Saídas Julho e Agosto 2017
Umas saídas de Verão e umas férias à caixeiro viajante…
1ª Publicação: “Diário de um Detectorista Azarado”, em 09Set2017.
URL: [RIP] https://eryxblog.wordpress.com/2017/09/09/saidas-julho-e-agosto-2017-umas-saidas-de-verao-e-umas-ferias-a-caixeiro-viajante/
Ora cá estamos de novo…
Tinha prometido a mim próprio de que faria o diário das saídas do mês numa base… bem, mensal. Mas lá volta o universo a conspirar contra mim, para me roubar uns momentos em que possa relaxar e, socorrendo-me dos gatafunhos que resumem as saídas, pôr ordem na casa. É sempre um dilema. Fico em casa a escrever, ou vou detectar? E os meus detectores são uns parceiros manhosos e ciumentos…
E a minha filhota, para não dizer que eu sou uma nódoa em coisas de detecção, agora deu em chamar-me de “Dedada”. Agora, cá em casa, sou o “Daddy Dedada”, ou simplesmente, “Dedada”…
Mas hoje, ao invés de sacudir o pó da coil, lá me conformei de que isto tem mesmo que ser feito.
Então, aqui vai…
——————–=====PARTE I=====——————–
Esta é a parte onde estão as saídas, assim, assim…
Saída 2Jul2017
Começa bem… No apontamento referente a esta saída, está escrito: “Ontem comi rabanetes e hoje fui detectar para o Vale de xxxxxxxxx.” (Já agora, também queriam as coordenadas?)
Tinha planeado sair no dia anterior, mas a minha senhora estava possuída pelos “vapores hormonais”. Estava a oscilar entre uma clone do Trump e daquele palhaço cocó com um penteado que mais parece que uma cegonha assentou arraiais no topo da cabeça dele. O tal cromo ridículo que é o manda-chuva lá na Coreia do Norte… Adiante.
Ainda tentei “raspar-me”, mas a minha senhora, num acesso de gentileza, trocou-me as voltas. A parte mais emocionante do dia acabou por ser o bocadinho, à noite, em que, já deitado, comi um rabanete enquanto lia a Sábado.
Mas no Domingo, logo após o almoço, lá recebi o OK. Voltei para o mesmo vale onde tinha andado a cuscar afanosamente no mês de Junho, em busca de um trecho de caminho desaparecido. E ainda lá havia mais umas coisitas, bem aninhadas à minha espera. Não posso dizer que tenha ficado desapontado com esta saída, mas, depois do que já de lá tinha tirado, não podia esperar uma fartura de moedas. Como a minha esposa aponta, elas não crescem. Onde cai uma, não nascem duas….
Mas ainda saíram uns Ceitís, um Dinheiro de D. Dinis e mais uma medalha para o álbum.

Saída 8Jul2017
Desta feita fui testar uma zona, que, sendo um pouco mais distante daquilo a que eu estou habituado para ir dar um passeio com o detector, parecia-me promissora. O pinhal tinha sido limpo de matos e ervas estranhas à pouco tempo, e a única coisa que sobrou foram os pinheiros. A área limpa nem é muito extensa, mas dava para andar umas horitas por ali, despreocupado e sem pressas. Como fica algo distante de qualquer caminho onde um carro possa transitar, não previa surpresas.
Deixei o carro nas bombas de gasolina mais próximas, e aí vou eu, pinhal adentro.
Como era apenas um teste para ver se a zona seria “rentável” ou não, levei o Racer com a coil de série e andei em dois tons, discriminando tudo abaixo do 25.
Depois da bendita anilha e de uma bala, eis que sai o ½ Real Preto de D. Afonso V. “Bem. Isto promete.”.
E ainda saíram mais umas coisinhas giras, incluindo uma lente. Não havia muito lixo, além do habitual. Pedaços de ferro enferrujado que tentam passar por Patacos e pouco mais.
