2018-03-10
Eros Porto 2018
1ª Publicação: “Diário de um Detectorista Azarado”, em 08Abr2018.
URL: [RIP] https://eryxblog.wordpress.com/2018/04/08/2018-03-10_eros-porto-2018/
Um destes dias, daqueles que chove a potes e não apetece fazer o que quer que seja, ocorreu-me fazer um estudo sobre as práticas sexuais entre os habitantes da área metropolitana de Vila Verde e as toupeiras albinas das planícies alentejanas compreendidas entre Évora e Portalegre. Não tinha dados disponíveis, pelo que toca a fazer como todo o bom político. Inventam-se factos e ocultam-se verdades…
Mas a minha senhora, num daqueles dias em que muda a residência para a Rua do FaceBook, xpto, tropeça num anúncio interessante. A Eros Porto 2018 “é para a semana. Queres ir?”.
Eu, que nem ligo a essas coisas, lá acedi, depois de parar de me babar, ao saber que a Érica Fontes ia lá estar. “ÉRICA!!! Vou a caminho!!!”
Já não somos propriamente novatos nesse tipo de eventos. O último certame do género a que tínhamos ido, foi em 2007, ainda a pequenita não era nascida. Foi o III Salão Erótico de Lisboa, na FIL. Também tínhamos ido ao segundo, em 2006. (As comparações vêm mais tarde…)
Programamos então as coisas de modo a que no Sábado, 10 de Março, a catraia tivesse saudades da avó, e lá fosse passar o dia.
Arrancamos logo após o almoço, e, seguindo as instruções do GPS, lá nos metemos na A8, a caminho do Pavilhão 2 da Exponor.
Com as habituais paragens nas estações de serviço, para repor os níveis de cafeína no organismo, lá nos fomos arrastando até Matosinhos. E, já agora, se o certame foi em Matosinhos, porque se chama Eros Porto? É quase o mesmo que chamar burro a um cavalo… Adiante.
Depois de andarmos um pouco às voltas, lá conseguimos enfiar o carro num terreno que não devia de faltar muito para ser lavrado, tal a confusão e excesso de carripanas. Eu ainda acreditei que, “Mas esta gente vem toda ver gajas nuas e farfalhudas?”. Afinal não. Havia mais coisas nos outros pavilhões…
A penantes, lá nos vamos aproximando do objectivo. Começando a olhar com atenção, reparo que já ali tinha estado! Há coisa de 10, ou mais anos atrás, estive lá na montagem de um pavilhão de exposição para a empresa onde trabalho. Como tinha chegado de noite e partido de madrugada, sabia lá eu onde estava!
Lá encontramos a fila para comprar os ingressos e toca a ir lá para dentro!
Bem, se na FIL, em 2006 e 2007, a segurança era apertada e minuciosa, com detectores de metais e tudo, na Eros Porto, a segurança era uma verdadeira anedota! Podia ter entrado vestido de terrorista, com um míssil SCUD às costas, que o Securita nem tugia, nem mugia!
No Salão Erótico de Lisboa, até compreendo a segurança rigorosa, apesar de a Marta lá ter conseguido entrar com a ponta-e-mola que eu lhe tinha dado para ela se sentir um pouco mais segura quando estava só. Estavam lá as grandes produtoras internacionais, com as suas melhores actrizes a dar a cara (e não só).
Se adivinhar o conteúdo de um certame pela segurança, deixem-me que vos diga, a Eros Porto não prometia muito…
A minha senhora necessitava urgentemente de ir ao banheiro, que, felizmente para ela, ficava logo à entrada. Eu, como não posso entrar no banheiro das senhoras, para desvendar que mistérios lá haveria, fico cá fora, plantado feito segurança. Atrás de mim, umas limusines, como aquelas que os chulos dos filmes usam para se exibir.
