Saídas Março 2018
A mini-camera, a ave e a filha… E outras coisas…
1ª Publicação: “Diário de um Detectorista Azarado”, em 05Mai2018.
URL: [RIP] https://eryxblog.wordpress.com/2018/05/05/saidas-marco-2018-a-mini-camera-a-ave-e-a-filha-e-outras-coisas/
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Chegamos há pouco de mais uma aula de natação de pequenita. Pequenita, ponto e vírgula, que ela está quase da altura da mãe!
É certo que que ela nem sempre pode, ou quer, ir às aulas, mas já vai sendo altura de nadar melhor. Ela, em algumas coisas, até que se ajeita bem. Agora, noutras…
Durante a natação, quando passa perto de nós, quase que surge a tentação de olhar para outra criança, na esperança de enganar o povo que assiste às aulas, para que não suspeitem de que é a nossa descendência que ali vai a passar, a esbracejar, meio afogada… Mas eu adoro aquela cachopa! Claro que tenho de olhar! E sorrir, embevecido. E rir…
Não sei a quem ela sai, naquilo da natação, mas deve estar um gene recessivo por detrás disso. Talvez um de nós tenha tido um antepassado que nadava como um pedregulho em pleno Atlântico…
Mas ela gosta (às vezes), e aprender nunca fez mal a ninguém.
Eu só gostava que ela fizesse melhor figura, ao invés de simular um afogamento a cada braçada… E que não nadasse com o rabo todo à superfície! Parece que leva ali uma boia, que a persegue. Ou então aprendeu a respirar pelo rabo…
E ainda tenho que ir a uma das aulas da minha senhora. Pelo que ela me diz, a maior parte das senhoras já tem uma certa idade. E peso…
Imagino-as, todas roliças, como pipas de vinho, a rolar pela piscina fora, como se fosse uma corrida de bonecos da Michelin em biquíni. Perto delas, a Marta, e mais uma ou outra, devem ser verdadeiros pneus de bicicleta.
Pagava para ver o professor mandar as alunas suster a respiração, e ir até ao fundo da piscina.
“Ó stor, na consigue. As varizes fazem-me aboiar.“, ou, “Mas você acha que, com estas mamas, eu alguma vez vou ao fundo?“…
E o exercício de nadar “à mariposa” deve de consistir de um bando de traças gordas, meio afogadas, a esbracejar na água… E, já agora, se as mariposas são mais conhecidas por “traças”, porque não dizer “nadar à traça”?
É claro que estou na brincadeira. E nada tenho contra as senhoras, uma vez que nem sequer as conheço. A minha esposa diz-me que são senhoras porreiras e que eu não devia escrever estas coisas, mas espero que elas não levem a mal. E que não saibam ler… E, se souberem, que não saibam onde eu moro.
Ora vamos lá a ver se não me disperso muito, que isto já está um mês atrasado…
Deixem-me lá ir buscar o bloco de notas…
(Pausa para um café, o jantar, um café e um cigarro)
Ah, pois é… Foi um mês com algumas curiosidades.
Saída 4Mar2018 – Um teste com a mini-camera e uma pedra que é… uma pedra!
Chovia a potes! Mas, a menos que chovessem mesmo potes de barro, eu tinha que sair!
É, sou um pouco nabo… Tanto que insisti que havia de levar o Blisstool. Com um saco de asas bem resistente, lá ensaquei a caixa das “coisas electrónicas” e arranquei feliz da vida. Quando cheguei ao fundo da rua, comecei a ter algumas dúvidas quanto à minha sanidade.
Queria testar o raio da mini-camera! E não era uma chuvinha diluviana que me ia impedir! Claro que podia filmar a paisagem no conforto do habitáculo do carro, mas, nesse caso, ficava sem saber se a caixa estanque da camera era mesmo hermética. E se eu era tão doido como muitos julgam.
A caixa é estanque, e o pessoal tem razão.
Fui para uma zona já bem conhecida. Sai sempre qualquer coisita, mas, se quiser fartura, ou tenho que ir para outros lados, ou para uma barraca das farturas. Qualquer uma das opções é sempre bem vinda. E o colesterol agradece…
Fiz uma série de pequenos vídeos, mas era tanta a chuva que escorria pela caixa, que a imagem ficava distorcida. Dos que se aproveitavam, assim-assim, seleccionei o excerto em que encontrei o Real de D. Sebastião.
