Saídas Março 2017
O tipo que não gostava de postes em cimento, mais umas divagações e um mês estranho…
1ª Publicação: “Diário de um Detectorista Azarado”, em 07Abr2017.
URL: [RIP] https://eryxblog.wordpress.com/2017/04/07/saidas-marco-2017-o-tipo-que-nao-gostava-de-postes-em-cimento-mais-umas-divagacoes-e-um-mes-estranho/
Mais um mês estranho, o de Março.
Tenho andado mais cansado que um mentecapto a quem dão o trabalho de varrer toda a areia de uma praia. O tempo não me chega para nada! Há um milhão de coisas que gostaria de fazer, mas o dia parece-me muito curto para isso. Já durmo pouco… Bem, menos ainda. A minha média são 6, 7 horas por noite. Mas, ultimamente, é bem menos. Tanta coisa para “estudar” e outra tanta para fazer. E só posso fazer essas coisas bem depois do Sol posto, quando as minhas “Marias” já estão no choco…
Felizmente, há aquelas escapadinhas ao fim-de-semana, com o detector. Sempre venho com as ideias um pouco mais arejadas e o corpo um pouco mais são. Bem, na verdade, venho é mais suado que um gordo que esteve numa sauna gay, com o calor que tem feito por estes dias…
E, num tom algo mais amargo…
A comunidade dos detectoristas continua dividida, e parece que nos últimos tempos o mote tem sido andar à batatada. Isto há tipos com cada ideia e atitude! E ficam espantados quando descobrem que as coisas não são como eles acham que deviam de ser. A burrice e a grunhice de braços dados, na cabeça de alguns que se acham detectoristas. Por meia dúzia deles, vai um dia destes a comunidade em peso, pagar.
Quando se começa a colocar o carro à frente dos bois, descobre-se mais tarde que não se vai muito longe, e que os bois ficaram lá para trás, a dormir à sombra. É então que se fica sem o detector e com uma carrada de chatices que levam uma eternidade para resolver.
Atitude e sensatez. Coisas que faltam a uns poucos de idiotas. Lá atitude, eles têm. Mas pela negativa.
Nos últimos dias, a coisa até que tem andado calma. Vamos a ver até quando…
Mudando de assunto.
Estou a escrever um artigo acerca da famosa Lei 121/99, a tal dos detectores de metais. Lá investiguei a fundo, nos arquivos da Assembleia da República, tudo o que pude acerca desta Lei. Quem teve a ideia peregrina, os intervenientes, quem disse o quê e quem fez o quê. Mas com tanta folha impressa acerca disso, acabei por me ver rodeado de uma montanha de papeis. Lá consegui ligar as pontas daquilo tudo, e, um milhão de apontamentos depois, comecei a escrever o artigo. Escrevi duas páginas e fui-me deitar. Até hoje. Isto, à mais de uma semana… É como digo. O tempo não chega. Mas, olhando para o calendário, vejo uns feriados no horizonte. Pode ser que…
E, num apontamento mais sarcástico, num dos primeiros dias do mês, não recordo qual, durante a hora de almoço, ao fazer zapping na televisão da cozinha, vejo que está a dar um filme chinês qualquer. Parecia-me um daqueles de Kung-Fu, ou algo do género. Não encontrei nada mais interessante nos restantes canais e ainda não tinham começado as notícias, pelo que deixei ficar ali. Vamos vendo o filme pelo canto do olho, até que vem uma cena em que está um actor a choramingar, sentado na beira do passeio. Vem um companheiro, que se senta e o abraça para confortar.
Digo para a minha esposa: “Porra! É mais um filme gay!”. Com o “acidente gay” que descrevi no artigo das saídas de Fevereiro ainda bem fresco na memória dela, eis que a malvada me diz, olhando-me de lado, enquanto sorri: “Ó, deixa estar. Já estás habituado.”.
Tive que me rir com gosto. E também mudar de canal.
Vamos mas é às saídas.
O mês de Março correu um pouco melhor, em termos de achados. As saídas foram calmas e pacatas. Uns dias à toa, sem rumo definido, apenas pelo puro prazer de detectar. Outros, com objectivos definidos.
Saída 5Mar2017
Olhando para o percurso feito, acedendo aos dados do GPS, esta saída foi completamente à toa. Mas não é que a coisa até correu mais ou menos!
Mais um Ceitil de D. Afonso V (os mais comuns por aqui, na tipologia do Ceitil), mais um ½ Real de D. Duarte, uma daquelas todas lisinhas, que nós chegamos a desconfiar se elas alguma vez tiveram relevo, e os sempre bem vindos 6 Vinténs de D. José I. Podia ser melhor, mas sempre é uma pratinha!
E mais uma carrada de tralha, como vem sendo habitual! E, nessa tralha, uma pulseira em prata. Dois itens de prata num dia, bem, não é todos os dias. Pelo menos para mim.
E, ao afastar a caruma com a bota para conseguir obter um sinal mais nítido e esclarecer a dúvida se estaria mesmo algo ali, ou um falso-alarme, acabo por descortinar uma cobrita. Mais uma rateirazita. Tirei umas fotos à bichana e lá a soltei. Voltei ao local do sinal e então verifiquei de que efectivamente estava ali algo. Não me lembro do ID, mas, se cavei, foi porque achei que pudesse ser algo interessante. Era a tal moeda toda lisinha…




