Sinopse
Esta paródia foi escrita entre o Natal de 1996 e os primeiros dias de 1997. Naquela altura estava de serviço no Regimento Guarnição Nº3, no Funchal.
A Inquisição e o Pai-Natal
I
OK. Comecemos pela Santa Inquisição, que de santa nada tinha nem fazia por ter, cuja principal actividade girava em torno do adubo orgânico, com o qual faziam cultura intensiva de minhocas. Mas passemos adiante.
Inicialmente, o sistema inquisitorial era constituído por homicidas e delinquentes que se satisfaziam sexualmente com pequenas lombrigas. Foram eles os criadores do cunillingus, que nessa altura era feito com um punhado de manteiga e uma pá de coveiro. Mais tarde, essa técnica seria revolucionada por Barbosus VII, o pai do Pai-Natal, que constatou que a língua infligia maior dor à vítima, mesmo sendo ela do sexo masculino (nessa altura, ainda não existia o termo fellatio).
Posteriormente, a Inquisição tornou-se um clube desportivo (Igreja Futebol Clube), em que o Papa era o guarda-redes e a Madre Teresa, a apanha-bolas. Começaram então a perseguição àqueles que não eram associados, sendo, portanto, suspeitos de praticar surf e de vender a alma ao Senhor dos Infernos por um saco de pipocas. Quase simultaneamente, o sexo torna-se o seu principal tópico de acusação.
É celebre a história de Drácula, o irmão bastardo do Pai-Natal, que foi acusado de ser um lobisomem urbano (na verdade, ele era vampiro em part-time), e de chamar “esparguetes” aos órgãos genitais dos inquisidores. Na sua confissão, revelou que, disfarçado de allho-porro, havia consolado várias freiras, e que 50% delas eram praticantes do sexo normal, enquanto as restantes eram adeptas do sexo anormal.
Muitos inquisidores acreditavam que ele era igualmente o famigerado “Nabiça”, que, disfarçado de leproso, seduzia as donzelas suspeitas de serem virgens e lhes roubava o cerume dos ouvidos.
Depois de ser enforcado e queimado vivo, conseguiu evadir-se, atraindo dois guardas para uma ratoeira, onde ficaram presos com mais quatro ratos.
Presentemente, ignora-se o seu destino, mas suspeita-se que Drácula é o vampiro que escreve livros de psicologia infantil para morcegos, sob o pseudónimo de Drácula. Alguns afirmam que os seus descendentes se tornaram presidentes de diversas nações, transformando a democracia numa anedota mundial de péssimo gosto.
É igualmente célebre o caso da mulher que, durante os actos pecaminosos com um pijama emprestado, soltava pequenos “ais”. Foi de imediato acusada de bruxaria, coitus interruptus e de firmar um pacto com o Mafarrico. Numa acto de piedade, foi ainda acusada de desvirginar várias moças da região com um carapau king-size e de pedofilia, em que, tendo seduzido o Pinóquio, se colocou de cócoras e o obrigou a contar centenas de mentiras. Foi perdoada, e deram-lhe a escolher entre a decapitação ou a ter a cabeça decepada. Escolheu a segunda opção, uma vez que era do conhecimento público que era menos doloroso. Surpreendidos perante tamanha coragem, os inquisidores libertaram-na na jaula dos leões. Desconhece-se o desfecho da sua história.
Também o Pai-Natal foi acossado pela Inquisição, por distribuir presentes, com a agravante de o fazer num dia feriado. Conseguiu escapar, uma vez que as suas renas eram mais velozes que as da Inquisição. Num acto de clara vingança, a PENIS (Polícia do Estado Novo da Inquisição Sabichona) apreendeu todos os presentes, por conterem drunfos e pedrinhas de haxixe.
Tempos depois, deu-se o colapso da instituição, quando vários bispos descobriram que os seus ossos eram afinal ovas de bacalhau. Para apressar a sua extinção, o Pai-Natal subiu ao poder após um golpe de estado, patrocinado pelos esquimós e Camões, o Vesgo, que havia enriquecido com a venda de espuma de caspa contrabandeada de Espanha.
