Saídas Maio e Junho 2017
Delírio e devaneio, com algumas moedas pelo meio…
1ª Publicação: “Diário de um Detectorista Azarado”, em 10Jul2017.
URL: [RIP] https://eryxblog.wordpress.com/2017/07/10/saidas-maio-e-junho-2017-delirio-e-devaneio-com-algumas-moedas-pelo-meio/
Como costumo dizer: “Se as tristezas pagassem dívidas, íamos todos chorar para a porta das Finanças”. O que é bem verdade. A coisa tem andado algo fraca, em termos de detecção. É a minha esposa, lá com as coisas do atletismo e as provas, eu sem tempo para nada e o resto do universo a conspirar para me tirar as moeditas do caminho. E, como cá em casa, todas as decisões são tomadas pelos dois, sendo depois ratificadas, ou não, pela minha esposa, parece-me que fiquei sem umas oportunidades de desenferrujar a pá. Não tenho conseguido sair com tanta frequência como gostaria, mas também não se pode ter tudo.
Como qualquer comum mortal, a minha ambição é dominar o mundo. Mas a demanda não vai bem encaminhada. Ainda luto, passados quase 20 anos, para dominar completa e inequivocamente o meu lado da cama. Parece-me que sodomizar uma socialite loura em cima de uma pilha de estrume é coisa que impõem menos obstáculos.
Um dia de cada vez… Em direcção à senilidade e loucura precoces…
Felizmente, sou recompensado com uns almoços fora, com a malta lá do trabalho e umas valentes petiscadas cá por casa. É cozidos, sopinhas-da-pedra, pratadas de ameijoa, etc. Escolham tudo o que faz mal e eu lá estou, a chafurdar feliz da vida, vendo o “castrol” e os “triglípios” a trepar a escala como o Zé Castelo Branco agarrado a um burro excitado.
Eu realmente invejo as capacidades culinárias da minha esposa. Aquilo, para mim, é bruxaria! Digo isto porque eu, numa cozinha, sou tão útil como um copo de água numa taverna cheia de “seca-pipas”. Acredito que até com uma batata murcha e infeliz, mais uma lagartixa morta, ela é capaz de fazer uma sopa-da-pedra, daquelas de comer e chorar por mais. Se fosse eu, o mais provável seria a batata morder-me e a lagartixa virar zombie… Não percebo mesmo nada de culinária. Os meus ovos estrelados acabam em ovos mexidos e, uma vez, tive que telefonar para a minha esposa, que estava a trabalhar, para lhe perguntar se os ovos eram estrelados em óleo ou azeite. Como disse à minha chefe há uns dias, depois do meu aniversário, após me interrogar se eu não era capaz de fazer um bolo para levar para o trabalho, “Se eu fizer o bolo, vamos todos fazer fila para a porta das Urgências.”. É, sou um inútil em coisas de cozinha…
Aproveitei a tarde de hoje, em que tive de vir “rebocado” para Rio Maior (mais uma saída que “ardeu”), para trazer o notebook a passear e pôr, finalmente, o relato das saídas em dia.
E vamos então lá às saídas…
Saída 01Mai2017
Levei o LTC (Logo Tinha de Chover) da Blisstool a passear para uma zona já bem batida. Sabia que não iria sair muita coisa, mas a sacaninha de 5$00 de prata estava quase à superfície. Como é que, tendo passado tantas vezes naquela zona, ela escapou? Ando distraído. Está mais que visto. Até com os chumbinhos de pressão-de-ar, aquilo dá um sinal que parece que está ali um tanque de guerra enterrado.
Vejo também, ali na foto, uma medalhita. Bem castiça, a cachopa!

Saída 06Mai2017
Ia eu, todo lampeiro, a sair de casa, quando sou brindado com uma bela de uma escolopendra mesmo à porta do prédio. Ó bicho grandão!!! As que costumo encontrar, além de serem mais escuras, são também mais pequenitas. Bem mais pequenitas. Perto daquela, verdadeiras anãs! Aquela devia de ser a rainha! Voltei para trás e, armado de um frasco de plástico e sob o olhar interessado e vigilante da minha pequenita, lá a recolhi.
À noite, colocamos um pouco de terra, surrupiado a um dos vasos da minha senhora, dentro de uma caixa vazia de Ferrero Rocher e bichana lá para dentro. Fui ao Naturdata e ficamos a saber que é uma Scolopendra cingulata. Curiosamente, não é nativa desta zona. Ou é uma novidade por estas bandas, ou foi uma “prenda” que trouxemos da viagem ao Alentejo…
Volta e meia, atirava com uma mosca ou traça lá para dentro e posso dizer que a bicha não era má de boca. Comia tudo. Até se enrolar numa bola e deixar de o fazer. Vimos então que estava a proteger uma dúzia de ovos. Só a mim. Agora tenho um “galinheiro” de escolopendras…
Já não é a primeira vez que sou confrontado com este tipo de escolopendra. Há cerca de 10 anos atrás, estavamos, eu e a minha dona, de férias com grupo de amigos numa aldeia perto de Castelo Branco, quando tivemos que alçar o traseiro da cama a meio da noite porque um colega tinha uma companheira misteriosa na cama. “Éh pá. Não sei o que era. Só senti uma coisa a mexer-se na cama.”. Aposto que ele pensou em assombrações, ou coisa do género.
Tiramos a roupa da cama e, uns abanões e chocalhões(?) depois, ei-la que surge, a trepar parede acima. Ainda era maior que esta! Também foi cuidadosamente recolhida, porque a mordida dela não é pêra-doce.
E já me perdi… Pois, a saída.
Voltei a sair com o Blisstool, mas para experimentar noutra zona. Com mais mato, ainda estive para desistir, mas quando saiu um Dinheirito, resolvi sacrificar mais um pouco os meus tímpanos e paciência, e ficar mais uma horita. Podia ter sido mais produtivo se tivesse levado o Racer. Chia menos.