Hora de regressar a casa, com uma certeza. Tinha que lá voltar!

Saída15Jul2017
Tinha que lá voltar! (Onde é que eu já ouvi isto?)
Fui mais cedo, e voltei mais tarde. Fui mais leve, e vim mais pesado.
Para uma zona limitada, aquilo até que foi produtivo! Com passo lento e calmo, com a RC40 e em modo All Metal, bati quase toda a zona, andando sempre a direito, invertendo a marcha apenas quando a zona limpa terminava, para regressar quase dois metros ao lado do trajecto anterior, posso dizer que fiz o melhor que pude. Estava a fazer-se tarde e ainda tinha que dar à perna até ao carro, pelo que dei a saída por terminada, com muita pena minha, deixando apenas um pedaço para uma próxima saída.
Gostei do Santo António com o cachopo Jesus, mesmo sendo o terceiro que já apanho. E as moeditas então? Bem, algumas delas…

Saída 23Jul2017
Podia ter sido uma saída no Sábado… Podia, mas não foi.
A minha pequenita tinha andado a semana toda a pedir para irmos à praia de S. Martinho, para exercer a nobre actividade da apanha de minúsculos caranguejos nas zonas rochosas do lado de Salir.
E lá fomos…
Podia estar a encontrar casais lésbicos no pinhal, em pleno acto, lambendo-se como os gatos, mas não. Estava a ver passar umas moças balofas, com varizes medonhas e grossas como batatas-doces do Lidl, largando no ar, debaixo daquele Sol, um aroma a bacon frito.
Isso dos gatos lembra-me uma adivinha que ouvi algures. “Qual é a principal causa da ida das lésbicas às urgências do Hospital?”
A resposta é: “Bolas de pelo.”. (Espero não ofender quem quer que seja. A minha intenção não é essa!)
Mas tenho que confessar que me diverti à brava com a minha pequenita, a procurar os pequenos caranguejos debaixo das pedras. E ainda trouxemos uma boa quantidade de pulgas do mar (não são das dos cães!). As tartarugas entraram em delírio quando coloquei algumas lá no aquário (ou tartarugário). Pareciam os comunistas quando ganham uma Junta ou Câmara lá para os lados das Berlengas…
E, no Domingo, lá fui “varrer” o resto da zona que me aguardava! A única coisa que me desiludiu foi o estado lastimável do Vintém de D. Manuel I. Sendo uma pratinha, tinha a obrigação de estar mais apresentável. Mas, como eu sou eu…
E, a caminho do carro, quase a chegar às bombas de gasolina, vejo no meio da caruma… a protecção de uma coil da Garrett. Coil duplo D, tanto pode ser de um “amarelinho”, como de um At Pro. Inclino-me mais para o lado do AT Pro. Claro que quem perdeu a protecção da coil não se vai acusar! Lol
Tenho cá as minhas suspeitas e apenas posso dizer: “Estavam muito longe! A zona boa, já eu a limpei. E, onde a protecção da coil estava, já eu andei há uns anos.” (Até pode ser que tenham tido sorte! Lembro-me de lá apanhar uma pazada de centavos e moedas recentes.)

Saída 30Jul2017
Uma vez que aquele pedacinho de pinhal tinha sido uma boa escolha, voltei para cuscar um pouco nos arredores, concentrando-me mais num cabeço que tem um pouco menos de mato que as zonas em redor. Havia lá umas coisas interessantes, mas, mesmo no meio do mato cerrado das zonas circundantes, ainda consegui encontrar mais uns itens. Levei a tarde toda, e quando cheguei ao carro, já era noite, mas valeu a pena.
Tendo as moedas da monarquia como coisas favoritas para encontrar, desta feita o prémio foi para uma fivela. Foi das primeiras coisas que encontrei quando comecei a bater aquela zona, e os meios-reais pretos, real e meio, pataco e ceitís não me deram o sorriso que a fivela deu.
