Saídas Setembro 2017
O regresso do “morto-vivo”, parte 3, e umas moeditas jeitosas…
1ª Publicação: “Diário de um Detectorista Azarado”, em 05Out2017.
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Mais um mês que se foi, e nós por cá continuamos…
Antes de passar às saídas propriamente ditas, tenho, é claro, de vos moer um pouco a paciência com um pequeno resumo daquilo que são os meus dias. A minha esperança é de que adormeçam antes de chegar à parte das saídas e vejam como isto tem andado fracote. “Fracote. Pois!”, dirão alguns, desconfiados. “Fracote e famélico.”, digo-vos eu! Onde estão as maravilhas prometidas? As pratas e os ouros? A mim só me calham cobres, bulhões e botões! O título deste Blog tem razão de ser. Se bem que ainda acho que me queixo pouco. Claro que há pessoas que se queixam mais por coisas bem mais insignificantes, mas são quase todos políticos e ex-políticos, uns condenados, outros acusados, todos suspeitos, de ladroagem e associação “gatunosa”. Uns paralelos de calçada apontados aos queixos só lhes fazia bem…
No princípio do mês a Sarah Mei começou as suas aulas de natação. Sim, pode parecer estranho, mas tenho uma filha. E desta vez não foi azar. Não pensem que estava a beber um café na esplanada e, numa daquelas coisas bizarras que me acontecem, sem querer engravidei a minha esposa. A pequenita foi planeada, e podia contar episódios a roçar a comédia surrealista acerca do período em que começamos a tentar que a “semente pegasse”. Não havia ideia estranha que eu não me empenhasse em tentar, por muito disparatada que agora me pareça.
Continuando… A cachopa é muito aventureira na água, e nada como saber nadar para evitar alguns percalços. Ela é daquelas crianças que, quando nadam, parece que se estão a afogar até chegarem onde querem. Eu nado razoavelmente mal, num estilo que eu defino como “Não te afogues!”, pelo que seria mau professor. A minha esposa desenrasca-se melhor do que eu, mas acabou por ter também aulas de natação…
Posso pôr de lado a esperança de ter uma atleta olímpica de natação para me sustentar na velhice…
Na piscina, com a pranchinha nas mãos, dando aos pezinhos, não pude deixar de reparar que nadava (uso esta palavra com um sentido muuuuiiito abrangente), dizia eu…, nadava com o rabo todo espetado para cima. Parecia que estava a nadar de saltos altos. Ainda comentei com a minha esposa: “Olha prá’quilo. Tem o cú todo fora da água. Parece uma vaca a nadar.”.
A meio do mês, eis que chega o aniversário da pequenita. Como a Morte tinha morrido (o peixinho dela, que viu a “Luz” durante as férias), tive que lhe oferecer outro animal de estimação. Agora queria um passarinho. E lá fomos os dois comprar um.
Assim que chegou, apontou logo para um e disse: “Quero este!”. O raio do bicho parecia um calhau com penas! “Calma, Sarah. Primeiro vês todos e depois escolhes.”. Continuamos a ver gaiolas atrás de gaiolas, até que apontou para os Diamante Gold. “Quero um destes!”. E um daqueles foi. E até que o passarôco é engraçado.
Eu, de pássaros, não percebo nada! Digo que é um Diamante Gold, porque foi o que a senhora me disse, e eu repito como se soubesse sequer o que é isso… É como os carros. Sou um zero à esquerda. Nem a matricula do carro sei de cor. (Neste momento sei, porque fui espreitar à janela. Mas daqui a 5 minutos já se foi…). Só distingo uma carroça de um carro porque no primeiro, o animal vai a puxar, no outro, a conduzir.
Apesar das minhas tentativas pouco discretas para que ela mudasse o nome ao pássaro, ele ficou Rainbow Dash. É o nome de uma daquelas criaturas um pouco gays do My Little Poney. E ela, que costuma escolher nomes tão engraçados…
E tenho que ir cortar o cabelo. Quando está um pouco comprido, até parece que tenho uma cabeleira farta. Mas como o costumo usar curtinho… Raios para o meu couro cabeludo, que teima em dizer adeus aos cabelos que lá crescem! Tenho menos cabelos que o mês passado, o que me deprime. Mas tenho mais do que aqueles que vou ter no próximo mês, o que me anima um pouco. Uma para chorar, outra para rir. A tragédia é tão vasta que, se fosse um pouco doido, até chorava de tanto rir…
E a minha barriga que se está a expandir outra vez! Podia dizer que são músculos, mas como sou algo magro, ninguém acreditava. Se dissesse que são gazes, talvez acreditassem… Aposto que é de comer pevides!!! A cerveja ao almoço e as patuscadas em nada contribuem para isso.