Reinou durante 17 segundos, até ser destituído pela sua púbis, que subiu ao trono sob o nome de Masturb-Hassão, o Esmagaçador.
O Pai-Natal, já na altura apelidado de Pai-Rabeta, tornou-se então senhor feudal, e desapareceu misteriosamente quando sobre si recaíram suspeitas de abuso sexual em cabaças.
Se atendermos aos entendidos no assunto, as crianças e os surfistas, o Pai-Natal permanece criogénicamente congelado, sendo despertado por Igor, o servo corcunda, apenas uma vez por ano, para que possa esticar as pernas e distribuir uns presentes à malta.
II
O Pai-Natal e o seu lado oculto
§ É um personagem estranho que ataca no dia 25 de Dezembro, antes das três da manhã, da uma às quatro, e o seu método de entrada nas habitações alheias é bastante peculiar e revela uma tendência por chaminés chamuscadas, motivo pelo qual já aterrou dentro de diversas panelas de sopa.
§ A sua maior dúvida consiste no facto de ignorar se as bactérias fazem ou não culturismo. Tentou derrotar uma Neisseria Gonorrhoeae, um gonococo, no braço-de-ferro, e foi facilmente vencido. Não ficando convencido da victória da minúscula bactéria, lançou o boato de que a adversária estaria dopada.
§ Esconde no traseiro uma cicatriz, feita por um caçador que o confundiu com um corvo, quando ele mais se assemelhava a um peru.
§ É um defensor das tradições e adora cantar as Janeiras à porta do cemitério, mas só foi aplaudido uma única vez, tendo sido premiado com um presunto fumado.
§ Durante uma noite de nevoeiro, chocou com a Torre de Piza, motivo pelo qual ela ficou inclinada desde então. No entanto, esta informação é contestada por alguns, que afirmam que não é a Torre que está inclinada, mas sim a Terra.
§ Colecciona ossadas humanas e cultiva uma espécie de musgo alucinogénico sobre elas.
§ É extremamente duro de ouvido. Consegue quebrar três tijolos sobrepostos apenas com a força das orelhas, tendo já ganho vários campeonatos regionais.
§ Acredita piamente que as cebolas são invasores extraterrestres, e que comunicam entre si através de sinais de fumo e chamadas telefónicas. A crença do Pai-Natal, tal como a de muita gente, é grandemente reforçada aquando da recepção das facturas de telefone para pagamento.
§ Num passado não muito distante, foi amante do Coelhinho da Páscoa, com o qual manteve uma relação escaldante. Separaram-se porque o Coelhinho se apaixonou por uma galinha que punha ovos de chocolate, com a qual ainda está casado, tendo já sete rebentos.
§ Nos Natais de 1940, 43, 44, 47 e 58, o Pai-Natal foi preso por assalto à mão armada. Em 1971 e 73, por prostituição. E em 1981, por invasão de propriedade alheia. Do seu cadastro constam ainda outros crimes menores, como burla, tendo estado quatro meses preso por tentar vender o planeta Marte à seita de Charles Manson, com o qual era frequentemente visto. Constam igualmente a emissão de cheques carecas e de patilhas, tráfico de estupefacientes, contrabando de pó-de-talco e tirania sexual nas suas renas.
§ Tem o desprezível hábito de cravar tabaco a estranhos.
§ As suas frases favoritas são, “Igor. Eh pá, ´tas a ouvir? Eh, cara de cú à paisana, passa-me aí a porra do sabão.”, e “Fujam, vem aí a bófia!”.
§ É bem educado.
Não cospe para o chão, preferindo fazê-lo na cara das pessoas.
§ Orgulha-se de ter sido o único a subir as Cataratas de Niágara a nado, mas sente-se ressentido por esse feito não constar no Guiness Book.
§ Não acredita na existência do Pai-Natal.
Janeiro de 1997
Funchal – Ilha da Madeira