E mais uma resma de anilhas, para não variar. Raios! Quando começo a bater uma zona, invariavelmente venho sempre com uma pazada de anilhas! E balas… E botões… E outras coisas…
Desta vez, as “outras coisas” foram mais vespas. Vi um buraco, provavelmente de um coelho ou outro animal que começou a cavar uma toca e não terminou, ou desenterrou qualquer coisa, e vejo, lá no fundo o que me pareceu ser cartão ou algo do género. Tinha uma forma arredondada. E eu, “Olha, olha, que é aquilo? Um pote?”. Encosto a lâmina da pá e parece-me não ser muito sólido. Dou um golpe e corto um naco daquilo. Era o raio de um vespeiro!!! Ó patas, para que te quero! A mochila e o detector já estavam no chão, pelo que só tive que largar a pá e dar à sola durante um bom pedaço, não fosse alguma ter melhor vista que as outras! E tinha o tabaco na mochila, pelo que nem podia matar o tempo até ser seguro lá voltar. Quase 10 minutos depois, quando me pareceu que a nuvem tinha assentado, lá fui eu, pé ante pé. Ainda havia algumas a tentar perceber o que tinha acontecido, mas aparentemente eu já não era uma ameaça. Tiro o telemóvel da mochila e tiro umas fotos. Num gesto de audácia, faço também um clip de vídeo daquele hotel de vespas.
E toca a ir para o carro, não fosse uma dizer: “Tá ali o gajo! Foi aquele! Vamos a ele! Em frente, meus bravos!!!”.
Além disso, já estava a ficar tarde…

——————–=====PARTE II=====——————–
Esta parte tem pouco de detecção, pelo que se quiserem, passem já lá para o fundo, onde costumo mandar um abraço a todos… Além disso, devo de colocar aqui uma resma de fotos, por tudo e por nada…
Saídas 08_20Ago2017
FÉRIAS!!! Finalmente, duas semanas para relaxar com as minhas senhoras!
Finalmente abri o mealheiro que tinha começado a fazer no primeiro de Agosto do ano passado, para ser apenas aberto no fim de Julho deste ano. Cada moeda que encontrava durante as minhas saídas tinha um valor fixo para entrar no mealheiro. Pré-dinásticas em cobre/bronze, 1.00€. Monarquia em cobre/bronze/bolhão, 0.50€. Em prata, 5.00€. As da República, 0.20€ para as de metais menos nobres, e 1.00€ para as de prata. Com os Euros, o mesmo valor era colocado no mealheiro. Resumindo, dentro daquela lata de café selada estavam 269.78€! Nada mau! Deu para pagar o combustível dos pouco mais de 1.700km que fizemos em duas semanas. Com portagens incluídas. E ainda sobrou para pagar ingressos e sei lá mais o quê.
E já voltei a selar o mealheiro, para ser aberto a 31 de Julho do ano que vem. Agora a minha senhora também contribui. 0.50€ para cada treino de atletismo e 5.00€ por cada prova. Mas ainda não a vi lá meter nada… Tenho que lhe comprar Memofante.
Quanto aos achados feitos nas curtas saídas que tive oportunidade de fazer, tirando algumas peças, a maioria nem sei onde as encontrei. Andei em modo de detecção minimalista, apenas com o detector, a pá e uma bolsa para os achados e lixo. O lixo era despejado num caixote e os achados iam-se acumulando… Há sítios com os quais voltaria a dar, mas sem o GPS, outros caíram no esquecimento.
A primeira saída foi na viagem que fizemos à Pedreira da Galinha, passando pelas Grutas de Alvados.
