Saídas Abril 2017
O cadáver vivo, “vejam se há mais” (2x) e um convívio interessante.
1ª Publicação: “Diário de um Detectorista Azarado”, em 02Mai2017.
URL: [RIP] https://eryxblog.wordpress.com/2017/05/02/saidas-abril-2017-o-cadaver-vivo-vejam-se-ha-mais-2x-e-um-convivio-interessante/
Mais um mês terminado e mais uns cabelitos que se foram com o passar dos dias. O vento também ajudou.
Vem algum calor e os personagens sui generis começam logo a sair da toca. Já os começo a encontrar, aqui e acolá.
Metade das saídas deste mês foram quase todas feitas com o Blisstool, e a coisa até que vai bem encaminhada, em termos de aprendizagem, a trabalhar com uma máquina que apita feito doida até com os minúsculos chumbinhos dos cartuchos de caçadeira. Como os pinhais que frequento já foram zona de caça, bem podem adivinhar o martírio. Pelos sinais do Blisstool, parece que o terreno está minado de Patacos!
As restantes saídas, foram, é claro, para o Racer, que hoje levou a passear a sua nova coil, a RC40, de 40x33cm de diâmetro. E até que se portou mais ou menos bem, mas isso fica lá mais para o fim.
Agora, vamos puxar do livrinho onde escrevo o rascunho das saídas e passar para aqui.
Saída 1Abr2017 – O cadáver vivo!
Foi logo para começar o mês em beleza.
Tardinha simpática, com Sol e uma aragem fresca. O tempo ideal para começar a encontrar coisas dignas dos Ficheiros Secretos…
Ia eu, muito entretido na minha vidinha de detectorista, quando, ao longe, avisto uma massa que me pareceu ser um daqueles sacos do lixo, cheio do que quer que fosse.
Continuando o meu rumo, lá me vou aproximando, e constato que afinal, o que quer que aquilo fosse, era tecido. Bem mais perto, levo um daqueles sustos! Ganhei mais uns cabelos brancos e, um punhado dos que se recusam a mudar de cor, aceitaram de bom grado divorciar-se do meu escalpe. E o meu coração quase que me salta do peito, fugindo com a minha carteira, para ir ao LIDL comprar rabanetes.
É por estas e por outras que a minha cabeleira está a ficar muito rala…
Aninhado em posição fetal, de costas para mim, vejo um corpo. Sim, um corpo de pessoa humana (tanta redundância…). “Só a mim é que acontecem m*rdas destas! Mas que fiz eu, para andar agora a encontrar mortos no meio do pinhal?”.
Apesar de ter levado um susto, não entrei em pânico, nem desatei a correr com os braços no ar, enquanto gritava como uma peixeira histérica. Mas fiquei deveras incomodado com a situação.
Cautelosamente, aproximo-me, receando que o outro lado do corpo estivesse num estado lastimável. As costas da camisola tinham uma boa quantidade de caruma (as folhas do pinheiro) agarrada, o que não era bom prenúncio.
Pé ante pé, lá me aproximei mais e soltei um tímido “Boa tarde.”. Nada. Mais alto, “Boa tarde.”. O homem acorda sobressaltado e eu, estando já acordado, sobressalto-me também.
Afinal, estava apenas a tirar uma soneca!
Apresentações algo atabalhoadas e fiquei a saber que o senhor, na casa dos 60, já faz estas andanças pelo pinhal há uns anos. Temos andado desencontrados durante todo este tempo.
Costuma dar o seu passeiozinho pelo pinhal ao fim-de-semana, e disse-me que já não era a primeira vez que tirava uns minutos para “hibernar”. Perguntou-me então se o carro que umas vezes está aqui, outras, lá ao fundo e outras, no caminho para “acolá”, era o meu. O que é verdade. Sou um bicho de hábitos…
Refeito do susto, lá me despedi e segui na minha faina, tendo olhado para trás, quando já me tinha afastado um bom bocado, para o ver, sentado, a olhar na minha direcção.
Encontros estranhos, estes!
Quanto aos achados da saída, a coisa até que não correu muito mal, para quem esperava pior. Um Ceitil, metade de um Dinheiro e um terço de outro, além de uma bolacha lisa e outras cangalhas.
Encontrei também uma pequena anilha e, depois de alguma pesquisa no Google, acabei por a reportar à EURING, tendo dois dias depois uma resposta. O passaroco era um Phylloscopus collybita, ou Felosa-comum, na linguagem do povo, anilhada em Courcelles-sur-Seine, no norte da França, em 30 de Agosto de 2013. RIP
E, como lembrança desse dia, trago também o episódio em que uma conjunção de factores quase dão origem a um situação caricata.
Tinha tirado o som ao telemóvel, que entrou automaticamente em modo vibração, e tendo o cinto das calças mais frouxo que a pele dos testículos de um idoso, eis que alguém se lembra de me ligar. Aquela coisa dá em vibrar com tal intensidade que me estava a arrastar as calças para baixo. Tive que me rir!
E era apenas mais um tipo da NOS a tentar vender a banha da cobra. Foi prontamente despachado com o desligar da chamada.
Primeira leva de fotos. Se as conseguir encontrar…