Fundo como o raio que o parta, estava a ter dificuldade em perceber se o feedback do LTC (Lanifícios Tadeu e Cunha) era um alvo, ou interferências causadas pela chuva e trovoada. Mas lá dei com ele, praticamente à vista, dentro a areia solta que tinha ficado no buraco.
Fiquei satisfeito pelo comportamento do LTC (Lagostas Terroristas e Canibais). E por não me ter caído um raio em cima… É que aquela zona é um pouco destacada da área envolvente!
Num dos buracos, no meio da areia, encontrei um seixo lascado de sílex. Pareceu-me ser “man-made”, pelo que o guardei.
Apresentei aquela pedra lá no I.D., onde solicitei ao G. que confirmasse as minhas suspeitas. Afinal, a pedra é mesmo uma pedra! Nada mais. E eu, a pensar que tinha ali um artefacto pré-histórico…
E ainda saíram mais umas coisitas, mas nada de espectacular…
Mesmo tendo o equipamento para a chuva, vim de lá ensopado até aos ossos.
Tenho que meter uns punhados de detergente em pó debaixo dos sovacos, quando voltar a sair com aquelas condições climatéricas. Acabo por tomar banho e lavar a roupa. É um dois em um. E ficamos todos contentes cá em casa. A vizinhança é que se deve assustar com o “monstro feito de espuma” que sai do carro… Tão depressa não comem farófias!
Bem, chego a casa e preparo-me para tomar uma banhoca. Os boxers caem no chão com um “plop” pesado e húmido. Se os atirasse à parede, ficavam lá colados! Apanho-os e levanto a tampa… E estaquei! A tampa que eu estava a levantar não era a do cesto da roupa, mas a da sanita! Corrigi a coisa a tempo! Roupa suja (ou ensopada) para o cesto da roupa suja!
Tenho que tomar atenção ao que ando a fazer. Senão, qualquer dia, ando eu muito descansadinho a detectar, e a minha senhora manda-me uma mensagem: “Olha lá, foste tu que cagáste no cesto da roupa?”.
Isto está bonito, sim senhor… E nem bebi vinho ao jantar.
Fotos. Fotos… E um videozeco.

Saída 18Mar2018 – Um achado de peso, um isqueiro e buracos no chão.
No fim-de-semana anterior não tinha saído para detectar, uma vez que tínhamos feito um pequeno périplo até à Eros Porto. “Oh, boy…”
E, mesmo engripado, optei por enfrentar a chuva, para mais uma saída.
Desloquei-me até uma zona onde apenas tinha detectado de passagem, para avaliar se valia a pena investir ali algum tempo.
Bem. Um achado de peso… Era o raio de uma lâmina de motosserra, que, mesmo deitada, ainda estava a uns bons 2 palmos de profundidade. Cava para aqui, cava para ali, até dar com aquilo. Se me aparecesse alguém à frente naquele momento, eu assumia automaticamente que aquela pessoa era a dona da lâmina e levava com ela onde o Sol não brilha!
Agora, o isqueiro. Que querem que diga? É apenas um isqueiro. Daqueles antigos. Quando digo antigo, digo com cerca de 50 anos… Achei a peça curiosa, tanto que foi para a bolsa dos achados, e não para a do lixo. Um lapso que corrigi, depois de tirar as fotos…
Buracos no chão? Calma. Não foi outro detectorista, nem coelhos mutantes. Como coloquei no I.D., fica aqui o copy-paste. “Na zona onde andei, a rocha que surge uns metros debaixo da areia é calcário. Já não é o primeiro “abatimento” que vejo, mas este foi bem recente. Passei por ali o mês passado, e ele ainda não existia. É como os “sink holes” que aparecem nas notícias, mas em pequenino, que isto é Portugal…
Pelo menos, o meu azar não é tanto ao ponto de lá ter caído.”
Nada como andar com os olhos bem abertos!
Feitas as contas, além das habituais anilhas de pombo-correio, ainda trouxe uma moedita de D. Sebastião, um Ceitil de D. Afonso V e um Dinheirito de D. Sancho II. E mais umas cangalhas, como é costume.