Enquanto espero, saem do banheiro duas “matulonas”, com a roupa reduzida a níveis microscópicos. Tive que arregalar os olhos! Mas não muito… Que perto de mim estava um manequim com um dildo “acoplado” na testa. Olhando agora para aquele momento, acho que passava a ideia de que estava a tomar conta do manequim… Meh… Que figura…
E a Marta que estava a demorar-se! Devia de estar a pintar um Picasso com a maquilhagem ou algo do género… Mas, quando finalmente saiu, vinha igual! Ou eu não tinha reparado como ela estava antes de entrar…
Havia doçarias e guloseimas perto da entrada, mas rumei feito uma seta para o primeiro expositor, que, por acaso, até era um dedicado ao sado-masoquismo.
Nunca tinha visto uma Cruz de Santo André “ao vivo” e estava curioso. Algumas peças de napa e couro preto, uns chicotes “engraçaditos”, géis lubrificantes para isto e para aquilo, algemas e… Mas para que precisam eles de tantos butt-plugs???
Sou um interessado não praticante nessas coisas do sado-masoquismo. E até nem me importava de ser dominado por uma moçoila jeitosa. Umas palmadinhas e umas marotices. Agora, rolhas é que não! Pelo que vi do expositor, parece que os butt-plugs são uma ferramenta essencial nessa coisa…
Acho que não é para mim… Prefiro olhar apenas.
Passamos para um expositor onde está uma viatura militar, com BOPE escarrapachado. Uns matulões grandões exibem-se, para gaudio das senhoras. Vejo que alguns tipos da assistência também manifestam um brilho apaixonado nos olhos.
“Onde me vim eu meter?”
Deslizamos discretamente pela frente de um palco onde um tipo faz uma espécie de dança à volta de uma moça. A performance dele era tão excitante como um funeral.
Mais abaixo, está a começar um show de striptease. Bruta cavalona!!! Ela parecia-me familiar, até me recordar que a vi sair do banheiro, enquanto esperava pela minha dona.
Filmei o show do princípio ao fim, e posso dizer que foi interessante, excitante e muito bem executado. Se pudesse, “dava-lhe um like”. Mais não, que a minha senhora estava ali, a filmar o mesmo que eu…
Acaba o show, e acaba o nosso interesse naquele expositor.
Rumamos para a parte central do pavilhão, onde estão as “lojas de coisas para adultos”.
Damos logo de caras com uma.
Como não tinha os óculos colocados, ao longe, parecia uma secção de armamento pesado. Aparentemente, a loja estava apinhada de bazookas e lança-granadas!
Aproximei-me e vi que era uma enorme quantidade de gigantescos dildos! Não me parece que uma mulher suporte aquilo no seu frágil corpo, pelo que cheguei à conclusão de que quem compraria aquilo seriam lenhadores, que os usariam para rachar lenha.
Aquilo, no Museu de História, passava perfeitamente por um aríete. Daqueles que usavam para arrombar os portões dos castelos. Até podiam pôr dois manequins, um de cada lado, a segurar aquela coisa, para dar uma ideia mais realista.
‘Tá bem. Estou a exagerar um pouco, mas não muito!
Até havia lá um que eram duas mãos, uma em cada ponta, com uma espécie de braço pelo meio. Devia ter cerca de meio metro! Aquilo devia de ser algum cachecol marado. Onde estava o resto do corpo?
E, bem pertinho, caixas e caixas de pin-pointers para senhoras. Aquilo vibrava que fartava! E ainda me ocorreu encostar uma moeda de 10 cêntimos para ver se também apitavam… Mas não sabia se aquelas coisas eram apenas para demonstração, ou se eram em segunda… errrr… segunda mão(?), e por onde tinham andado.
Encostados aos pin-pointers de senhora, uma série de tubos muito elaborados. Bombas de sucção. Pensei que serviam para aspirar as moedas da terra… Mas, vendo com atenção, vi que o propósito utilitário era outro. E alguns daqueles, ah…, digamos, aparelhómetros, deviam ser dirigidos a africanos ou ao gado bovino. Acho que conseguia enfiar um pé lá dentro!
E as chamadas Sex-Dolls? Ó coisinhas mal feitas! Quem compra aquilo, decerto que tem um fetiche por fazer sexo com os bonecos dos Marretas.