Uma vez que nunca tínhamos ido àquelas grutas, lá as marcámos como local a visitar. Gosto de mostrar coisas novas à pequenita, para a manter curiosa. Podíamos ter ido novamente às de Mira de Aire, mas resolvemos variar. Comprados os bilhetes, começa a visita. O guia parecia um autómato com as baterias a dar o berro, com uma voz monótona e discurso arrastado, como se estivesse a falar para um grupo de débeis mentais. 5 minutos depois de começar a visita, eu já bocejava. A pequenita, como não estava a ligar patavina ao guia, lá ia encontrando “esparguetes” e “pilinhas” nas formas das estalactites e estalagmites da gruta, mantendo-se acordada. Eu, só faltava começar a ressonar! Despertei quando vi um buraquinho num pequeno lago. Com aquelas “pregas” e dimensões, parecia mesmo um olho do c…, errrr, um buraco do…, aham, parecia mesmo um esfíncter. Só que de pedra! Ainda bem que eu não sou um pouco tarado e não ligo a essas coisas, se não ainda escangalhava o… Ai, ai, que estou eu dizer… (Acho que me estou a enterrar…)
Mesmo tendo alguns pontos de interesse, fiquei contente quando voltei a ver a luz do Sol. E o banheiro! Estava a ver que tinha que “marcar” uma estalagmite como os cães!
Almoçámos e, encostando numa estrada secundária, saco do detector para fumar um cigarrito e começar a digestão.
Uns 20 ou 30 metros e o sinal revelou-se um Ceitil. “Olha, olha, quem ele é! Também por aqui?”. Mais uns metros e mais um. “Olha que começo de férias!”. Concentro-me naquele pedaço de terreno e mais um sinal. Cava daqui, cava dali e eis que sai o “brinde”. Fiquei baralhado com a peça. Fíbula? Que raio era aquilo? Há coisas nas quais, além de ignorante, sou um verdadeiro asno… E mais um ceitil para terminar. Tinha que voltar para junto das senhoras impacientes.
(Junto da malta dos Prospectores de Portugal, no FaceBook, lá fiquei a saber que a coisa misteriosa era afinal um passador em T. Estive a vasculhar na caixa dos achados estranhos e encontrei lá uma parte em I e alguns fragmentos de outros passadores. E tenho também o passador que está na gaveta dos talheres, na cozinha…)
Fomos então à Pedreira da Galinha, ver as pegadas dos dinossauros. Grandes pegadas! Não queria ser o tipo que tinha de fazer os sapatos para aqueles bichos! Hehehe… Eu sei que os dinossauros não usavam sapatos. Talvez umas sandálias de enfiar no dedo…
Bem, acaba a visita e chega a hora de ir à bilheteira/loja do complexo. A pequenita tinha ficado de olho nuns peluches que tinha visto quando fomos comprar os bilhetes. Depois de negociações e cedências, lá trouxe um morcego de peluche, a que deu o nome de Batty (de bat=morcego) e um Edaphosauros em plástico. Ela negociou e eu cedi… E com esta, começou mais uma fase em que se interessa por algo em exclusividade. Agora são desenhos de dinossauros por todo o lado e alguns esqueletos escavados de blocos de gesso no quarto dela. Desde que a estimule a aprender algo novo… Pode ser que ainda venha a ser uma paleontóloga… Ou funde uma religião que adora o crânio de um Tiranossauro e sacrifica políticos e outros malandros aos deuses do Jurássico. Sedutora, a segunda opção…
Regressámos a casa para dormir e, no dia seguinte, lá estamos de novo a caminho. Destino: Praia fluvial da Isna de S. Carlos, Sertã.
Nos 20 ou 30 km antes de lá chegarmos, tudo queimado, de ambos os lados da estrada, e, em alguns trechos, era mesmo até perder de vista. Compreendo bem o porquê de o incêndio de Pedrógão ter sido o que foi. Pelo que percebi, o que vimos foi apenas a ponta do icebergue… Bem chega de desgraças. Para isso, já me basta a minha senda de detectorista…
Direitinhos ao parque de campismo que envolve a praia fluvial, chega a hora de estrear a nova tenda. E começa então o descalabro…
Temos duas tendas. A nossa primeira, uma dita “canadiana”, fez bem o seu serviço ao longo dos anos, mas a família aumentou, a nossa filhota foi crescendo e o espaço diminuindo. Além disso, a lona exterior parecia ter sido feita com o tecido das calças dos Roxette ou dos Kiss, pelo que já andava de olho em algo maior.