Saída 2Abr2017 – Mais uma zona testada.
É, mais uma zona testada. Nada como andar à procura de novas “coutadas” para detectar. Esta não me parece muito má.
Tive o azar de, ao tirar o Racer do carro, reparar que a coil estava a abanar como o pénis flácido e engelhado de um geriatra impotente. O raio do parafuso estava partido! E era o último que tinha em condições!
Saco de dois atilhos e lá me empenho em resolver a situação. Nem é que aquilo fosse um trabalho de minúcia, mas parecia que as minhas mãos eram só polegares, de tão desastrado que eu estava. E lá consegui colocar dois atilhos, um de cada lado da haste, passando pelo furo das “orelhas” da coil. Quase tão bom como o parafuso! E assim vou andar com o Racer, até ao dia 30, quando finalmente coloco um parafuso novo. E uma coil nova…
Os V Réis de D. Sebastião são dos melhorzitos que apanhei até hoje. Bons detalhes e boas legendas, em comparação com os que costumam sair.
Fotos, fotos…

E a reparação provisória…

Saída 8Abr2017 – Mais um trecho entre dois “ninhos”.
Seleccionando mais uma zona entre dois “ninhos”, onde encontrei umas quantas moedas da 1ª e 2ª Dinastias, lá fui eu meter o bedelho no mato. Ó plantas manhosas e espinhudas (esta palavra existe?). Suspeito que alguns daqueles tojos eram, inclusive, carnívoros.
Mas, pelo meio daquele pesadelo de espinhos e das malditas das mini-moscas, raio que as parta a todas, lá consegui tirar umas coisitas. E, no meio daqueles dinheiritos e do Real de D. Sebastião, 2 Cêntimos… Não me perguntem como eles lá foram parar, porque pareceu-me que ninguém no seu perfeito juízo lá fosse meter os pés. Bem, talvez eu…

Saída 9Abr2017 – Devia de estar a dormir.
Nem me lembro para que zona do pinhal esta saída foi. Posso ir consultar o GPS, mas, nos meus apontamentos, apenas está a data. Mas não se deve de ter passado nada de especial… Ainda assim, saiu um Dinheirito.

Saída 14Abr2017 – Aqui já me lembro…
Na verdade, nem por isso. Estou a consultar os apontamentos… Fui mais um pouco para a zona da saída do dia 8. Numa área um pouco mais elevada, muitíssimo mais limpa de mato, dei asas ao Blisstool e até que saíram umas coisinhas.
Dois Dinheiros, ½ Real Preto de D. Duarte e, para me matar a cabeça até o identificar, um pedaço de ½ Real Preto de D. Afonso V…
E mais umas anilhas de pombo-correio… Como alguém comentou no Fórum, isto efectivamente parece o Triângulo das Bermudas para a pombalhada.

