Saídas Fevereiro 2018
Chuva, pratas e animais, e outras coisas tais.
Além disso, moças e bufas.
1ª Publicação: “Diário de um Detectorista Azarado”, em 03Abr2018.
URL: [RIP] https://eryxblog.wordpress.com/2018/04/03/saidas-fevereiro-2018-chuva-pratas-e-animais-e-outras-coisas-tais-alem-disso-mocas-e-bufas/
Fevereiro e Março chegaram e partiram, e já estamos quase no Natal outra vez… E só agora consegui encontrar um bocadinho para organizar as coisas e “pôr a escrita em dia”, começando por esta espécie de introdução e por uns retoques ao que está mais abaixo…
Isto anda complicado para fazer o que quer que seja, e, os pedacinhos de tempo que tenho livres, ficam para a detecção. O raio do tempo não chega para nada, e, por cada coisa que faço, duas ficam por acabar. Tenho que dar prioridade ao que é mais importante. 24 horas é um espaço muito curto para um dia! Ou devia trabalhar menos…
E depois, como sou um desorganizado, lá me vou lembrando de mais projectos para me baralhar ainda mais os momentos de ócio.
Agora são testes com uma mini-camera. Já a comprei há uns 2 ou 3 anos, pelo Ebay, mas nunca tive, nem tempo, nem pachorra, para a testar no propósito para o qual a comprei.
A ideia inicial era fazer uns quantos vídeos de detecção, mas acabei por lhe dar uso no carro. Não é que haja muita gente a atirar-se para a frente do carro, à semelhança do que fazem na Rússia, para gamar uns cobres às seguradoras. Uma, duas vezes por semana, é o habitual. E o último, atirou-se para a frente do carro quando eu estava parado. Podia apenas ir a passar na passadeira e ter tropeçado… Nossa! Quem vir isto, ainda pensa que sou um meliante ao volante, com uma apetência especial por atropelar senhores cujo pináculo da vida é enfiar cápsulas de café, embrulhadas numa tira de bacon gorduroso, no recto…
Ahhhh… Pois. Já me estou a perder…
Mas, no mês passado (Março), lá acabei por a levar durante algumas saídas, para fazer então os tais testes. A coisa vai andando (assim-assim), mas isso fica para o texto das saídas de Março. Brevemente (?), numa banca, perto de si.
Foi um mês algo conturbado, em coisas de detecção. Ou era o clima, ou eram as bizarrias que me perseguem…
Quanto aos relatos das saídas, desta vez tenho o trabalho mais facilitado, uma vez que comecei a ser mais minucioso nas notas que tomo, quando acontece algo invulgar, ou vagamente estranho.
Por isso, com essa papinha já meio feita, é que acabo por escrever sobre algo, DOIS MESES DEPOIS!!!
Ou eu não fosse eu…
Vou já passar para a parte das saídas, que quero ver se consigo começar a “passar a limpo” o artigo sobre a viagem que fizemos à Eros Porto 2018…
Saída 3Fev2018 – 1ª pratinha do mês (blargh…) e um ferro de engomar.
Voltei para uma das zonas que já tinha começado a cuscar mais a fundo durante o mês de Janeiro, mas desta vez concentrei-me mais na parte Norte.
Claro que, com aquele tempinho, o melhor que eu podia ter feito, seria ficar em casa. Chuva, chuva, chuva! E, passado um bocado, mais chuva…
Estava mais que prevista, mas, se soubesse que era assim tanta, tinha levado o shampoo e o gel de banho. E andava a detectar em cuecas…
Às tantas, um bruto de um sinal! Cava daqui e cava dali, até que sai cá para fora… a p*ta da base de um ferro de engomar!!! E eu, que nem tinha sequer a roupa seca para a passar! Ainda pensei que fosse um pote de Morabitinos, mas uma base de um ferro de engomar está mais em sintonia com a minha sorte…
Bem, saíram umas moeditas de jeito. Não muitas, que os escudos eram uma praga! E mais uma pratinha… OBA!!! “Ó porra! É uma de 2 e 500. Blargh!”
E ainda uma palheta metálica, para tocar viola. Tenho umas quantas, resquícios dos tempos em que tocava (?) viola, mas metálica, foi uma novidade!

