Saídas Janeiro 2018
O carro manhoso, o careca, estrume e umas ovelhas sabidas… E mais uma saída do ano passado.
1ª Publicação: “Diário de um Detectorista Azarado”, em 05Fev2018.
URL: [RIP] https://eryxblog.wordpress.com/2018/02/05/saidas-janeiro-2018-o-carro-manhoso-o-careca-estrume-e-umas-ovelhas-sabidas-e-mais-uma-saida-do-ano-passado/
Afinal ainda consegui fazer mais uma saídazita antes do ano acabar!
Saída 31Dez2017 – E a reunião, séculos depois.
Ora aqui está uma saída que eu não acreditava que se pudesse realizar!
Último dia do ano, coisas para fazer, lugares para ir e mais o que se lembrarem. Mas, mais para o meio da tarde, encontrei-me sentado no sofá sem nada para fazer. Já não havia lugares para ir e na cozinha só atrapalhava, pelo que toca a vestir a “farda” e a dar uma saídita com o Racer.
Não me posso queixar muito desta saída. X Réis de D. João V, 4 Ceitís de D. Afonso V e, no meio de outras coisas, metade de uma moeda. Bem, ela sendo ½ Real Preto de D. Afonso V, já era suposto ser uma fracção de outra, mas, claro que tinha que me calhar apenas metade da moeda.
Examinei-a com atenção e fiquei deveras curioso. Tinha encontrado, há já uns bons meses, metade de uma moeda de ½ Real Preto de D. Afonso V. Não é incomum encontrar metades de moedas, de Ceitís inclusive. Mas aquela deixou-me em pulgas para chegar a casa e ver se as duas metades casavam.
E não é que as desgraçadas encaixavam!
A primeira metade tinha-a encontrado na saída de 14 de Abril, e, como tenho um ficheiro no Word com a descrição das moedas e as coordenadas onde as encontrei, foi só abrir o Google Earth e medir a distância entre os dois pontos. 556 metros, em linha recta.
A primeira foi encontrada naquilo que eu acredito ser um caminho principal. A segunda metade, no que eu julgo ser uma derivação de percurso, que atalha entre dois caminhos principais.
Até posso dizer que, para celebrar um ano que acabou, nada como unir o que estava separado há séculos.

Saídas Janeiro 2018 – A nuvem negra que me persegue…
O raio do mês custou a passar! É só azares atrás de azares!
O raio do carro, desde que, em Dezembro, fez a actualização do software, dá em acender umas quantas luzes no painel. E em Fevereiro terá que ir à inspecção…
Já esteve na oficina uns dias e, no fim do mês, foi ao concessionário da Volkwagen.
Que fosse o carro o maior dos meus problemas. Mas não.
No princípio do ano fui a uma consulta de dermatologia. O sacana do cabelo continua a fazer das suas…
60 e tal Euros para a consulta e mais cento e tal para comprimidos, cápsulas, shampoos, géis e espumas… Parece que trouxe metade do stock da farmácia! E tenho que cumprir o que começa a parecer um ritual de bruxaria. 3 minutos a actuar, lava e põe o outro. Mais uns minutos e enxaguar… Pôr a espuma e imaginar que se tem uns collants de licra vestidos. Fazer poses ridículas em frente ao espelho. Não estou a ver a coisa bem encaminhada…
A miséria é que, além de continuar a ficar careca na cabeça, também o começo a ficar na carteira!
Como se já não bastasse ter tido que comprar um PC novo…
E, não sei se é do tempo, que, nuns dias está frio, noutros, a chover. Mau mesmo, é quando chove e faz frio em simultâneo. Isto para me queixar de raio da ciática! Ou então estou a ficar velho a um ritmo mais acelerado que o restante da humanidade! Muitas vezes, ao levantar-me de manhã, sinto-me como uma saca de batatas que foi atirada de um 10º andar…
E depois, ando sempre a correr. Nunca consigo ter tempo para nada. Os dias parecem ser muito pequenos para fazer tudo o que pretendo fazer. E as coisas vão ficando para trás, num monte.
Isto já poderia estar escrito à pelo menos uma semana, mas só agora arranjei um tempinho para compor esta sinfonia (desconfio que, ao invés de uma sinfonia, vai sair uma coisa tipo Quim Barreiros ou pior…).
Para me levantar é um castigo. E tenho logo que começar a dar à sola. O que me lembra daquela vez em que, com a pressa, ia vestindo as cuecas da minha esposa. Havia de ser dramático, uma vez que não estou habituado a ter coisas no rego… E a minha esposa talvez acreditasse que estava a ficar mais magra, quando descobrisse que a sua roupa íntima estava a ficar larga. Hehehe…
Mulheres… Com as suas maminhas a dar-a-dar…
E, se calhar sou só eu, mas acho que os rabos e os seios são similares pelas suas formas arredondadas e pelo vale das promessas. O ideal seria as nádegas terem mamilos! Assim já não tínhamos que andar a passear com as mãos para aqui e para ali. Ficava tudo junto! Hehehe… E, com um bocadinho de sorte, ainda haveria algumas mulheres a soltar pequenas bufas com cheiro a queijo…
Deixem-me lá mas é ir para as saídas, antes que seja internado…
Saída 7Jan2018 – A primeira pratinha do ano!
Para primeira saída do ano, escolhi um trecho de pinhal onde já tinha despendido umas valentes horas. Não ia com esperanças de encontrar muita coisa, o que foi um facto, mas ainda saíram umas coisas vagamente interessantes.
Está bem que os V Réis estão mesmo muito lisos. Mas a de X Réis de D. João V, o Tostão de D. Pedro II (1692), o Ceitil e a metade do Dinheiro, até que estão aceitáveis! Os 20 Centavos de 1930 são de Cabo Verde. As voltas que as moedas dão!
Não há muito para contar. Com passo calmo, sem pressas, lá ia aparecendo uma coisa aqui e outra ali.