E, durante o Inverno passado, lá fomos às compras, para procurar uma tenda que, sendo maior, continuasse a ser portátil.
A tenda, montada em exposição, aparentava ser espaçosa e confortável. Quase que conseguia ver um sótão e uma garagem por ali. Isso era em exposição…
Mas, tenda que eu monte, fica sempre com um “ar” ligeiramente estranho. Acho que usei demasiadas estacas e cordéis. Estava tão tensa que parecia a pele de um tambor…
Olhando lá para dentro, cheguei à conclusão de que seria confortável… Se eu, a minha esposa e a nossa filhota fossemos anões. Conseguia imaginar como uma trupe de anões poderia dar umas cambalhotas e fazer umas piruetas lá dentro. Mas nós não. Ainda temi que tivesse que dormir com os pés de fora. Em último caso, teria que me aninhar em posição fetal e mandar umas joelhadas no traseiro da minha esposa, mas, depois de deitado, vi que não sou tão alto como pensava. Lá haveríamos de nos ajeitar…
Toca a ir pôr os pés na água e dar uns mergulhos, que o calor já estava a apertar com força.
Encontrei, sem o detector, a mola de um brinco no fundo do rio. Como, quando mergulho, estou sempre com os olhos abertos, volta e meia lá encontro qualquer coisa perdida. As minhas senhoras, pelo contrário, não o conseguem fazer, pelo que, quando sobem à superfície, vêm sempre com os olhos muito fechados e a babar-se todas.
E a nossa pequenita encontrou uma pequena rã, que se tornou de imediato a sua melhor amiga (coitada da rã…), até que a outra menina com a qual estava a brincar ficou com alguns ciúmes e pôs o pé em cima do pequeno batráquio. Crianças…
Sei que fiz uma pequena saída naquela zona, mas nem sei se encontrei algo. O bloco de apontamentos fez-me falta…
Chega a noite e vamos então ver se conseguimos dormir os 3 dentro daquele muquifo. É, conseguimos. Mas eu tinha um calhau mesmo debaixo dos rins! Vi-me atrapalhado para conseguir adormecer e, como é previsível, acordei todo dorido. Devia de ter desmanchado a maldita tenda, com elas lá dentro e tudo, apenas para tirar aquela pedra!
Enquanto desmanchava a tenda, a pequenita andava a juntar o que ela chamou de Pedras-Dedo. Uns pedaços de xisto rolados pela água, até ficarem com a forma de pequenas baguetes, ou dedos, nas palavras da cachopa. “Para que vais tu levar essas pedras todas?”. “É para fazer uma cidade.”. Agora é arquiteta…
Fomos então para o Penedo Furado, entre a Sertã e o Sardoal. Passámos quase toda a manhã na Sertã, a passear a pé. Vimos um cágado no rio, e uma motorizada cujo lugar devia de ser num museu. É daquelas cidades, que longe de tudo, tem melhores condições e ambiente para se viver. De fazer inveja às ditas “metrópoles”…
A pequenita estava ansiosa para chegar ao Penedo Furado, especialmente depois de lhe ter dito que, quando era mais novo, via e apanhava muitas cobras na ribeira.
Chegamos e fomos logo para a água. Em 5 minutos já tínhamos uma cobrinha à nossa mercê. Andava lá um miúdo, com um balde, a queixar-se de que não conseguia nem ver, nem apanhar nenhuma.
A mamã tira a foto da praxe e lá a soltámos na vegetação do lado mais afastado da ribeira. A cobra, não a mamã…
Uns mergulhos e vamos para a parte mais funda. E, lá no fundo, mais uma. Esta, apanhei-a com os dedos do pé. Sou um pouco como os orangotangos… Lá fomos ter com a minha senhora para mais uma foto. Dava para ver que ela preferia estar ao Sol, ao invés de estar a fotografar “bichos”…
Como a outra, também a libertámos.