Saída 4Fev2018 – 2ª pratinha do mês, o raio de um Denário com um elefante (duplo blargh…).
Mesma zona, mas algo mais deslocado para Poente.
Mais valia ter ficado na zona anterior…
Por não haver muitos sinais, andei um pouco “às aranhas”. Até que um sinalzito, nem muito interessante sequer, me levou a cavar, tal o marasmo. E vejo um cagalhoto que vi de imediato ser prata. Sorri satisfeito. Até notar que era uma coisa a dar para o “grosso”. “O raio de um botão!”, pensei eu. Limpo um pouco, e começo a ver um bicharoco… “Que m*rda de botão é este? Um elefante? Que é isto? CAES, e parece ter um A a seguir… CAESAR? César??? Um Denário? Ó m*rda de sorte! Para que quero eu um Denário?”.
Tirei umas fotos e coloquei no I.D., lá para os lados do FaceBook, onde a coisa foi confirmada de imediato. Sim, era um elefante. E um Denário…
É. Não sou grande fã de moedas romanas. Talvez por elas poderem ser encontradas com alguma facilidade numa área geográfica que abrange toda a Europa. Agora, as da nossa monarquia… Essas, só nós as temos! São exclusivas!
‘Tá bem, ’tá bem. As romanas também são engraçaditas, apesar de achar estranho uma púbis ruiva… Gosto mais das “tugas”! Com verrugas no queixo, sachola nas unhas, e tudo… Meh… Adiante.
Uns minutos depois de encontrar o Denário, tenho mais um sinal que eu apostei em como seria lixo. Estava mesmo encostado a um tojo, e eles, nesta altura, estão em fase de crescimento rápido. Novos ramos e novos e aguçados espinhos! Com o pé, piso-o junto ao solo e forço-o a dobrar-se. Toca a dar à pá e a cavar um buraquinho. Ponho a pá de lado e, mudando de posição, levanto o pé que estava a pisar o tojo… E, tipo catapulta, levo logo com ele nos testículos!!! Muito eu saltei, agarradinho aos meus brindes! Não tenho vergonha de o dizer (ou escrever, neste caso), mas vieram-me as lágrimas aos olhos!
Ainda fui espreitar, a ver se o tojo tinha ficado com algum pedaço meu cravado nos espinhos, mas não. Da maneira que aquilo me doía!
Se me dessem a escolher entre voltar a levar com aquele tojo, cheio de espinhos compridos como lanças bárbaras, nos testículos, e ter uma canibal a fazer-me sexo oral (Xiiiii… Como é que isto já vai!), acho que escolhia a canibal. Com um bocadinho de sorte, ela nem teria dentes e, se quisesse morder, teria que o fazer com as gengivas. Menos mal…
Acreditem. Aquilo dói como tudo! O tojo nos brindes, não a canibal…
E era mesmo um pedaço de lixo!