A minha senhora insiste para que eu faça análises, uma vez que as que fiz no início do ano não chegaram sequer a tocar nas mãos do médico de família. Mas eu digo-lhe: “Deixa-me estar quietinho. Enquanto não me disserem que estou a morrer, ando cheio de saúde.”. E colesterol, e sabe-se lá mais o quê…
Vamos lá então às saídas, que tenho que me ir deitar. Amanhã há uma saudável patuscada com a malta lá do trabalho. Coisas ligeiras. Sopa-da-pedra, enchidos, guloseimas e o INEM à porta…
Depois, à tarde, quero ver se faço uma revisão rápida a este texto para o publicar.
Saída 3Set2017 – Mais uma zona testada e o regresso do “morto-vivo”, parte 3.
Há já um bom tempo que tinha uma zona para testar debaixo de olho, mas era um pouco distante a caminhar, e, com tanta zona frutuosa no caminho, nunca lá chegava perto.
Estaciono o carro à beira da estrada e saco do equipamento. Enquanto esticava a haste do Racer, vi uma figura que me pareceu familiar a avançar estrada fora, na minha direcção. Engonhei o máximo possível até à chegada do senhor, uma vez que me pareceu de mau gosto agarrar nas coisas e desaparecer pinhal dentro, como quem anda a fugir.
“Mas eu reconheço o senhor! Encontrei-o a dormir lá em baixo (apontei, neste caso, para Este) e estivemos a conversar uns tempos depois.”. Era mesmo ele. Estivemos quase meia hora na conversa e deu para encontrar uma série de pontos em comum. Ele mora na mesma zona onde eu morei até aos meus 20 e poucos anos e conhece os meus pais. E fala disto, e fala daquilo.
Até que ele seguiu o seu caminho e eu me meti no meu.
Aproveitei para, ainda perto do carro, libertar uma aranheca que trouxe das férias e duas cobrinhas que tinha apanhado trabalho, antes que alguma das minhas colegas as visse e se urinasse pelas pernas abaixo. Rumando para a zona que tinha destinada, ainda deu para encontrar um anel e uma munição com a bala ainda no lugar.
Ó zona fatela! Está bem, encontrei umas moeditas fanhosas e outras cangalhas, mas não era nada daquilo que eu esperava. Tanto, que me deu para fotografar um esqueleto que por lá andava (Soa tão estranho, dito em voz alta. Hmmm, escrito, também.), e enchi o bandulho com camarinhas.
Pevídes e camarinhas… É isso que me faz inchar a barriga.
E claro que não podia deixar de acontecer. Liberto três bichos e tenho que levar um de troco para casa.
Ao cavar um buraco para encontrar, creio eu, X Centavos, vejo uma coisinha amarela a escapar do monte de terra, para se esconder debaixo de um pedaço de casca de pinheiro. “Pareceu-me ser um escorpião.”, pensei eu. Saco do telemóvel e, com jeitinho, lá dou com ele. Tipo vivaço! Por tudo e por nada, põe logo as pinças no ar e a cauda ergue-se em prontidão. E, num grupo lá nos FaceBooks, um senhor tinha sido picado por um uns dias antes. Preferia que esse senhor tivesse encontrado um Morabitino… Podia ser que me calhasse o mesmo… Mas não. Acabei por o trazer para casa dentro do frasco onde tinha levado a aranha.
Podem até não acreditar, mas o escorpião está aqui, mesmo junto de mim! O jantar dele ontem foi uma lagartixa minúscula que apanhei de propósito para ele.

E desenterrei uma enxada. Já não desenterrava uma há já bastante tempo! Mas, na lista dos objectos desse género, a pior foi uma pá que desenterrei o ano passado. Tenho que ver nos meus arquivos se cheguei a tirar uma foto a essa pá…
Pelas fotos, constato que o melhor da saída foram as camarinhas… E o Johnny (a minha pequenita também baptizou o sacana do lacrau). Relaxem. Ela sabe perfeitamente que o escorpião não é um brinquedo. Nem comestível… Pelo menos cru.

Saída 8Set2017 – Regresso às origens.
Um dos primeiros terrenos que bati, pouco depois de comprar o EuroAce. Já não metia lá os pés à um ror de tempo! Andei lá perto, mas dei aquela coutada como morta e enterrada.