Chega a hora de partir e seguir as orientações do GPS do carro até casa.
Tínhamos que vir a casa com frequência, para dar comer às tartarugas e ao peixe da filhota, que ela baptizou de, esta nunca adivinhavam, “Morte”. O anterior foi o “Darwin”. Mas a Morte tinha morrido… Acabaram-se as chalaças de “Dá comer à Morte, senão ela morre”. Nem sei se era macho ou fêmea (peixe ou peixa???), mas, pelo nome dado, passou a ser fêmea. E depois passou a defunta… Presumo que apenas um dia sem alimento faça alguma diferença…
Como o Darwin, funeral na sanita. Eu fiz discurso e a pequenita fez as honras, ao despejar o autoclismo.
Mais umas dormidas numa cama decente e lá voltamos a meter os pés na estrada. Bem, fomos de carro…
O objectivo era agora o Parque Natural da Peneda-Gerês.
Esta parte, se contasse tudo, daria um livro. Talvez fosse do meu estado de espirito, mas tudo me parecia rocambolesco.
Sempre por autoestrada, com umas paragens nas estações de serviço para repor os níveis de cafeína no organismo, acabamos por almoçar em Braga. Sempre prevenida, a minha senhora levava já o “conduto” necessário para fazer umas sandochas. Fomos ao Lidl, para ela comprar pão fresco. Enquanto ela não regressava, pude apreciar que, ali, as mulheres pareciam todas ter peitos generosos. Só me lembrava da Vénus de Willendorf, mas com menos camadas adiposas no resto do corpo. Mas o que anda aquela gente a comer??? Pessoalmente, no que toca a seios que eu possa agarrar, tudo o que ficar fora da mão, está a mais. Mas aquilo era uma abundância! Ou então calhou nós lá passarmos no dia em que as “peitudas” (“mamalhudas” soa melhor, mas não vou usar esse termo, mesmo depois de o ter feito) se juntam todas no parque de estacionamento do Lidl.
E a minha senhora chega com o pão para as sandes. Ela, provavelmente, pensava que eu era uma cabra, para me ter entulhado a sandes de peru com tanta alface! Vi-me obrigado a ruminar a sandes, agachado, numa pose maquiavélica, enquanto ia afastando a alface para o lado…
Retomamos o caminho e chegamos então à Peneda-Gerês. Nunca lá tinha ido e, crente de que aquilo seriam só montes e floresta, nem me dei ao trabalho de levar uns calções. Haveria de lamentar essa decisão.
Tem montes e floresta, como previsto. Mas também há um manancial de albufeiras. Sítios para pôr os tintins de molho era o que mais havia. E eu de calças…
Umas voltas para ver as vistas e, encontrando um parque de campismo, lá assentamos praça.
A tenda, desta vez, foi montada com o mínimo de estacas e dispensei os cordéis, não fosse alguém tropeçar ou ficar emaranhado neles. E, ou eu encolhi, ou a tenda ficou maior.
A uns 10 metros de onde tínhamos a tenda passava um ribeiro. Com pouco caudal, formava umas pequenas lagoas mesmo à medida da pequenita, que vinha à tenda apenas para recuperar o fôlego, regressando de seguida para a água. Pelo meio, lá ia juntando mais umas folhas e um pau que parecia o bastão do Gandalf do Senhor dos Anéis para “a cidade”. E eu ali, de calças…
“Porque não vais lá tomar um banho? Estava um homem ali em baixo a tomar banho de boxers.”, azucrinava-me a minha senhora. “‘Tá bem. Se ao invés de um homem a tomar banho de boxers, ‘tivesse um tipo com uma escova e uma barra de sabão, a dar banho a um burro, também querias que eu fizesse o mesmo?”, respondi eu, mal-humorado.