Saída 10Fev2018 – Umas moeditas giras e o “amor de mãe”.
Por estúpido que pareça, voltei para a mesma zona! Além de não haver muitos sinais, ainda me arriscava a levar com outra coisa romana! Ou um tojo…
No carrinho, a caminho do local destinado, passo por duas moças “bués” de giras, de mochila às costas, que estendem o polegar quando vou a passar. Ainda pensei em parar, mas tinha o equipamento sobre os bancos de trás, e ainda me gamavam alguma coisa. Além disso, nem sabia se estavam a pedir boleia, ou a “dar likes” aos carros que passavam.
Havia de ser caricato! “Para onde vão?”, “S. Martinho do Porto. Vai para onde?”, “Para o meio do pinhal. Querem vir?”
É, havia de ser bonito… E o mais estranho é que eu nem estaria a mentir! E já estou a ver a minha senhora… “Hum… O carro tem um cheiro estranho. O que andaste a fazer???”.
Curiosamente, até que saiu mais do que eu menos esperava e menos daquilo que eu acreditava haver em abundância. (Frase estranha e complicada…) Uns Ceitís à maneira, mais meio Real farrusco de D. Afonso V e uma coiseca de D. João IV. É a que parece (e é) 1 ½ Real…
E, lá pelo meio daqueles tojos, um sinalzito, em que eu adivinhava um dinheirito. Nããã… Sai uma chapinha de ouro. Daquelas que volta e meia andam na moda, com o “Amor de mãe”. Bem, não posso dizer que tenha ficado desagradado com aquele achado minúsculo.
E encontrei também, fundo como o raio que parta aquilo, um “sapatinho do Sócrates”. Uns dias antes, tínhamos andado lá no I.D. a discutir que raio de coisas seriam aquelas. Ferraduras? Pedaços de gadanhas, como eu havia pensado, depois de desenterrar umas quantas? Meh… Parece que era uma espécie de ferradura para o gado. Tipo ténis de trail, ou pantufas anti-derrapantes em ferro… Já nem sei bem…
Fotos, fotos…

Saída 11Fev2018 – Chuva a potes e, até que enfim, um Dinheirito!
O dia adivinhava-se chuvoso. E choveu. E eu molhei-me. E voltou a chover. E eu fiquei mais molhado ainda… E a coisa repetiu-se umas quantas vezes.
Mesma zona, numa esperança vã de que o dia fosse semelhante ao anterior, mas nicles. ‘Tá bem, ’tá bem. Saiu qualquer coisinha, mas a melhor, pelo menos para mim, foi o Dinheiro.

Saída 13Fev2018 – Uma tonelada de chumbo… E mais um Dinheirito!
Ia eu muito devagarinho, num passo lento e calmo, como quem tenta apanhar um coelho à mão, quando vem um sinal algo suspeito. Com valores a dançar entre os 30s e os 70s, nada como averiguar a coisa.
Uma das minhas regras na detecção é: Quando temos um sinal duvidoso, temos sempre duas opções.
1ª opção – Cavar!
2ª opção – Escolher a primeira opção!
E cavei, cavei, cavei. Quando comecei a duvidar do correcto funcionamento da máquina, o pin-pointer assinalou algo lá bem no fundo, estando eu já deitado, com o braço praticamente enterrado até ao ombro. E sai um naco de chumbo! Levanto-me e passo a coil sobre o buraco, como mandam as elementares práticas da detecção. É muito chato descobrirmos que ainda há mais qualquer coisa lá no fundo do buraco, depois de termos acabado de o tapar. E o sinal dançarino ainda lá estava. Toca a deitar mais um bocadinho e a esticar o braço. E saem mais dois nacos de chumbo!
Aqueles 3 pedaços tinham um peso desgraçado! Parecia-me ser quase 1 quilo! Ao fim de uma hora, uma tonelada. Mas, em casa, lá pesei aquilo na balança da cozinha, e obtive o total de 557gr. Bem, é mais de meio quilo, pelo que errei por menos de meio quilo.
Desta vez, saíram mais escudos. Mas o Dinheiro foi uma bênção bem-vinda.