Saída 12Jan2018 – O carro na oficina e o cabeço dos castanheiros.
Tive que ir pôr o carro na oficina para uma revisão, e para ver que as malditas das luzes do painel se fundiam. Como ia ficar sem carro durante dois dias (5ª e 6ª), aproveitei para tirar dois dias de férias e pôr o descanso em dia. Eu dizia à minha chefe que era para isso, mas eu queria mesmo era ir detectar!
E instalou-se a moleza… Na 5ª, depois de tratar do Cartão do Cidadão e deixar o carro na oficina, voltei para casa. E lá fiquei. Umas horas de sono para pôr em dia e a preguiça, qual Demónio malandro, possuiu-me. (Éh, pá. Isto soa tão mal…)
Mas, na 6ª, quando já começava a parecer uma ramela ambulante, lá me vesti e, como não tinha carro para ir para as zonas do costume, optei por um cabeço coberto de castanheiros e outras plantas “matosas”, aqui a menos de 200 metros de casa.
O terreno é a dar para o barrento, pelo que adivinhava que as moedas não iam sair grande coisa. E, quem diria, tinha razão!
Mas havia lá moedas, que era o que me interessava. Isso, e espairecer…

Saída 14Jan2018 – O estrume da minha sogra e mais um pedaço da águia…
Tinha planeado sair no Sábado, uma vez que no Domingo a minha senhora tinha uma reunião ou algo do género lá no Clube, mas lá veio a realidade para estragar os meus planos, como de costume.
O treino do Domingo, que eu pensei que já não se realizava, tinha sido antecipado para o Sábado.
E eu, com a pequenita, acabamos por ter que ir a Rio Maior. Quando fomos buscar a minha sogra, para a levar para lá, ela pergunta-me se tinha espaço na bagageira para dois sacos de estrume. “Lindo. Agora ando a acartar estrume! O carro vai ficar bem perfumado.”, foi o que me ocorreu de imediato.
Mas, aquilo que ela chama de estrume, é aquela terra vegetal, ou composto, que se vende em sacos, para colocar nos vasos. Menos mal… Já estava a ver a coisa a andar para trás…
E, no Domingo, como a reunião dela era à tarde, lá me levantei um pouco mais cedo que o costume e meti a caminho.
E voltei para a mesma zona da primeira saída do ano, nem que fosse para ver se encontrava a outra metade do Dinheiro…
Em vez disso, encontrei mais um bocado da águia que tinha visto dispersa o ano passado. Penas, já não havia. E patinhas também não, uma vez que as trouxe. E, pode ser coincidência, ou não, mas desde então que não suporto nem a canja, nem o cheiro dela…
E o bocado que encontrei desta vez foi a cabeça, ainda com algumas vértebras em anexo. Tirei as fotos, cavei um buraquinho, e procedi ao enterro. Marquei as coordenadas no GPS, porque me parece que daqui a uns meses vou abrir aquele buraco de novo…
Bem, um Real Preto de D. João I, meio comido, um Ceitil carcomido e um selo algo esbifado, além de umas quantas outras coisas. Sempre nas calmas…

