encontrar a mala para as colocar, desisto disto e vou reparar carros. Ou pelo menos, dar-lhes uma lavagem…
E ainda andei por lá, a brincar com uma aranhita minúscula…

Saída 25Abr2018 – Às vezes, basta atravessar a estrada. E a prata que menos trabalho me deu até hoje.
É. Mesma zona da saída anterior, mas, desta vez, do outro lado da estrada. Bem, chamar estrada áquilo… Acho que a massa dos buracos é bem maior que a do alcatrão. Quando tenho que por lá passar, só me falta tomar um comprimido para o enjoo… E a carro dá cada salto! Isto, a andar a uns 20 ou 30 km por hora! Se fosse a 50, até as portas do carro caíam…
Quanto a achados, não foi muito mau. Ora bem, achei mais uma tarantulazita, uma Louva-a-Deus muito gira mesmo (que trouxe para casa, para fazer as delícias da cachopa, que a colocou num aquário, com uma pequena aranhita, à laia de refeição de boas-vindas. Resultado: a “aranhita”, mesmo sendo pequenita, comeu a Louva-a-Deus! É, as coisas costumam correr-me assim…), e já me perdi… Pois, Tropecei numas poucas de colmeias mesmo muito activas, num ninho e, deixem-me lá ver… Yep. Uma carrada de lixo!
Tá bem, tá bem. Também saíram umas coisas assim-assim. Mas a melhor foi a moedita de prata.
O Racer deu um sinal bem intenso ao passar sobre um farrapo de tecido. “Deve ser um botão”, pensei eu. Com a bota, afasto o farrapo para o lado e verifico se o sinal “foi atrás do tecido”. Nope. Ainda lá estava. Inclino-me e vejo-a então. Meio enterrada, mas já com bastantes dias de Sol. Ou talvez não, uma vez que estava debaixo de um pedaço de pano… 75 Réis de D. Maria I, 1794.
Estranhei que fossem 75 Réis, que, para mim eram uma novidade. Já em casa, de volta do AG, lá dei com ela no capítulo dos Açores. Foi cunhada para circular nos Açores. Como ela cá veio parar? Ou veio de barco, ou então nunca de cá saiu… O que não me interessa muito. Interessa-me o a ter encontrado!


Saída 30Abr2018 – Hummm… Parece que encontrei um local promissor…
Volta e meia, fruto das horas que perco de volta de mapas e do Google Earth, lá tento juntar os caminhos que já mapeei com os achados, a outros mais distantes. Basicamente, selecciono uma área, e ando por ali às apalpadelas, a tentar ver por onde passariam os caminhos.
Este tipo de detecção é mais descontraída. Ando por ali aos ésses, indo para onde me apetece, tendo apenas a preocupação de bater parcialmente o terreno. Para este modo, opto por andar em dois tons, descriminando tudo abaixo do valor 30. A coisa fica silenciosa e pachorrenta.
Uns escudos aqui e ali, incluindo uns euritos, e uma de III Reais de D. João III. Uma da Monarquia no meio daquelas todas de Escudo, não me indicavam grande coisa. Antes dessa, uma espora, em três buracos diferentes, mas próximos. Logo ali, vi que tinha a peça completa, se bem que fragmentada.
E uma chupeta em alumínio! Eu encontro cada coisa!… E, hehehe, ou não tivesse que me calhar um achado “estúpido”, um supositório, ainda dentro da embalagem…
Já só faltava passar pela parte mais baixa da área, mas eu não dava nada por ela. Parecia-me pouco interessante e algo “húmida”…
Mas, eis que, depois de mais um ou dois escuditos, sai um Ceitil. Encolho os ombros e sigo. Nem 10 metros depois, mais um Ceitil. E mais um, e mais outro. E ainda outro. E acho que houve mais um, além dos outros…
De repente, e numa linha mais ou menos recta, as moedas iam saindo umas atrás das outras. Tudo Ceitís, os afamados “centavos” dos tempos da Segunda Dinastia…
Como o dia estava no fim, tive que ficar por ali. Mas sabia que tinha encontrado a zona que procurava. Nem eu imaginava que aquilo não era um dos caminhos que eu procurava, mas sim uma outra coisa.
Mas isso fica para o texto das saídas de Maio…

[Frases do quotidiano: Esta já foi há uns anos, com um outro funcionário da empresa onde trabalho (um verdadeiro retrocesso evolutivo, que nem sei como conseguiu sobreviver até à idade adulta), quando me questionou como é que se chamava aquela coisa que eu usava para ouvir música no telemóvel (mais conhecidos por Headphones) e onde poderia comprar uns… “Ó, isso é fácil. Vais à Worten de Alcobaça e pedes ajuda a uma das funcionárias. Dizes que queres um dildo. Dil – do (soletrando). Não te esqueças do nome. Dil – do.”]
É menos que pouco, mas tenho andado ocupado com uma série de coisas…
Um abraço a todos e, aos detectoristas, boas saídas!