Saída 12Mar2017
Ia eu, muito descansadinho, depois do almoço, a caminho de mais uma saída, quando, ao passar em frente à empresa onde trabalho, vejo, ao fundo da recta, um carro branco a sair um pouco da estrada, e a bater violentamente em algo, tendo a traseira levantado uns 45 graus do chão. Quando voltou ao chão, o carro ficou atravessado na faixa de rodagem. Pensei que teria batido no abrigo da paragem do autocarro que ali está, mas, quando me aproximei, vi que tinha sido num poste em cimento. Tanto o carro, como o poste, ficaram todos rebentados! Nem sei como o poste não caiu!
Um carro que seguia à minha frente, parou uns metros depois. Saiu de lá um miúdo, olhou de relance e entrou no carro, arrancando a todo o gás. Com ajudas dessas…
Como bom samaritano, parei e fui ver se o condutor estava bem. Com uma entrada daquelas, temi o pior. Mas sai um tipo novo, sem um único arranhão! E o carro nem airbags tinha! Vi que estava bem, apesar de tão atrapalhado que quase me fez rir. Saco do telemóvel para chamar a GNR e vejo que tenho o aparelho de reserva. O telemóvel que costumo trazer tem os contactos da GNR, da PSP e de duas corporações de Bombeiros, mas quando tenho que sair e a bateria está a ficar em baixo, coloco o cartão noutro telemóvel e deixo o outro em casa a carregar. Quis a minha fraca sorte que fosse um desses casos. Tenho poucos contactos naquele aparelho, e nenhum dos que deveria de ter naquele momento. Acabei por ligar para um amigo que é militar da GNR, nem tendo sequer a decência de lhe perguntar se estava ou não de serviço, a pedir-lhe uma viatura para aquele local. Rui-se um pouco, depois de lhe explicar o que se passava, e aconselhou-me a fazer de “sinaleiro” para o transito, que ele ia já tratar do envio da viatura.
E ali fiquei eu, a fazer de trouxa, controlando o trânsito, enquanto o rapaz, todo atrapalhado, via se conseguia encontrar o triângulo. Lá veio um senhor que ali mora trazer-lhe um triângulo, que ele foi colocar tão longe, que mais um pouco colocava-o às portas do Posto da GNR…
E, quase 10 minutos depois, eis que chega a cavalaria. Abordo o militar da GNR e explico-lhe, na qualidade de testemunha e de accionador dos meios, o que se tinha passado. Pedi-lhe ainda que informasse as entidades responsáveis pela parte dos postes eléctricos, porque aquele ameaçava cair, sendo a estrada um dos lados para onde ele podia desabar.
Tudo muito bem e muito certinho. Despeço-me, desejando “um resto de um bom-dia e um bom serviço”. Enfio-me no carro e aí vou eu, que se está a fazer tarde.
E, finalmente, chego a onde queria chegar. Toca a ir detectar!!!
Fiz mais ou menos o mesmo trajecto da semana anterior, mas, desta feita, levei o Blisstool, ao invés do costumeiro Racer. Já não pegava no Blisstool há uns dois meses, pelo que convém não perder o fio à meada. É daqueles detectores que, se uma pessoa deixa passar um tempo, desaprende o pouco que sabe acerca do seu funcionamento e configurações. Se é um bom detector? É! Mas não é para qualquer terreno e a curva de aprendizagem é mesmo muito longa. Mas, mesmo no meu nível que, digamos a verdade, é puramente básico, ainda dá para fazer umas coisitas. Tem é que se andar a passo de caracol e ter pachorra para as nuances dos sinais.
É bom, mas não seria a primeira opção que aconselhava a outra pessoa.
E não é que o primeiro sinal, após perder uns bons minutos a ajustar o Blisstool, que me disse: “Cava! Cava!”, foi um Vintém de Esfera! Foi o segundo que encontrei. Mas este estava a quase um palmo e meio de profundidade! Qualquer coisa como 30 cm… É como dizem os entendidos. O Blisstool é um guloso por prata.
Depois disso, além de uma carrada de lixo e umas tralhitas, lá apareceu pelo meio daquilo, mais um Dinheiro de D. Dinis.
Saída com poucas moedas, é um facto. Mas o Vintém de Esfera é sempre muito bem-vindo e eu sou daqueles que tem uma paixão por Dinheiros. Assim sendo, não me posso queixar muito. Excepto das costas! Fartei-me de cavar!
A caminho de casa, passei pelo local do despiste. O carro já lá não estava, mas tinha que parar para tirar umas fotos ao poste. Gostaria de ter tirado também ao carro, mas, no meio da atrapalhação do rapaz, seria de mau gosto estar a tirar fotos e selfies naquela situação.
E eis as fotos, poste incluído…