E ainda, butt-plugs. Muitos butt-plugs! Butt-plugs por todo o lado! Não sei o que aquela malta do Norte tem na cabeça, mas torço o nariz quanto a outras partes da anatomia.
Estava lá um, que era uma coisa do outro mundo! Era tão grande, que ainda pensei que fosse para colocar sobre a pedra da lareira, como suporte para um capacete romano, ou algo do género. Meh… Aquilo devia ser apenas uma coisa para chamar a atenção. Ou um espantalho atarracado.
Espero bem que assim fosse, porque a pessoa que se sentar em cima daquilo, o mais certo é ficar paralítica… E com prisão de ventre…
Saímos da loja, não fosse alguém pensar que eu era mais um tarado, e passa por nós um rapaz semi-nu. Na verdade, semi-nu é vestir-lhe muita roupa! Tinha apenas uma tanguinha e uns sapatos de salto-alto. Sabem, daqueles de senhora. Com o susto, quase que me cai uma perna!
E haveria de voltar a ver esse moço, uns minutos depois, no expositor da “Foster my Ass”…
O rapaz era uma coisa magrinha e ágil, agarrado ao varão, e, quando desceu, parecia um aranhiço com convulsões, a rebolar no chão.
Mas que o tipo (sim, era um homem) sabia mexer-se, isso não posso negar! E até bem melhor que muitas das strippers que por lá andavam. Acho que o peso das tatuagens as tornava mais lentas e pesadas…
É. Aquelas moças e moços tinham tatuagens por todo o lado. Gosto de tatuagens, mas aquela malta, despida de roupa, continuava vestida de tinta.
E, pela quantidade de seios redondinhos e empinados que desafiavam a gravidade, deu para ver que, no Norte, a indústria de silicones e vedantes para sanitários vai de vento em popa.
Lá bem para o fundo do pavilhão, uma zona de comes e bebes.
Sem nada específico em mente, fomos à primeira que nos apareceu à frente. “Dois cheeseburgers, por favor. O meu, sem acompanhamento.”
Quando me passam para a mão um pão-de-leite, com queijo cheddar e um hamburger de chicha de vaca, fiquei deveras desapontado. Até dar a primeira dentada… Esperava uma coisa deslavada, mas tenho que dizer que foi um dos melhores cheeseburgers que comi até hoje! O já ter alguma fome ajudou. Mas que era bom, isso era! E, para ajudar a empurrar aquilo para baixo, um copo com meio litro de cerveja cada um.
Enquanto lá estávamos sentados, naquelas mesas apinhadas de restos de comida dos outros, a Marta vai aproveitando para tirar umas fotos.
O civismo daquela gente é praticamente inexistente! Com os caixotes do lixo ali mesmo à mão, deixavam a porcaria e o lixo sobre as mesas. Bem, pelo menos não o enterravam! Ó gentinha porca!
Passa perto de nós (e passaríamos por ele mais umas vezes) um senhor com mais de 60 anos, vestido com umas reduzidas peças de couro preto. Podia ser um sado-masoquista, mas também podia ter sido assaltado por bruxas, ou perdido o fato a jogar ao Peixinho com a Maya…
O mais provável era ele ser um deputado ou ministro deste país. O Primeiro-Ministro não era! O homem era moreno, mas não tão “moreno”.
Se bem que imagino o Tó Costa, vestido com uma tanga de couro preto, uma maçã na boca, a ser chibatado com umas húmidas peúgas comunistas, pelas tipas do BE… É. Acho que as reuniões entre os 3 partidos devem passar-se mais ou menos assim… Ah, e aquele cachopo do BE, o que tem uma barbinha que parece o pelo do rabo do José Cid, a jogar aos berlindes com uma bolinha de cotão tirada do umbigo…
Via, pelo canto do olho, o expositor da Érica Fontes lá ao fundo.
Acabamos a “bucha”, e aí vamos, direitinhos à Érica…
Muitos “papelinhos” com a foto dela e de “camaradas de combate”. A Érica estava lá, e quase que não a reconhecia, por estar vestida.
Simpática e sorridente, a moça era uma bela moça!