Fui ao carro e peguei no material de detecção. Fazendo corta-mato, subi até ao topo do cabeço mais próximo. Catei uns cêntimos aqui e ali, além de algum lixo. Houve um sinal que parecia querer baralhar o detector. Saltava entre valores ferrosos e os 40, 50 e 60s. Acreditei que fosse lixo, mas cavei na mesma. À segunda pazada, começam a sair cacos de barro cozido. Analiso alguns e vejo que não são coisa recente. O detector estava a apanhar os cacos. Baixo a sensibilidade e passo novamente sobre o monte e buraco. Agora havia apenas um sinal, na casa dos 40. E, lá dentro do buraco, consigo encontrar um pequeno cagalhoto romano. Mas eram mesmo uma carrada de cacos! Ainda consegui “casar” alguns e trouxe aqueles que achei mais “engraçados”. Provavelmente seria uma lixeira.
Com a sensibilidade mais baixa, não pude saber se havia mais cacos naquela zona, mas acredito que sim. Mas houve mais um sinal interessante. Um 82. “Devem ser mais 10 ou 20 cêntimos.”. Não havia cacos naquele buraco, mas sim uma broa romana, a dar para o esbifado. Conseguia ver o busto de um lado, mas o outro estava vazio de detalhes. E, uns lixos depois, dou a saída por terminada. As moedas romanas não me seduzem muito. Toca a arrumar o material no carro e ir para a tenda curtir a minha desgraça.
Mas, depois do jantar, lá me aventurei a ir à lagoa mais próxima. Escondido atrás de um penedo, enquanto a minha esposa vigiava a costa, lá saí de dentro das calças. Ela não é lá grande coisa, como vigia. Já estava com a água pelos joelhos quando ela me alerta de que havia um grupo a vir na nossa direcção. Uma tipa que, estando bem vestida até, era uma autêntica “bronca” quando abria a boca, mais 4 tipos. Dois saltaram logo para a água e, um deles, como era a dar para o gordinho, tinha um valente par de “mamas”. Devia ser de Braga, ou dos arredores do Lidl de Braga, pelo menos…
E eu, ali, de boxers…
Aquela malta tinha tanto dentro da cabeça, como fora dela…
Finalmente perceberam que estavam ali a mais e deram à sola, para grande alegria minha. Não me lembro se cheguei a tirar os boxers, mas sei que nadei e chapinhei um bocado.
E toca a voltar para a tenda, para uma noite de sono.
Começa então o circo!
Perto de nós, um grupo grande tinha montado duas tendas. Uma para as pessoas, e outra, mais pequena, para guardar os pertences. Era de um verde doentio, que eu defini como “verde cemitério”.
Grupo animado e barulhento, com o nível cultural e educação de batatas greladas. Algo me dizia que deviam ter sido criados por galinhas bravas… Quando começaram a ligar um televisor sobre o muro, todos adivinhamos que vinha ali uma rave.
Nós, dentro da nossa micro-tenda, conseguíamos ouvir uma algaraviada em espanhol que vinha da TV. Não dava para perceber bem o que era dito, mas naquele grupo riam-se todos muito, lembrando-me um bando de hienas de volta de uma carcaça. A velha tinha o famoso tique de trocar os Vs por Bs, o que deu azo a que um jogo que a pequenita gosta de jogar, que é o das palavras começadas por uma letra, desse em comédia. Quando saiu a vez do V, foi uma barrigada de riso. “A baca da belha é benenosa” foi a que mais gargalhadas arrancou dentro da tenda. E nem nos preocupamos em falar baixo!
Por volta das 11, começa uma série portuguesa na televisão. Uma novela, aparentemente.