Saída 13Mai2017
Mas não. Voltei lá com o Blisstool. Isto vai de mal a pior.

Saída 20Mai2017
E lá ganhei juízo e fui para outras bandas. Armado com o fiel Racer, propus-me a explorar um amplo vale, em busca de mais um trecho de caminho perdido na história. Assinalei duas “ilhas” de achados medievais perto de ambas as extremidades do dito vale, pelo que seria lógico que, algures por ali, houvesse um caminho.
Conheço aquele vale desde a minha infância. Era bastante popular para piqueniques nos longínquos anos 80 e 90. Mas, um nefasto dia, o pinhal foi cortado e as viagens de fim-de-semana para relaxar à sombra acabaram-se para todos.
Optei por andar aos “ésses”, a ver onde haveria maior predominância de achados interessantes. Dá para ver, pela foto, que há lá qualquer coisa…

Saída 21Mai2017
E lá voltei, no dia seguinte. Continuando aos “ésses”, lá fui catando uma resma de escudos e pedaços de papel-prata, fruto de muitos almoços à base de frango assado no século passado.
Mas a peça interessante da saída foi o sinete em prata. O G., um arqueólogo de mente aberta, apontou que talvez fosse da famelga Tavares ou uma derivação. Ignoro a que família aquilo pertenceria, mas não deixa de ser uma boa adição ao meu espólio.
Para obter uma ideia de como seria o brasão, depois de o fotografar, fiz um “mirror” e coloquei a foto em negativo no PaintShopPro. Tão bom como a foto de uma impressão em lacre ou cera. O que me leva ao episódio que contei há pouco ao camarada Lino, via Messenger, quando apontou que o sinete era “engraçado”.
Anteontem, estava a minha senhora com um tachinho ao lume, com um pequeno recipiente a boiar dentro de água, cheio de cera a derreter. Pelo aparato, estava mais que visto que ia “fazer a barba”. Na verdade, são meia dúzia de pelitos invisíveis sobre o lábio. Mas, como bom português, não podia deixar de aproveitar a oportunidade. Lembrei-me de fazer uma impressão do sinete.
Sobre um pedaço de papel, lá derramei um pequeno naco de cera quente e coloquei o sinete sobre aquilo, à espera que arrefecesse. Volvidos uns minutos, tentei tirar o sinete. Erro crasso. O sinete não se queria descolar. Torce daqui, torce dali, e lá acabei por o tirar, ficando com uma gosma agarrada à peça. Se a gosma queria sair? Nem por isso. Depois de uns minutos com um palito a tentar tirar aquilo, lá me conformei e tive que o pôr dentro de água a ferver. Ficaram umas bolinhas de “gordura” a boiar na água, mas lá me livrei daquele mau serviço. Conclusão: cera depilatória não é cera.

Saída 28Mai2017
Mais uma investida ao vale. Mais uns escudos e pouca coisa de interesse. Excepto pelo ninho, daquilo que me pareceram vespas, que desenterrei. Desta vez, vi logo que estava a cavar onde não devia. Nada como pôr-me ao fresco antes que elas me vissem! Uns minutos depois, lá fui tirar a foto da praxe.