Saída 15Abr2017 – O regresso do “cadáver vivo” e “vejam se há mais”.
Andava eu à já quase uma hora a tentar fazer alguma coisa com o Blisstool, com resultados miseráveis, resultado de algumas plantecas que se esticavam para tocar na coil e fazer o LTC (Lopes, o Terror das Cabras) gemer de prazer.
Tomo o rumo para uma zona mais limpa de vegetação, na esperança de que o sacana do detector fizesse então jus à sua fama, quando, lá bem ao fundo, por entre os pinheiros, vejo alguém a caminhar na minha direcção. Espreitando sob a pala do boné, noto que é alguém já com alguma idade. Passo lento, mas decidido, o homem lá se ia aproximando de mim. Fiz de conta que não me tinha apercebido da sua presença, tanto, que o homem ainda vinha longe. A uns 20 metros de mim, o senhor para, ficando a apreciar a minha pacata actividade. E eis que chego até ele.
Vi de imediato que era o senhor que tinha encontrado a dormir no pinhal há duas semanas atrás. Interroguei-o acerca disso e ele confirmou.
Conversa puxa conversa e acabei por ficar quase meia hora em amena cavaqueira com ele.
Os passeios pelo pinhal já são uma coisa que faz há uns anos, mesmo não tendo agora os antigos companheiros dessas passeatas.
Quando lhe disse que o que mais gostava de encontrar eram moedas, ele sai-se com o “são quase todas minhas!”. Sorri, para não me escangalhar a rir. Sentava-se com frequência, disse ele, dormindo muitas vezes, e o que quer que estivesse nos bolsos, acabava por lá ficar. Expliquei-lhe que seria difícil que moedas com mais de 400, 500 anos, fossem dele.
Fiquei também a saber que, para ele, caminhos antigos, são trilhos com cerca de 50 anos. Nesse aspecto, não contribuiu muito para o meu trabalho acerca dos antigos percursos.
Tive então que lhe explicar como operava aquela estranha máquina e pareceu-me genuinamente interessado.
E lá fomos, cada um para seu lado.
Se já andamos ambos pelo pinhal há uns anos, e nunca nos encontrámos, depois de dois encontros no espaço de duas semanas, suspeito que o voltarei a ver. Qualquer dia, começamos a levar carcaças de pão e nacos de chouriço para partilhar… Estou ansioso para ver o álbum de fotografias da família toda, até à 5ª geração…
Bem, dizia eu que tinha seguido com a minha vidinha. Uns 10 minutos depois, ainda à espera da primeira moedita do dia, ia eu a subir uma encosta que, sejamos francos, já foi exaustivamente batida nestes quase três anos desde que me comecei a dedicar à detecção mais a fundo, quando, ao passar a coil sobre umas pequenas urzes, tenho um hit. Som curto e agudo. Ferro não era! Piso um pouco as urzes para obter uma leitura mais clara e desfazer a dúvida se não seria um falso alarme, e estava mesmo ali alguma coisa. E, logo à primeira pazada, depois de andar para cá e para lá com a Pointer, encontro o que me pareceu ser um pequeno botão esbranquiçado. Mas não. Era um Vintém de Esfera. Tem um furinho, mas continua a ser um Vintém. O terceiro que encontrei, depois de anos à míngua. Curiosamente, todos nos últimos seis meses. Antes disso, nada.