Podia ser melhor, mas também podia ter caído dentro daquele buraco…

Saída 24Mar2018 – Algumas moeditas numa encosta insuspeita, com uma pratinha de brinde e um ninho.
Andava eu, por ali, nas calminhas. A coisa até que nem estava a ser muito produtiva, pelo que toca a atalhar caminho para uma zona de onde já consegui encontrar uns dinheiritos e uns ceitízecos.
Ao descer uma pequena encosta, já perto da zona para onde pretendia ir, um sinal que até nem era nada de especial. Umas vezes ia até aos 60, mas caia mais no ferroso, chegando a valores abaixo dos 20.
Para não ter que andar 10 metros, e voltar de seguida atrás para tirar as dúvidas, fiquei logo ali. Cava daqui e cava dali, e lá sai um Ceitil. A variação de valores era causada pela profundidade a que ele estava. Mais ou menos 1 palmo e meio… Mais metro, menos metro…
Mudança de planos!
Começando naquele ponto, sigo para a direita, seguindo a linha de cota. Chegado ao ponto em que a encosta marginava com um mar de mato denso como um penteado afro, já tinha mais dois Ceitís.
Desço cerca de 3 ou 4 metros, e faço o caminho inverso. Mais um Ceitil.
Mais 3 ou 4 metros de descida, e toca a rumar em direcção àquele mato ameaçador. Mais dois Ceitís, uma medalhita e um Vintém de D. Manuel I. Já não era o primeiro que encontrava, mas naquele estado, era uma estreia!
Acabo de bater o resto da encosta, e, encontrando uma ou outra coisa, já não era nada que se comparasse aos achados anteriores.
Dirijo-me então à zona para onde pretendia ir. Andando sempre devagar, ao passar por umas ervinhas (hehehe… Ao fazer a revisão deste texto, vi que tinha escrito “ervilhas” no lugar de “ervinhas”), sai o raio de um pássaro disparado de perto dos meus pés! O bicho não era ameaça para ninguém, mas apanhei um cagaço! É como as cobras. Não tenho medo delas. Mas se me aparece uma de surpresa, reajo como qualquer um. Como aqueles bandos de velhinhas em pânico, a correr com os braços no ar, apenas porque um senhor cavou umas batatas com um aspecto estranho.
Olhando com alguma atenção para as ervas de onde o pássaro tinha saído, dou com um pequeno e aconchegante ninho.
Tirei algumas fotos, tentando não mexer em nada que pudesse perturbar o regresso da ave, e deixei lá a mini-camera a filmar, apontada para o ninho, meio escondida debaixo de uns matinhos.
Marquei as coordenadas do ninho e segui caminho.
E lá consegui então pelo menos um Dinheiro. E mais uma medalha. E mais uma anilha. E mais já nem sei bem o quê…
A caminho do carro, passo então pelo ninho. Olhando para o GPS, e, sabendo que estava no ponto certo, por mais que olhasse, não dava com ele! Até que dou um passo, e lá vai o sacana do pássaro outra vez disparado! A partir dai foi fácil dar com a camera.
Em casa, vendo a filmagem, verifiquei que a ave só voltou 17 minutos depois, ainda assim, muito desconfiada. (Depois disto, nas saídas seguintes, voltei a deixar lá a camera. Tenho mais filmagens, incluindo dos filhotes, depois de saírem dos ovos. Criaturinhas esfomeadas! Mas isso ainda está aqui tudo numa pasta, à espera que eu tenha pachorra para os editar…)
Ao fazer uma breve limpeza às moedas, para as inserir na “ficha da saída” e atirar para a caixinha do azeite, vejo que uma delas era recunhada. O Ceitil parecia-me ter sido cunhado sobre um Real Preto, o que foi confirmado depois pelo Iúri (um abraço para ele, já agora).


Tirei um print do vídeo e enviei ao meu irmão. Na resposta, disse que lhe parecia uma Tordoveia. Mas o sr. Carlos Madeira (e um abraço também para ele), que está mais dentro do assunto, depois de ver o vídeo, apontou para uma Petinha-dos-prados. Bem, fosse o que quer que fosse, conseguiu pregar-me um susto. E, noutro registo, dar-me também uns minutos de apreciação desta coisa que é o milagre da vida…
Saída 30Mar2018 – Mais uma pratinha e uma parceira que andava por ali.