Disse-lhe que era o fã 1001, porque os primeiros mil eram tarados. Acedeu a escrever duas dedicatórias, uma para os I.D., em que, devido ao ruído ensurdecedor que reinava naquele pavilhão, acabou com um “Ibérico”, ao invés de “Iberian”. A intenção é que conta. Claro que a minha querida sorte tinha que dar o ar da sua graça, quando vi que ela tinha escrito “Erix”…
A Érica estava claramente a evoluir de pessoa para marca. A moça está a montar uma pequena indústria em redor do nome. O que até é uma forma inteligente de gerir as coisas.
Como todos os expositores de bares de strip e casas “dessas coisas”, também a Érica tinha a opção de shows privados. Privados é uma forma simpática de dizer que veríamos as coisas mais “explícitas” na singela companhia de mais umas dezenas de pessoas.
Haveria um show desses, dali a umas horas. E claro que eu queria ver!
Para matar o tempo, vamos para o pavilhão do lado, dedicado à parte mais “estranha” daquele mundo. Aulas de sexo “ao vivo”, em que alguém explica, e outros dois alguéns exemplificam. Esse não vimos. Estava apinhado de mirones, até bem depois dos limites.
Um stand, em que uma dominatrix dava os retoques finais para mais uma sessão ao vivo. Com um saliente dildo, orgulhoso e à procura de uma vítima, preso à cintura, a senhora impunha respeito. E temor…
E estava ali também o cantinho dos swingers. Hehehe… Coisa mesmo à tuga. Nas fotos dos cartazes, um dos homens do grupo, era a cara chapada de um dos tipos que faz parte do Donos Disto Tudo. O que costuma fazer papéis de totó envergonhado.
Nem me cheguei muito perto. Não por discordar dessas opções da vida sexual, mas as fotos dos intervenientes desencorajavam quem é muito esquisito no que toca à aparência sexual do parceiro temporário.
Voltamos para o Pavilhão 2, bem ao lado de um expositor, onde o senhor solicitava um casal para participar num show de strip.
Ó desgraça…
A minha esposa olha para mim, sorri,… e levanta a porra do braço!!!
E vai avançando, em direcção ao palco, comigo no seu encalço. “Mas que ideia é a tua? Tu sabes ao que vais? ‘Tás boa da cabeça?”, entre outras coisas que eu ia perguntando, enquanto me arrastava atrás dela, de ombros curvos e resignados, com uma expressão miserável no rosto.
“Se não quiser vir, não é obrigado.”, dizia o cicerone, de microfone em punho. “O quê? E deixava a minha esposa vir para aqui sozinha?”.
Somos apresentados à turba, que aguarda expectante pela minha aniquilação…
Indicam-nos o sofá, num dos lados do palco, ainda assim, desconfortavelmente perto do varão.
E a moça entra em acção! Até que era girinha, se comparada com algumas das matrafonas que se exibiam nos outros expositores… Loura, de seios pequeninos, devia de ser de Leste, ou americana. De Vila Velha de Ródão é que ela não era, com toda a certeza!
Começou por atacar a minha esposa, apalpando-a toda, numa simulação que prometia outras coisas.
Sentou-se então em cima de mim, e eu pus logo os braços no ar, perante aquele “assalto”. Foi uma das coisas que aprendi no Salão Erótico de Lisboa, aquando das duas lap-dance seguidas com que fui brindado no expositor da Passerelle. Só não foram três, porque o segurança avisou a terceira stripper de que eu já tinha sido “servido” duas vezes. É… Ver, mas não tocar.
Bem, a moçoila senta-se então em cima do meu “abono de família”, e deve logo ter notado algo rijo nas minhas calças. Espero que não tenha ficado desapontada quando, depois de sair de cima das minhas pernas, eu tenha tirado a máquina fotográfica e o telemóvel do bolso.
O homem, de microfone em punho, ia dando instruções à striper, dizendo-lhe para ela se despir. E ela despia-me a mim!
Pois! Eles não se entendem e eu é que me lixo!
Ela tirava-me a t-shirt, e eu vestia-a assim que a conseguia agarrar.