Toca a marcar as coordenadas no GPS e, tapado o buraco, é continuar o caminho.
Muitos sinais ferrosos e interferências várias. Mas houve um sinal que me deixou com a pulga atrás da orelha. Volto para trás e, limpando um pouco a zona, lá fiz uma espécie de pin-point e cavei. 1 Real Preto de D. Duarte. Sei que não são moedas que saiam todos os dias e até que me posso gabar de já ter encontrado uma boa quantidade de peças de D. Duarte. Está bem, está bem, é tudo Reais e meios Reais, mas, ainda assim…
Continuo e chego a uma das zonas que tinha marcadas para uma detecção mais lenta, curiosamente, onde no dia anterior tinha encontrado meio Real do dito D. Duarte. Mas a única coisa que por lá encontrei foi mais uma anilha de pombo-correio.
Começo a descer pelo caminho, mais que assassinado pela constante passagem de tipos montados em motos, moto 4 e jipes, quando tenho um sinal, que, não sendo sequer muito interessante, me levou a investigar. Já ali tinha passado algumas vezes, com o Racer, e não me recordava de ele alguma vez ali ter apitado para o que quer que fosse. Bizarro. Era um Dinheiro, mesmo à superfície, coberto apenas por pó e uns grãos de areia.
Está a fazer-se tarde e tomo o rumo mais curto para o carro. Na encosta de um pequeno vale, vejo, à minha esquerda, os vestígios de um buraco, que, estando mais ou menos tapado, deixou-me curioso. Sabia que não era um dos meus, pelo ângulo de penetração da pá (eu enterro a pá num ângulo de 90 graus, e aquele tinha um ângulo visivelmente menor). Passo a coil sobre a área e sou brindado com um sinal “saudável”. Pensei de imediato que, apesar de o sinal ser de “coisa boa”, estava ali o lixo que alguém havia cavado e voltado a enterrar.
Cavo e sai um Real Preto de D. João I. “Mas que porra? Não conseguiram dar com ele?”, interroguei eu.
Como é meu hábito, passo também a coil num raio de pouco mais de um metro ao redor do buraco e, milagre, a uns três palmos, mais um sinal, que se materializou em mais um Real Preto de D. João I.
Lembrei-me então de que, há uns bons meses, um camarada de detecção, quando foi a hora de mostrar os achados, apresenta um Real Preto do rei atrás mencionado, que tinha encontrado “numa encosta ali atrás”.
Pois, encontrou um, mas ainda lá deixou mais dois.
Fica uma dica: “Vejam se há mais!”.
Hehehe… Quando falar com ele, hei-de atormentar aquela cabeça. Isso, e o facto do Sr. Mendes o ter transformado num peixe. Mas isso já são outras conversas…
Umas fotos, algures…