Estava um belo feriado, quando acordei pela manhãzinha. A minha senhora andava de volta das limpezas e, antes que me varresse para o caixote, toca a vestir a “farda” e tentar ir detectar um bocadinho, uma vez que naquelas alturas, mesmo que esteja agachado na garagem, a um cantinho, pareço atrapalhar na mesma. Vou para sair, quando a pequenita se sai com o “quero ir com o pai!”.
Espero mais um bocadinho, enquanto ela veste “uma roupa velha”, e se equipa com umas quantas caixinhas “para os bichos” e o telemóvel “velho” da mãe.
Enquanto a mãe a ajudava e resmungavam uma com a outra, aproveitei para refazer os planos de saída. Não ia levar a minha cachopa para uma zona de mato cerrado! Escolhi então um pinhal recentemente cortado, onde, havendo já alguns tojos e pilriteiros, havia também uma série de caminhos e zonas abertas.
E lá fomos. Eu, contente pela companhia, e ela feliz da vida.
Estava a ver que nunca mais lá chegávamos! Desde o local onde deixamos o carro até ao tal pinhal, ainda são uns 200 ou 300 metros. Mas ela parava para apanhar esta flor, aquele pau engraçado “para pôr no aquário” e uma ou outra formiga que teve a infelicidade de se cruzar com ela… Pelo menos não tentou arrancar um pinheiro adulto! Ou não se lembrou disso!
Chegados, enquanto eu ia tentando detectar nos caminhos, sem grandes resultados, lá tinha que largar o equipamento para acudir aos apelos dela. “Levanta esta pedra grande”, “Pai, ’tá aqui uma lagartixa! Apanha-a!” (esta era a mais frequente)… Resumindo, passei aquele bocado a tentar apanhar lagartixas que, quando eu lá chegava, já estavam a milhas. Até que vi eu uma, enquanto sacudia a coil. Pontaria, ou sorte, pousei a coil sobre ela. A coitada ficou entalada e foi só deitar-lhe a mão.
“Pronto. Aqui tens uma lagartixa.”. “Fixe! É para pôr no aquário. Agora temos que levar insectos para ela comer.”. E ficou então a lagartixa temporariamente alojada num frasco.
E lá voltamos atrás, até um pedaço de tronco que ela tinha pedido para eu virar, onde tínhamos encontrado um ninho de térmites. E mais umas térmites para dentro de outro frasco…
E ela ia filmando isto e aquilo, tirava resmas de fotos e dava saltinhos de excitação. Criança curiosa e irrequieta!
E estava a chegar a hora do almoço.
Não encontrei nada de jeito, mas adorei aquele bocadinho com ela. Não o trocava pelas coordenadas de um Morabitino!
Da parte da tarde, como tinha começado a chover, ela já não estava tão animada por sair com o pai, pelo que nem insisti.
Mas voltei para a mesma zona, embrenhando-me agora no mato.
Encontrei algumas coisinhas, onde se destaca o Vintém de Esfera de D. João V, mas a manhã tinha sido mais divertida.
Picado, arranhado, ensopado, molhado e demolhado. Foi assim que eu cheguei a casa. E, pela cara da minha senhora, dava para ver que ela estava a hesitar em abrir-me a porta.

Saída 31Mar2018 – Fui acabar de varrer a zona do dia anterior.
Mais um bocadinho livre, que aproveitei para terminar de varrer a zona de mato onde tinha andado no dia anterior.
Um Dinheiro e meio de D. Sancho II, 1 ½ real Preto de D. Afonso V e um Real de D. Sebastião, foram as mais interessantes. Houve mais umas coisinhas engraçadas, mas a companhia do dia anterior estava a fazer-me falta…

[Frases do Quotidiano: “Engenheira? Está ali uma carrinha da Confraria X, para vir buscar a oferta.”
“Boa! Só preciso da matrícula para fazer a guia.”
“Eu vou buscar a chave de fendas.”]
Não é muito, mas o tempo também escasseia…
Um abraço aos que conseguiram chegar a este parágrafo, e boas saídas!