Então, o miúdo, um garoto de 4 ou 5 anos, dá em chorar forte e feio. A “baca belha” só gritava: “Bota-lhe meio supositório. Bota-lhe meio supositório.”. Ouviu-se então o barulho de uma chapada ou palmada e a criança calou-se. A minha esposa espreitou pela rede da tenda, mas a nossa entrada estava virada para o lado errado. Conseguiu apenas ver os vizinhos da frente, de pé, incrédulos, a ver aquele circo.
Passado um bocado, tudo se calou e conseguimos finalmente dormir.
Antes de regressarmos a casa para alimentar as tartarugas, ainda haveríamos de ir a S. Bento da Porta Aberta, Vilarinho das Furnas e sei lá mais onde. Fizemos o caminho para Vilarinho das Furnas a pé. Cerca de 2 km. Como a minha senhora não queria pagar mais para levarmos o carro, eu e a pequenita vingámo-nos, enchendo-lhe a mala com bolotas e calhaus de mica que íamos recolhendo “para a cidade”. E comíamos umas amoras, barradas com nuvens de pó que os carros que iam passando levantavam…
De regresso a casa, paramos na zona da Figueira da Foz, para um merecido esticar de pernas e endireitar de costas. Eu, é claro, fi-lo com o detector, num trecho de pinhal tranquilo.
Mesmo na mosca! Uns centavos, um Ceitil, dois Dinheiros, um de D. Dinis e o outro, muito escangalhado, de D. Sancho II, e mais uma bela adição à colecção. Um Meio Real Atípico de D. João I. Bem castiço, o sacaninha!
Nem sei se conseguia voltar a dar com aquele pedaço de terreno, mas tenho que ver se o consigo encontrar no Google Earth. Sempre é um bom “poiso” para quando voltar àquelas bandas.
Chegamos a casa e as tartarugas ainda estão vivas, se bem que esfomeadas. Peço-lhes desculpa, mas como estão com os ouvidos debaixo de água, não me ouvem…
E isto vai longo. Vejo que já estou aqui há mais de 4 horas…
Muito fica por dizer. Algumas situações caricatas, mais umas saídas e viagens em passeio, como à Quinta da Regaleira, ao Castelo dos Mouros e outros sítios… Podia escrever mais umas páginas acerca da aventura de andar de tuc-tuc em Sintra (Que a pequenita adorou! Eu apenas me agarrei com muita força ao assento.), o “assalto” ao Castelo, onde está uma Barbuda em exposição (E eu sem o detector à mão! Mas ali, não era precisa a pá. Um martelo bastava!)(O que estou eu a dizer…), em como, no meu imenso azar, em Queluz, meti pela via errada e me encontrei nas portagens. Quando vou para tirar o ticket, vejo que aquilo é a saída, não a entrada. Recuo e estaciono. Ninguém para prestar ajuda ou esclarecimentos. Andar 500 metros em contramão? Fora de questão. É passar na Via Verde e tentar resolver a situação depois. Agora, passadas quase 3 semanas desse incidente, já consegui resolver a coisa e apenas tivemos que pagar 2.51€.
Muito fica por dizer…

Saída 27Ago2017
Última saída do mês. Primeira depois das férias.
Mais um cabeço em pleno pinhal, para testar o terreno. Podia ter sido pior. Aproveitei para libertar a Escolopendra e os filhotes, que já se andavam a canibalizar. Além das coisas da praxe (escudos, centavos e anilhas), ainda saíram dois Ceitís e parte de outro, e o meu primeiro Real e meio de D. João V. Houve também tempo para encontrar uma chave 12/13 de lunetas, uma chave em ferro, um gancho e um gancho. Um, para o cabelo, e o outro, para içar.

[Frases do Quotidiano: Para uma colega, regressada das férias:
“Ena! As férias fizeram-te bem. Vens mais magra!”
“Agora estou mais magra! Engordei 2 quilos!”
“Eu reparei. Só estava a tentar ser simpático.”]
Um grande e caloroso abraço aos que se derem ao trabalho de ler isto, e boas saídas para os detectoristas!