Saída 23Jan2018 – Ida a Lisboa, a Leiria, e ainda sobrou tempo para uma saída!
Mais um dia de férias. Como teria que estar em Leiria com o meu sogro para mais uma consulta da “especialidade”, optámos, eu e a minha dona, por tirar ambos o dia de férias.
Já tinha recebido o e-mail de confirmação de que umas fotos aéreas que eu havia solicitado ao IGEOE estavam disponíveis para visualização, pelo que toca a arrancar bem cedinho para Lisboa.
Levava comigo um DVD para entregar a um iniciado nestas coisas da detecção de metais, com o qual tinha trocado longos e-mails na semana anterior.
Chegamos uns minutos atrasados ao IGEOE, mas ele lá estava. As apresentações foram rápidas e, infelizmente, não deu para mais do que uma breve troca de palavras. A minha primeira e segundas impressões foram a de que é um tipo porreiro e consciente.
Vistas e escolhidas as fotos, toca a pagar e tomar o caminho de volta.
As fotos que eu pedi, para os mais curiosos, onde se incluem as duas pessoas que poderão ler isto (nas duas pessoas, uma delas é o sistema de indexação do Google!), são fotos aéreas feitas nos anos 50.
Está bem, para quem faz do seu alvo principal as ditas antigas vias de deslocação, os anos 50 não foram assim há tanto tempo como isso. Mas, pelo que pude apreciar de imediato, estradas pelas quais circulo numa base diária, nem sequer existiam. Além disso, conseguem ver-se muitos trajectos que não estão sequer assinalados nas cartas topográficas da mesma altura. E ainda não tive sequer tempo para me pôr de volta delas, isto, passadas duas semanas (hoje já é dia 5 de Fevereiro). Mas, dando uma olhadela rápida pelas imagens, já deu para encontrar uma nova zona, que tenho andado a explorar nas duas últimas semanas…
Já me perdi…
Pois. Chegamos a casa, e uma hora depois já estávamos em Leiria, com meia hora para um almoço rápido incluído.
E aquilo lá foi tão célere que, pouco mais de uma hora depois, estávamos de volta ao ninho.
“Deixa-me adivinhar. Ainda vais detectar.”, diz-me a minha senhora, com o ar de quem insinua que eu poderia estar a fazer coisas mais interessantes. Mudei de roupa mais depressa do que uma actriz porno se livra dos poucos trapos que traz sobre a pele, e arranquei com o detector às costas.
Só depois de começar a detectar, passada cerca de meia hora, é que percebi onde a minha senhora pretendia chegar…
É, sou despistado a esse ponto.
Resumindo, para uma zona que marginava com uma já muito batida, até que saíram umas tralhas. Um Real de D. Sebastião, a dar para o mauzinho, o proverbial Ceitil, um pedaço de um Dinheiro e mais uma profusão de itens variados, foram o espólio da tarde. Podia ser melhor (se tivesse ficado em casa), mas também podia ser pior (se tivesse ficado em casa, mas não para o que eu pensava…).

Saída 28Jan2018 – Sondagem preliminar de uma nova zona e mais uma pratinha.
Como disse algures, na saída anterior, deitando o olho às imagens aéreas, apontei o azimute para uma nova zona para detectar. Além de ser mais perto de casa, aparentemente, a zona era virgem em coisas de detectores.
Para não variar, mais umas quantas anilhas de pombo-correio.
Mas algumas zonas do terreno são mázinhas para as moedas. Que o digam os Ceitís! Mesmo muito amassadinhos.
Mas que trouxe quantidade, isso trouxe. Agora a qualidade já é outra conversa.
V Réis de D. José, assim-assim; III Reais de D. João III, eles também não costumam aparecer muito bons; 100 Réis em prata, de 1854, D. Pedro V, a dar para o espelhado; um Dinheiro tão “chupado” que nem dá para identificar; e mais umas traquitanas, onde destaco um selo de chumbo e parte de uma daquelas fivelas tipo passador. É aquela coisinha que parece um haltere!
Não correu muito mal, apesar de as coisas não saírem nas melhores condições. Uma coisa eu garanto, fartei-me de cavar!