02Jun2017
Não foi uma saída em detecção. Mas aqui aterra na mesma.
Durante a manhã, lá no trabalho, apercebi-me de que um sardão tinha assentado arraiais junto ao portão do armazém. Como lá dentro, os funcionários são quase todos do sexo feminino, podem adivinhar que não tardaria muito para o pânico se instalar. Antes que alguém se lembrasse de dar umas vassouradas no bicho para o mandar desta para melhor, lá me convenci de que, para preservar o sardão, teria que o levar dali para fora. Manobra daqui e manobra dali, e lá o encurralámos no cano de escoamento de água que passa sob a rampa de entrada. Enquanto eu aguardava na saída do cano, um colega despejou um balde de água quente na outra ponta. A água nem estava muito quente. Também, o objectivo não era cozinhar o réptil. Mas era quente o suficiente para o incomodar. O sardão sai direitinho para as minhas mãos. E toca a ir para dentro de uma caixa.
Ao fim do dia, lá fomos todos, num autêntico passeio familiar, soltar o sardão num pinhal remoto.
Estava a ver que ainda tinha que ficar com o sardão lá em casa, dentro de um aquário, tal era o interesse da minha pequenita pelo bicho. Tendo-o bem seguro, lá permiti que ela lhe fizesse umas festas nas costas. Muito gosta ela de bicharada! A quem sairá ela? :-)
Enquanto a minha esposa filmava com o telemóvel, lá soltamos o bicho, para o que eu espero que seja uma vida longa longe de humanos.

Saída 04Jun2017
Como não sou de desistir com facilidade, lá voltei para o vale. Dois meios reais pretos de D.Afonso V. Mais a costumeira pazada de escudos. Podia ser melhor, mas também podia ter partido uma perna.
Quando já estava a caminho de casa, numa estrada secundária, vejo ao longe um monte de algo e as marcas de uma longa travagem. Quem viu aquela cobrinha (tá bem, teria pouco mais de 1 metro) na estrada, deve ter apanhado um valente susto, a avaliar pela travagem a fundo. Quis o destino que uma das rodas estivesse a travar em cima da cobra, que “pintou” o alcatrão durante uns metros. A coitada ficou estraçalhada. Lamento a situação, mas, infelizmente, já me aconteceu o mesmo com um cachorrinho que resolveu mudar de faixa, justo quando eu estava a passar por ele…

Saída 10Jun2017
Mesmo vale, mais escudos e tralhas várias. Felizmente, houve um Pataco para me dizer que não tinha andado a perder tempo. Isso, e o facalhão do Rambo! Se o Rambo for um tipo de 30 centímetros de altura…

Saída 11Jun2017
Um pouco desapontado com o vale, coloquei-o em standby por uns tempos, para sondar outros pedaços de pinhal. Nem fui para muito longe de casa, e nem esperava grande coisa, mas até que fiquei agradavelmente surpreendido com o resultado. Os escudos continuam a aparecer, mas também, eles aqui aparecem por todo o lado. Mas também saíram umas coisas interessantes. Além das moeditas da monarquia, é claro, uma peça que não sei se será botão, ou brinco, ou berloque. É trabalhado e completamente oco. A cabeça do que me parece ser um macaco ou cão também me parece interessante. E, realmente, tinham saudades minhas, as FDP das de 2$50 em prata. Para desforra, saíram logo duas.
E um bruto de um sinal, que se revelou num estojo. Lá dentro, uns óculos à lá Dumbledore…

17Jun2017
Também não houve saída. Mas foi um dia importante. Dia da prova de atletismo, da qual este Blog foi um dos patrocinadores. Os outros blogues andam à procura de patrocinadores, e eu, com o Blog, ando a patrocinar. Só eu…
Aproveitei para dar um passeio com a minha pequenita e posar para uma foto. Foi uma bela tarde.

Saída 18Jun2017
Para matar saudades de uma zona outrora produtiva em termos de moedas, e balas também, lá fui eu. Pá às costas e detector em punho.
Nada de especial, para o lado das numismas. Saiu uma romana escangalhada e uma medalha inglesa. Quando a vi, até fiquei um pouco aparvalhado. Aquilo era nitidamente outro metal que não prata, e, vendo a cruz com o admirável “IN HOC SIGNO VINCES” lá escarrapachado, tive que arquear as sobrancelhas. Virando a peça, vejo uma tipa do outro lado. Noto também que por cima da coroa da moça estavam os vestígios que assinalavam que ali tinha estado um pendente. Uma medalha, portanto.
Ao passar por um cruzamento, onde volta e meia encontrava uma ou outra “bruxaria”, recebo uma série de sinais a cair para o ferroso. Adivinhei logo que havia por ali cêntimos, à semelhança de ocasiões anteriores. 6 moeditas de 1 cêntimo. Amaldiçoei a minha falta de sorte, por não ter passado lá na altura em que o aparato estava montado. Os tipos das motos, jipes e tractores já tinham desfeito aquilo tudo. Gosto de cuscar nestas coisas quando as encontro.