Mas o Racer, com a RC40 (a coil maior) até que apanha sinais bem mais fundos do que a coil de série. A ID dos sinais continua a ser uma desgraça, mas vai-se ganhando alguma experiência acerca do que poderá ser coisa interessante ou não. Devido à profundidade, os valores de ID são mais baixos e saltitantes, pelo que tenho que estar mais atento ao feedback. Como no Blisstool, os pedaços de cacos de barro dos potes de sangrar os pinheiros, também são uma presença constante no feedback. A vantagem do Racer em relação ao Blisstool é que não tenho de cavar quase meio metro para tirar um caco. Não vai tão fundo como o Blisstool, mas pelo menos não fico com os ouvidos a sangrar! Até estou a pensar vender o Blisstool!!! O tempo dirá…
Continuando. O terreno que eu pensei estar “seco”, afinal não o está! Os escudos nem estavam muito fundo, sequer. E um dos Vinténs de D. João II estava a cerca de um palmo.
Ou andava com pressa, ou ainda não me ajeitava muito bem com o EuroAce… Mas tenho muitas dúvidas de que o EuroAce apanhasse as restantes moedas. Se fossem Patacos, decerto que as apanhava, mas aquelas… O outro Vintém de D. João II estava a quase 30 cm de profundidade. A prata dá sempre um sinal apetecível, na casa dos 80, 90. O ID daquele estava nos 60 e poucos.
E a anilha foi a olho mesmo. Esteve lá aquele tempo todo à minha espera.

Saída 10Set2017 – Regresso às origens (Achavam que não voltava lá?) e uma mini cache de 6 Dinheiros.
E lá voltei eu ao ponto de partida.
Mais umas moeditas, mas a cereja no topo do bolo foram os 6 dinheiros no mesmo buraco. Bem, 5 no mesmo buraco e o outro ao lado…
O raio do sinal estava a cair na casa do ferro, entre os 15, 20, e os 30 e poucos. Acreditei que fosse lixo uma vez que nem sequer conseguia fazer o pinpoint. Parecia sempre estar a fugir. Como sou curioso, cavei. E eis que sai um Dinheiro. Mandam as boas práticas que se volte a passar a coil sobre o buraco antes de o tapar, e o sinal mantém-se. Mais um Dinheiro e mais três. “Oba!”, diriam os brasileiros. E, a um palmo e pouco do buraco, mais um sinal que, para todos efeitos, seria também “lixo”. E era apenas mais um Dinheiro.
Resumindo, D. Afonso III, D. Dinis e D. Afonso IV numa orgia dentro de um buraquinho. Bela festa!!!
Já tinha apanhado antes um de D. Sancho II, pelo que o ramalhete já se estava a compor.
Mas a tarde ainda não tinha acabado, e um sinal a dançar entre os 30 e os 40 e poucos revelou-se em mais um Dinheiro. Eu, quanto mais o olhava, menos o percebia. Estava um pouco escavacado e, ao passar com uma agulha de pinheiro para tirar a terra, comecei a ver a moeda muito branco de um lado.
Em casa, com calma de um lado e o Alberto Gomes do outro, é que lá encontrei o raio do Dinheiro no reinado de D. Sancho I. Isso foi-me posteriormente confirmado (Obrigado Iúri. Um abraço.).
E mais uma medalha, esta algo incompleta e outra vitualhas.

Saída 24Set2017 – Agora nas redondezas…
Não no mesmo terreno, mas foi muito perto mesmo. Esta parcela nunca a tinha batido, porque na altura que por lá andei havia mato muito denso. Como aquilo foi limpo o ano passado, as ervitas que por lá crescem agora não eram ameaça nenhuma.
Podia (e devia) ter sido muito melhor.
A melhorzita foi a de X Réis de D. José, datada de 1750, para circulação nos Açores. Já é a segunda que encontro, mas esta está em melhor estado. Mais um Ceitil de D. Afonso V, X Réis do repetente D. José, de 1764 e uma chapa tão lisa que nem que vá à bruxa saberei que moeda seria.
Um achado igualmente interessante foi o de um selo de chumbo. Achei-o tão curioso que tive que pedir ajuda no Colecionadores de Selos de Chumbo, obtendo a célere resposta de que provavelmente seria “do posto aduaneiro de Sarzedas, adstrito à alfândega de Castelo Branco” e “pela tipologia será um selo anterior a D. João II”. (O meu obrigado e um abraço para o grupo onde obtive a resposta.).

Saída 30Set2017 – Pensava que não devia de haver assim tanto mato por lá… Enganei-me!
As minhas pesquisas acerca das antigas vias levaram-me para um pouco mais longe desta vez. Em pleno Pinhal de Leiria, a uns quilómetros da Marinha Grande, assinalei uma zona que me pareceu ser muito promissora ao fazer o cruzamento entre as cartas mais antigas e o Google Earth.