Umas peripécias depois, algo picantes para aqui colocar, vejo-me de costas encostadas ao varão. E o cicerone diz-lhe para ela tirar as cuecas. E que faz ela? Começa a tentar tirar-me o cinto!!! Mas, como se estava a ver atrapalhada para o conseguir, vi, com surpresa e pânico, a minha esposa a agachar-se para a ajudar. Vi então que estava perdido!
Ainda dou o braço a torcer. A moça podia apenas estar a tentar saber se eu tinha borbotos nas cuecas…
Resumindo, fiquei de boxers, em cima de um palco, com mais de uma centena de pares de olhos a mirar-me. Felizmente, os boxers eram “dos bons”.
Saímos do palco e somos direccionados para um anexo onde nos podemos vestir. Enquanto procuro os óculos, cá fora, a minha senhora vai entrando. Entro eu, e vejo a stripper a tapar as maminhas, muito atrapalhada com a minha presença. “Pois. Ali, esfregou-mas na cara. Agora, deu em tímida.”
Sinceramente, cada vez compreendo menos este mundo…
Zarpamos dali, não fosse a minha senhora levantar de novo o braço, e andamos um pouco à toa. Eu, sempre “à coca”, mirando os velhotes, não fosse andar por lá o Pinto da Costa, à procura de uma nova namorada.
Voltamos para a zona central, a das lojas de coisas invulgares.
Descobrimos umas caixas de roupa interior comestível, e ainda pisquei o olho à minha senhora, a ver se a coisa pegava.
Mas não. Deve ter achado que, das duas, uma; ou que eu lhe dava uma valente dentada numa nádega, ou que eu levava o raio das cuecas comestíveis para o trabalho, para as comer ao lanche.
Lá acabou por comprar uma tanguinha. Mas aquilo é só um cordelito! Tenho um rolo de cordel na garagem que dava para fazer umas dúzias daquelas tanguinhas. Mas acho que ela ficava atrapalhada e desconfortável com os nós…
Ela ainda andou por lá a ver uns corpetes e umas roupas estranhas, a fazer tempo, até às 19:30, que seria quando começaria o show no expositor da Érica.
Bilhetes comprados, 3 euricos cada um, e aguardamos então.
E tropeçamos então nos “clones”…
Com um penteadinho todo elaborado, tipo chulos de esquina, barba de 3 dias, e enormes calos nas mãos, que, quem olhasse, pareciam ter 10 dedos em cada mão, eram mesmo uma amostra ridícula de um certo tipo de juventude. Pareciam clones uns dos outros e, pelo falso à-vontade que não escondia o nervosismo, era mais que evidente que eram apenas uns broncos que não estavam habituados à presença de mulheres com pouca roupa. Ou com muita, sequer.
Tinham aquele andar atípico de predador em busca da presa incauta. Claro que, se a presa os vir, é vê-los a assobiar para o ar, distraídos.
O único ponto em que se afirmavam, era na falta de respeito para com os outros, passando à frente de tudo e todos, com aquela arrogância tão característica de algumas culturas marginais.
Aquele comportamento era fruto de burrice e grunhice. E até aposto que aquele amontoado de células moribundas que têm entre as orelhas, a que dão o nome de cérebro, já tem estalactites, pela inactividade…
Mas não eram os únicos que primavam pelo comportamento “primitivo” naquele certame. O que não faltava por lá, eram tipos façanhudos, com um eterno copo de imperial na mão. Alguns, já mal se seguravam em pé! Talvez se sentissem mais homens com os copos… Meh…
Bem, voltando à Érica, constatei que o meu azar também afecta equipamento fotográfico.
Eu e a minha senhora, depois de solicitarmos uma foto à Érica connosco, peço a um dos auxiliares dela para tirar a esperada foto.
Culpa do moço, ou do raio do filtro que a Marta tinha activado na camera do telemóvel, a fotografia não podia ser mais horrível.
A Marta parece o Castelo Branco, e eu, coitado, pareço um caipira do Sertão. Só me faltava uma enxada na mão e uma saca de alfaces às costas.