Saída 24Jun2017
Férias! Uma semana inteirinha de férias! “Isto é que vai ser detectar!”, pensei eu. Foi logo no Sábado, para ganhar balanço.
Voltei ao vale dos piqueniques, para continuar a demanda pelo caminho.
Pelos achados anteriores, já tinha apontado a parte norte como a mais provável. E saiu mais uma porrada de escudos! Está bem, também saíram umas coisitas mais antigas que os escudos, mas esperava francamente mais… V Réis de D. José e vá lá, vai. Não tenho sorte nenhuma, nestas coisas.
E lá voltei a tropeçar em mais vespas. Estas tinham a “tasca” abancada no meio do mato seco, bem rente ao chão. Ia a abanar a coil quando vejo uma nuvem de demónios amarelos e pretos a levantar voo. Ó patas, para que te quero! Larguei a pá, o detector e só não larguei as calças porque tinha o cinto! Mas que bonita figura a minha. Quem me visse a fugir naquele dia, pensaria decerto que eu era doido (mais ainda?). A uns 30 ou 40 metros, parei e fumei um cigarro, sentado, enquanto esperava que aquela maltinha exaltada se acalmasse. Passado um bocado, lá fui tirar as fotos da festa. Pé ante pé, fiz o serviço, peguei no detector e na pá, e ganhei alguma distância.
No fim, já a caminho do carro, vejo ao longe, um casal a seguir pelo caminho. Nada de muito estranho, não fosse pela intimidade que demonstravam. Muito juntinhos, a ensaiar uns golpes de kung fu na brincadeira, aquilo parecia-me que ia acabar numa sessão de sexo escaldante, algures naquele pinhal.
Mais perto do carro, e do casalzinho, tive que esboçar um sorriso de espanto. O membro do casal que eu pensei ser a mulher, pelo seu aspecto mais fanzino e cabelo comprido, era afinal outro tipo!!! Como já tinham notado a minha presença, até que se estavam a comportar decentemente. Mas depois do que eu já tinha visto, nem em mil anos eu ia acreditar que eram apenas colegas ou amigos. Talvez amigos coloridos, pintados à trincha… Se tivesse resolvido dar a saída por terminada um pouco mais tarde, ainda acabava por dar com eles a barrar o rabo um do outro com manteiga.
Isto há dias… Com estas coisas, um dia destes ainda fico com uma disfunção eréctil…
O que vale é que temos a Érica Fontes. Mas, a partir de uma certa idade, o Vaticano não deve considerar as erecções espontâneas e misteriosas como um milagre. Claro que, se o Papa vir alguns clips de vídeo onde a moça participa, talvez diga que: “Eh pá. Se calhar temos que pensar melhor nisso da canonização.”. Mas, pelas notícias de festarolas da salsicha lá no Vaticano, o Papa deve ter poucos apoiantes. Se fosse um gajo bom, os bispos e cardeais começavam logo a babar-se todos. Mas como é uma mulher…
E que estou eu para aqui a dizer??…

Saída 28Jun2017
Pensava eu que ia sair todos os dias, mas o saber que estaria parado uma semana, fez cair sobre mim uma verdadeira enxurrada de preguiça. Houve dias que nem à rua saí! Mas, eis que a vontade se manifesta…
Voltei a concentrar-me na parte norte do vale, num passo mais calmo e dando atenção aos sinais “mais fundos”, as catraias que eu procurava lá começaram a sair. Parece bizarro, mas as da monarquia saíam, não no vale, como eu esperava, mas mais ou menos a meia encosta. Pareceu-me um trajecto algo estranho e disparatado até, uma vez que, olhando para a topografia, não era o caminho mais fácil. Mas era lá que elas estavam e seria lá que teria de as procurar.
Mais escudos, mas também já estava à espera deles.
Mas, depois de X Réis de D. Maria I e D. Pedro III, de 1778, 1 Real Preto e outro ½ de D. Duarte, um pedaço de um Dinheiro de D. Sancho II, dois Ceitís e mais uma bela medalha religiosa, posso dizer que vim aviado.
E também alombado!
Encontrei mais uma cunha. Esta foi a maior que desenterrei até à data. Meti-a dentro de um saco e mochila com ela. Ao fim de uma hora já estava a andar de lado!

Saída 29Jun2017
Última saída do mês e desta série.
Claro que tinha que lá voltar. Concentrando-me exclusivamente na encosta, lá saíram mais umas coisitas.
Os X Réis de D. José não estão grande coisa. Nem a data completa se descortina. Mais dois Ceitís, ambos de D. Afonso V, um Real e meio de D. Pedro II, 1699, a dar para o mauzito e X Réis de D. Maria II, 1845, para fechar a saída. Ia com esperanças de mais, mas foi o que calhou na rifa…

[Frases do Quotidiano: Entro no escritório, e, com alguma lata, sento-me na secretária de uma colega ausente. Apontando para o computador à minha frente, pergunto à minha chefe: “Onde é que se joga o Farmville nesta coisa?”]
Um caloroso abraço a todos e boas saídas para os detectoristas!