Saída 22Abr2017 – Esta foi fraca.
Pois, foi fraquita, esta saída. O LTC (a Lucas Tem Chatos), por esta altura, já devia de ir buscar as moedas sozinho e desenterrar as ditas, enquanto eu ficava deitado à sombra a beber uma mini.

Saída 25Abr2017 – Esta, então…
25 de Abril, Dia da Liberdade e Dia de Zero Moedas. Devem de ter ido todas festejar para outro lado. Até agora, e apesar da fivela, considero esta a pior saída do ano. Se calhar já houve piores, mas a memória é fraca…

Saída 29Abr2017 – Um ajuntamento lá para os Alentejos.
[Foi-me pedido que desse o mínimo de dados possíveis quanto a este dia em particular, pelo que este relato poderá ser um pouco estranho pelas suas lacunas e imprecisões propositadas.]
Dia do aguardado encontro de alguns detectoristas nas planícies portuguesas. Grupo reunido para que se pudessem juntar uns quantos aficcionados, e, além de se trocarem experiências, partilhar também alguma coisa com outras áreas nas quais a detecção de metais toca…
A grosso modo, era apenas um encontro de lazer e boa disposição entre o pessoal.
Tínhamos (eu e a Marta, a minha esposa) que estar às 9 da matina no ponto de encontro, e, segundo o GPS do carro, a viagem ainda iria demorar 2 horas e meia, pela autoestrada, pelo que toca a levantar o traseiro da cama às 5 e tal da manhã.
Coisa difícil, para mim. Eu, de manhã, seja cedo ou seja tarde, para acordar, quase que é necessária uma sessão espirita. Mas lá me levantei, acreditando que mais parecia um zombie que trabalhava para um senhor feudal…
Carregado o carro, eis que arrancamos e, depois de duas paragens pelo caminho, para repor os níveis de cafeína, lá chegámos aos Alentejos.
É quase como os Pirenéus, mas mais baixinho. Muito mais baixinho. Acho que as maiores elevações que encontrámos foram umas lombas na estrada, já dentro da cidade.
A malta vai chegando e, sejamos honestos, não era difícil de descobrir onde estavam os detectoristas no meio do local de encontro. O detectorista é um bicho que se topa a quilómetros!
A maioria eram já caras conhecidas e foi muito agradável rever alguns rostos. Bons, se bem que curtos, momentos de cavaqueira, até à chegada dos últimos convocados.
Alguns momentos de conversa bastaram para que me rendesse e afastasse quaisquer reservas que pudesse ter quanto a dois ou três apaixonados pelo hobby.
Fiquei algo desiludido por não ver ali a Érica Fontes. Sempre seria mais interessante! Ela é daquelas mulheres, perto das quais um homem está sempre direito. Aposto que é só marrecos a bater-lhe à porta!
Mas, adiante, que tinha ali a minha esposa e não me podia esticar muito.
Como em tudo, é claro que houve regras a seguir. Mas essas regras não entravam em conflito com a paródia e com o que todos queriam. Ligar o detector.
Eu fiquei um pouco para trás, reunido com um senhor impecável, que me identificou os selos de chumbo (a quem ainda ofereci um, após mo ter solicitado para fotografar), e um arqueólogo convidado, que me deu preciosas dicas quanto à datação e identidade de algumas coisas que levei para esse propósito. De mente aberta, é um tipo às direitas. 5***** para ele!
E por ali andamos, a dar asas aos detectores durante um bocado. Eu levei o Racer, tendo a Marta levado o EuroAce, que, pela sua simplicidade, é o mais adequado para uma pessoa que usa um detector pela terceira ou quarta vez.
Ninguém encontrou nada de muito interessante, mas o objectivo também não era esse. Era suposto encontrarmos os 30 tokens que o organizador tinha enterrado, algures por ali. Se não me engano, apareceram 5 ou 6. Entre nós os dois, metade de um chocalho do tipo “crotal bell”, um pedaço de outro, tipo “sino”, e uma pequena chapinha de chumbo. E algum lixo moderno, é claro. A Marta ainda se entusiasmou quando um enorme coelho arrancou de perto dela, mas tenho a certeza de que ela, mesmo sendo atleta, ficava bem para trás. O raio do bicho orelhudo parecia uma seta!
Toca a reunir e a comer qualquer coisita. Aproveito para comprar uma coil maior para o Racer, que já estava encomendada, 4 parafusos, também para o Racer, e uma t-shirt com “Dormir | Comer | Detectar”. Era para a Marta, pelo que pedi um S. Em casa, vimos que era um L, pelo que acabou por ficar para mim.
Vem então uma pequena visita a um solar, que estando muito alterado, ainda é coisa bonita de se ver.
Há uma distribuição de prémios pelos sortudos que encontraram alguns tokens (como sou muito dado a essas coisas da sorte, é claro que não me calhou nada) e um sorteio. Aí sim, já fui bafejado pela sorte. Uma t-shirt idêntica à que um senhor que conduz um Mercedes bege, tinha oferecido à Marta, por ter tido o descaramento de pôr os pés no meio daquele grupo de doidos. (Isto é difícil, sem nomes, ó organizador!)
Vem um lanche ajantarado (foi o nome que lhe deram). O raio do queijo das entradas era bom que se fartava. Se pudesse, tinha feito o lanche ajantarado à base daquele queijo!
Mais uns trechos de conversa e partilha, e a famigerada hora da partida chega para nós.
E lá tivemos que fazer mais duas horas e meia de viagem, quando o que me apetecia era ficar mais umas horas a aprender. Não se pode ter tudo!
A Marta gostou da experiência de detectar com um grupo maior, ao invés de ter apenas a companhia do nabo que está a escrever…
Já agradeci a simpatia com que ela foi recebida num meio formado quase exclusivamente por homens, e, que tenha notado, não vi ninguém masturbar-se atrás de uma moita. Os meus agradecimentos e um caloroso abraço a todos os presentes no convívio.
E a foto dos achados é… esta.