Saída 18Fev2018 – Um Ceitil castiço, e mais do costume…
Não muito distante da zona anterior, concentrei-me mais num cabeço e montinhos circundantes.
Qualquer dia, deixo de coleccionar moedas da Monarquia, e começo a coleccionar as da Républica. Pelo menos, vinha sempre contente!
Além dos costumeiros escudos e centavos, lá a terra pariu uma de XX Réis de D. Maria II (pelo sinal, poderia jurar a pés juntos que era uma lata de atum!) e um Ceitil de D. Afonso V.
E, se a saída fosse apenas isso, já não me podia queixar muito. Mas não. Lá vem o meu querido azar, cheio de pulgas e carraças, para me lembrar que não devo sorrir quando encontro uma moeda da monarquia…
É, definitivamente, não gosto de cães!
Estava para soltar uma pequena bufinha. Mesmo estando sozinho no meio do mato, não sou daqueles que resolve logo fazer uma festa de traques apenas porque apetece. Costumo ser discreto e, que me lembre, o último flato barulhento que soltei foi em Julho de 2006. Claro que a minha senhora discorda por completo, apresentando um caderninho em que estão anotados o ano, mês, dia e horas de cada um. E eu que pensava que aquele caderninho era uma Bíblia! Parece que chegam a estar lá várias páginas para a mesma data…
Claro que estou na brincadeira…
Bem, dizia eu que estava para deixar cair uma pequena bufinha, quando me aparece um monstruoso cachorro preto perto das pernas. Com uma bruta de uma carraça na orelha esquerda, ainda pensei que o raio do cão usava brincos!
Sobressaltado, a bufinha acabou por não ser, nem uma bufinha, nem discreta.
O dono daquele canino mal-amanhado, que vinha uns 20 metros atrás, decerto que ouviu o “estrondo”. Espero que ele tenha pensado que eram caçadores ou um daqueles estrondos sónicos que os F-16 da Base de Monte Real fazem volta e meia.
Passou por mim, com um “boa tarde” de parte a parte. O seu rosto não deixava transparecer que eu tinha acabado de ofender os seus ouvidos. O olfacto não, que o vento soprava para o outro lado.
Mas a cara vermelha que eu devia ter era um dedo acusador apontado na minha direcção!
Um minuto depois, discretamente, olho por cima do ombro, nem que fosse para ver se o homem abanava negativamente a cabeça, num acto de censura piedosa, e vejo o maldito do cão a esgravatar a terra de um buraco que eu tinha tapado há uns minutos.
Já vejo os coveiros deste hobbie a usar cães como desculpa para os buracos que deixam a descoberto…
E ainda dizem que tenho sorte! Como eu gargalho da vossa inocência!

Saída 24Fev2018 – Uma porrada de moedas, algumas aceitáveis…
Mesmo cabeço da saída anterior, mas nas encostas viradas para Sul. O Ceitil e os XX Réis tinham lá sido encontrados, já no regresso ao carro, quando atalhei por aquela área. Nada como dar em “comadre” e cuscar a coisa como deve de ser.
Delimitei a área, e toca a varrer aquilo ao milímetro, com a minúcia de um arqueólogo que examina as partes pudendas da esposa do Castelo Branco. E, já agora, num aparte, será que fazer sexo com a Lili Canecas ou a Betty Grafstein é considerado um acto de necrofilia?
Argh!!! Saída, saída… Volta para a saída!
Ora andava então eu por ali, sacando escudo aqui, Ceitil ali, numa faina muito calma.
Escudo. Ceitil.
Ceitil. Escudo.
E não vou prolongar muito isto…
Bem, Ceitís, foram 15! Entre bons e maus, ficou o ela por ela.
Zona varrida, zona riscada do mapa.
Mas já por lá passei e entretive-me a atirar “ao vento” um pequeno punhado de moedas de X e XX Centavos. Vamos a ver o que lá cresce…

[Frases do Quotidiano: “António! António! Não me ouviu a chamar? O que estava a fazer?”, interroga a minha chefe, depois de me chamar uma série de vezes.
“Estava ocupado a ignorá-la.”.]
Para quem conseguiu chegar a esta frase sem adormecer, parabéns! É oficialmente uma pessoa com tempo para dispensar! Agradeço o envio de algum desse tempo cá para casa. Pode ser também por e-mail…
Um abraço e boas saídas!