A porta abre-se, e a multidão começa a entrar. Os 3 trogloditas furaram logo a fila e rasparam-se lá para dentro.
A sala compõe-se, com os habituais fotógrafos, com objectivas que conseguiam encontrar um piolho em Marte, logo encostados ao palco. Acho que iam tirar fotografias a nível celular, da “babona” da actriz, que, para meu desgosto, não era a Érica.
Sobe um casal para o palco. A moça, que até era castiça, já desagravava um pouco a desilusão de não ser a Érica no palco…
E começa então uma espécie de acto sexual…
A moça, apesar de sorrir, arfar e gemer como uma boa actriz, lembrou-me um camelo numa convenção de cabritos. Claro que era um espetáculo, e ela estava ali a representar um papel, mas estava tão excitada como o fóssil de uma Trilobite numa vitrine do museu. Ou um coral numa rave…
Comparativamente, os restos fossilizados do chamado “menino do Lapedo”, tinham mais vitalidade que o pénis do actor. O que até se compreende! Passar o dia a fornicar moças giras é coisa que se torna aborrecida! O moço deve ter qualquer problema…
Ele fartava-se de dar à manivela, mas nada. Até parecia que estava a fazer uma gemada!
E ela continuava a rebolar-se. Tocando-se aqui e ali, sorrindo e arfando como uma ovelha a parir.
E ele, a encher pneus de bicicleta…
Com tanta fricção, ainda estava à espera que o ganha-pão do rapaz começasse a soltar fumo e entrasse em combustão espontânea.
E eu penso: “Não me digam que paguei 3 euros, para ver um gajo a tocar ao bicho?”
E, não sei se ela chupou ou soprou, mas aquilo lá ganhou uma espécie de vida. Está bem, parecia uma pila zombie, mas a coisa lá avançou…
Finalmente, acção! Presumo que os preliminares tenham acontecido algures durante uma das vezes que pestanejei.
E mais uns intervalos para o moço tentar reanimar o fraquejante pénis. Ainda estive para gritar: “Chama o INEM!”, mas pareceu-me de mau gosto gozar com aquela flacidez.
E acabou mais depressa do que começou!
Se soubesse que o show ia ser assim, ao invés de dar 3 euros para ver aquilo, tinha dado gasolina e um fósforo.
Toca a andar dali para fora e, 15 minutos antes da meia-noite, estávamos em casa.
Resumindo e concluindo.
Não foi mesmo nada do que estava à espera. Tinha coisas novas, evolução desde os tempos do Salão Erótico de Lisboa. O expositor exclusivamente gay, em que muitos ditos “homens de família” insistiam em rondar; a parte sado-masoquista, que, confesso, achei interessante; shows educativos e a possibilidade de se fazer o teste do HIV gratuitamente, entre outras coisas.
Mas, juntem isto tudo com uma dúzia de expositores de casas de strip, que tentavam impor-se pelo ruído ensurdecedor, com um chão pejado de fita adesiva de exposições anteriores, e a mentalidade de alcateia de muitos dos homens que por lá andavam, agitem um pouco, e acabam com uma gosma estranha, em que algumas partes são saborosas, e outras dão vómitos.
Tinha coisas interessantes, isso tinha. Mas também os certames do género em Lisboa! Sem aquele ruído, sujidade e grunhos que, em Lisboa, seriam gentilmente convidados a pôr-se na alheta com uma palmadinha de 300 quilos nos queixos…
Este tipo de certames evoluiu, mas também atraiu clientes pouco recomendáveis. Atenção! A grande maioria das pessoas que por lá andavam eram pessoas simples e curiosas. Mas, à boa maneira tuga, havia também alguns tipos a quem eu não confiava sequer uma galinha morta. São esses que borram a pintura! Isso, e o ruído…
II Salão Erótico de Lisboa (2006) – 90%
III Salão Erótico de Lisboa (2007) – 95%
Eros Porto (2018) – 81,3% (metade deste valor é fruto do sorriso da Érica Fontes)

Apesar de tudo, acho que para o ano estamos lá de novo…