E eu, com a Marta, a sacudir o pólen das flores…

Saída 30Abr2017 – Teste da nova coil para o meu Racer e “vejam se há mais” (parte 2).
Dia de testar a última aquisição para o Racer, a coil 40x33cm, denominada de RC40. Trambolho a dar para o grandito, e o peso também não é o melhor. Mas é o que temos…
E para o testar, aproveitei para testar também uma zona, para tentar avaliar as suas potencialidades.
Assim que saí do carro, montado e ligado o Racer, enquanto afinava as configurações, já estava a apanhar algo. Saíram logo 50 Centavos, bem ali à beira do carro! “Bem, pelo menos, centavos a gaja apanha.”.
E fui andando por ali fora, sem rumo definido, mais às apalpadelas.
Notei de imediato que a configuração que costumo utilizar não era a mais adequada. Gosto de ter o Racer sempre em “ponto-rebuçado”, a gemer ao mínimo sinal, mas, com aquela coil, ele não gemia. Berrava!
Tenho sempre o Gain no 90, 90 e poucos, com o Threshold entre os 45 e o 50. Podia ter baixado o Gain, mas optei por reduzir o Threshold para uns modestos 35, onde ele me pareceu um pouco mais estável. Ainda se queixava, mas menos. Lembrei-me de um conselho que me tinham dado no dia anterior. Reduzir o Threshold para 10. “Tá doido.”, pensei eu. É suposto o Threshold dar mais alguma profundidade, mas nada como experimentar.
Deitei o Racer no chão e fiz um air test. Com o Threshold a 35, começava a detectar de modo audível a pá a pouco mais de 1 metro. Com o Threshold a 10, a distância era exactamente a mesma, mas havia uma clara diminuição no volume do sinal. Fiquei com a ideia que tinha ali mais um potenciómetro de volume. Mas tenho que experimentar com um alvo enterrado. Talvez as coisas sejam diferentes…
Voltei a colocar o Threshold no 35, e aí vou eu.
O sinal seguinte foi o de uma anilha de pombo-correio. Os valores eram mais saltitantes do que com a coil normal do Racer. E em valores mais elevados.
No topo de um cabeço, mesmo lá no topo, o Racer suspira mais um sinal. A saltar entre o ferroso e os 80 e muitos, ainda estive para o considerar “lixo” e seguir em frente. Normalmente é um pedaço de ferro mesmo muito enferrujado. Mas, como estava a testar a coil, tinha que aprender a trabalhar com ela. Cavo, cavo e cavo. Quanta mais areia tirava, mais estável ficava o sinal, subindo os valores de ID. E, a cerca de duas Pro-Pointers de profundidade (é quase meio metro), lá estavam V Réis, muito amassadinhos mesmo. Parecem ser de D. Sebastião, mas não há certezas naquele sabonetinho.
Se deu com ela bem fundo, ó se deu. Mas o feedback da coil deixou algo a desejar. Cavei, mas podia ter ignorado aquele “lixo”. Neste caso, a curiosidade compensou, se bem que podia ter saído coisinha melhor.
Um pouco mais abaixo, novo sinal. Este, mais estável, na casa dos 70. E saem XX Centavos. Volto, como é costume, a passar a coil sobre o buraco e tenho um novo sinal, este, na casa dos 50 e poucos. Adivinhei uma moeda de 2$50, mas eis que sai um Dinheiro. Duas moedas tão díspares no mesmo buraco!
Por isso, volto a repetir: “Vejam se há mais!”.
Mais uma moedita aqui, um lixito ali, e a coisa assim se foi passando.
E, quase encostado a um pinheiro, outro sinal a dançar entre o ferroso e os 80 e poucos. Lembrei-me, é claro, dos V Réis. Cava daqui, cava dali, e, para meu espanto, lá encontro com a Pro-Pointer a cerca de 20 cm de profundidade, V Réis, igualmente amassados. São, ou de D. João V, ou de D. José. A moeda tinha a particularidade de estar ao alto. Ainda assim, a coil regular teria apanhado aquela moeda nas calmas, com valores de ID mais realistas.
Não posso dizer que tenha ficado desapontado com o desempenho da RC40, mas o peso é uma coisa a levar em conta. Ao fim de duas horas, tinha o braço dorido.
Nada como sair mais umas vezes com ela, para avaliar se realmente compensa andar com um peso extra. Vamos a ver…
E mais uma foto, para a despedida.

[Frases do Quotidiano: Um colega, autêntico Cro-Magnon em coisas de informática e tecnologia, acerca do drama de ter partido o ecrã do tablet.
“- O vidro rachou, mas não deitou tinta…”]
Um abraço a todos e boas saídas!