“Pinhal de Leiria. Aquilo deve de estar tudo limpinho de mato e bem tratado. Aposto que até há canteiros com flores, pinheiro sim, pinheiro não.”, pensei eu, confiante. Enganei-me redondamente. Desde que o Google obteve as fotos até hoje, apareceram uns matinhos. Uma boa parte desses “matinhos” era bem mais alto do que eu! Mas isso foi descoberta que só fiz quando, depois de uma boa caminhada, lá cheguei. Perto das estradas é tudo muito bonito. Mas aquilo que a vista não alcança, fica por sua conta.
Mas não me neguei. Afinal, já lá estava e não ia desperdiçar o trabalho da pesquisa e a caminhada. E como estava a menos de um quilómetro do sítio onde dei de caras com uma velhota a urinar e o Bubu, até podia ser que a saída fosse animada.
Cheguei e vi então o que me esperava. Tojos e pilriteiros monumentais, mais uns matos que não conseguia identificar, mas que tinham aquele ar de que “não te vou facilitar a vida”, enquanto arreganhavam os dentes. Dentes de mato, entenda-se.
Preparo o material e, ligado o GPS, lá me embrenho naquela floresta. Em menos de um minuto, o primeiro sinal. Entre o ferro e os 30 e poucos. Cavei e eis que sai o meu primeiro ½ Real de 10 Soldos de D. João I. Decerto que há pessoal que encontra moedas destas como eu empurro camarinhas pela garganta abaixo, mas levei pouco mais de 4 anos até encontrar um. Reais Pretos e Brancos já eu tenho às dúzias, mas esta foi uma estreia. Até tirei uma foto do spot e tudo, tendo o cuidado, como sempre faço, de limpar os metadados da mesma antes de a preparar para publicação. Mas tapei o buraco que se vê na foto antes disso tudo.
E vocês ficam também com uma noção do tipo de terreno que tive de enfrentar. Bem, terreno não, que aquilo é só areia, com uma ou outra raiz mais teimosa, mas o que está acima da caruma caída é um teste de resistência. Voltei bem picado e arranhado, e aquela coisa faz uma comichão desgraçada. Até parecia que tinha voltado de lá com sarna! E o tomar banho não aliviou a coisa.
Adiante.
Apesar de as condições estarem longe de ser mínimas, lá fui abanando a coil onde me era possível. E as sacanas das moedas saíam com alguma regularidade. Creio que não levava 10 minutos entre uma moeda e a seguinte, com, é claro outras coisas e alguns lixinhos pelo meio.
Num dos buracos, a moeda ficou a espreitar num dos torrões que tinha tirado. Lembrei-me de algumas fotos que já vi por aí, pelo que foi a minha vez de registar o momento. Era a X Réis de D. João V. Deu um sinal de 93. Ainda pensei que fosse uma lata de conserva ou algo do género, mas como não houve overload, cavei para matar a curiosidade.
Nas restantes moedas, o feedback das mais superficiais era mais próximo dos valores que obtinha com a coil de série, enquanto que nas mais profundas, notava-se um claro decréscimo nos valores de ID. A coil de série, pelo que vi até agora, enquanto tem dados para dar feedback, o valor de ID tem poucas alterações. A RC40 já é uma coisa mais manhosa. Mas tem sido um prazer trabalhar com ela. Inicialmente, notava-se que o detector ficava bem mais pesado, mas nada como um pouco de ginástica para o braço se habituar ao peso extra. Agora nem noto que ela lá está. Numa das saídas do mês passado, com a coil de série, o Racer pareceu-me tão leve que tinha a sensação de que estava a abanar o detector sem qualquer coil na ponta da haste. Parecia que andava a abanar um pau no pinhal. E isto soa estranho…
Uns ceitís melhores que outros, mas uma boa maquia deles ainda assim.
As melhores foram, é claro o ½ Real de 10 Soldos e metade de um Dinheiro que me matou a cabeça em casa. Apontei para D. Afonso II, o que me foi depois confirmado. (Mais uma vez, o meu obrigado ao Iúri.)
Picado e arranhado, voltei para o carro com um sorriso de orelha a orelha.
Quero ver se lá consigo voltar.
E acho que é tudo por agora…

[Frases do Quotidiano: Para a minha pequenita, quando me questionou porque eu não ultrapassava o camião atrás do qual já íamos à uns bons quilómetros (o traço contínuo é tramado!), justo quando já estávamos atrasados. “Ó filha, o azar do pai é de confiança. Pode-se sempre contar com ele.”]
Um grande abraço aos que se derem ao trabalho de ler isto, e boas saídas para os detectoristas!