Saída 31Jan2018 – Esta oficina fica mais longe e umas ovelhas matreiras.
Última saída do mês. Na oficina da Volkwagen tinham feito uma marcação para aquele dia. Deixo a esposa no trabalho, e lá vou eu, estrada fora, até às Caldas da Rainha.
Tinha visto, com antecedência, o que me poderia entreter durante as horas que lá teria que passar, enquanto eles davam uma vista de olhos pelo carro.
Às 8 e meia estava a entregar o carro, enquanto mudava de calçado e sacava do detector com a coil menor (a de série), da mochila, do saco para o lixo, e da pá.
Bem perto dali, um cabeço com alguns eucaliptos. As encostas eram só ervinha rasteira. Debaixo disso tudo, barro mole e fofinho. Mesmo aquilo que eu não queria! Mas, como não havia nada mais à mão…
Chego ao topo do cabeço e, sabendo que na encosta à frente havia uma ruína de uma habitação ou celeiro, da qual apenas restavam parte das 4 paredes, aponto-a como uma boa zona para começar.
À minha direita, lá em baixo, um rebanho de ovelhas andava entretida a mastigar os trevos e outros matinhos rasteiros.
Desço, e, quando me começo a aproximar da ruína, as ovelhas começaram a vir calmamente na minha direcção. Vi, no meio delas, um animal preto que eu presumi ser um cão, uma vez que não tinha os óculos.
“Olha, que m*rda!”, resmunguei eu.
Viro-lhes as costas e começo a contornar o cabeço, na esperança de que na encosta do outro lado pudesse detectar em paz.
E lá vou andando, nas calminhas, sem grandes resultados.
Para minha surpresa, assim que saio do meio dos eucaliptos, vejo que as sacanas das ovelhas tinham contornado o monte pelo outro lado e já lá estavam!!!
Se tivesse uma bazooka à mão, iam chover bocados de ovelhas e lã por toda a zona!
Ainda por cima, estavam a caminhar na minha direcção e eu estava encurralado num canto!
Pousei o material e aproveitei para telefonar à minha senhora, para matar o tempo e esperar que elas passassem. Afinal, o raio do bicho preto que eu tinha visto no meio daquele bando lanudo, que eu pensava ser um cachorro, era outra ovelha. Devia de ser mais badalhoca que as outras…
Elas passam e eu continuo a detectar…
Foram quase três horas, com resultados devastadores. Uns quantos selos de chumbo, a maioria tão maus que nem tiveram direito a foto, indo antes para a caixa do chumbo para fundir; mais uma anilha de pombo-correio, 5 Centavos e um calhau que me parecem ser X Réis de D. Maria. (Adenda: São de D. Luís I.)
A minha chefe, não por ter saudades minhas, já me tinha ligado para ver se eu me despachava dali, para cumprir mais um daqueles trabalhos que são pedidos amanhã, para fazer hoje e entregar ontem. Sim, por essa ordem…
Na oficina, “O problema é X e não temos as peças Y e Z. Vamos agendar para dia 15 de Fevereiro, às 9 da manhã.”. “Eh pá, não me vão fazer outra vez ficar aqui uma carrada de horas. É que nem vale a pena ir detectar ali para trás! Aquilo é só barro e ovelhas!”, disse eu, algo frustrado. O senhor prometeu-me então um carro de empréstimo para que pudesse pelo menos ir trabalhar. A única coisa boa, além da simpatia excepcional do senhor que me atendeu, foi o não ter pago um cêntimo!
Voltei, comi já nem sei o quê à pressa e lá fui trabalhar…
E assim acabou o mês.

[Frases do Quotidiano: “Ó Idalina, eu já disse que não faço sexo contigo!”, disse eu na brincadeira, bem alto, para todos os que estavam na loja, clientes incluídos, ouvirem, em resposta a uma qualquer questão de trabalho que a minha colega me estava a colocar. (Saudades desse tempo. Andava sempre tudo bem disposto e na brincadeira!)]
A quem teve pachorra para ler isto, os meus pêsames e um abraço de condolências!