Saída 18Mar2017
Já ansiava por uma saída deste género à um ror de tempo!
Tudo coisinhas jeitosas! Os X Réis de D. Luís e os 100, de D. Carlos, foram apanhados literalmente no meio de um cruzamento entre o trilho antigo e esquecido que estava a palmilhar e um mais recente. Bem, recente, mas não muito. O mais recente tem cerca de 200 anos. Mas o que eu estava a percorrer é bem mais antigo, como o demonstram as restantes moedas.
Fiquei feliz da vida quando desenterrei os 3 Réis de D. Pedro, Príncipe Regente, datados de 1677. Moedita difícil de encontrar, e, naquele estado então… Se, detrás de um pinheiro, me aparecesse a Érica Fontes, como veio ao mundo, a seduzir-me para uma “brincadeira badalhoca”, o mais certo era eu dizer-lhe que “ó cachopa, vai dar uma curva, que agora tou a ver esta moeda. E, porque é que tás em pelota? Foste assaltada?”. É, sou um autêntico D. Juan… Daqueles bem nabos…
E mais dois Dinheiros, ambos de D. Sancho II e X Réis de D. João V, de 1732.
Nada mal, nada mal…



Saída 19Mar2017
Tanto trabalho, de volta dos mapas e do cruzamento de dados das saídas anteriores, para dar nisto… Mais valia ter andado à toa! A maior parte das vezes, o trabalho de pesquiza compensa, mas nesta saída, resultou num flop… Se não fosse o ceitil, o que está mais ou menos, diria que tinha andado a perder tempo. Mas também, valeu pelo passeio, e pela paz e sossego do pinhal.



Saída 25Mar2017
Hmmm… Afinal o mês não foi todo razoável…
Dos Centavos, de 1879, da então República Peruana. Tijolão da grossura de um Pataco, com metade do diâmetro. Raio de moeda estranha para se encontrar! Deve de ter vindo a nado para cá…
E mais um cagalhoto romano no meio do nada. Deve de ter sido perdido por um detectorista romano…



Saída 26Mar2017
Saída não planeada. Foi assim de surpresa! De repente, vi-me com tempo livre! Com o habitual: “Vou ali e já venho.”, lá fui eu para mais uma saídazita.
Estaciono num local já habitual e nunca me afastei mais de 50 metros do carro. Aquele local, mesmo não sendo visível, era um cruzamento de dois caminhos. Um, felizmente, alcatroado (senão, como levava eu o carro até lá?), e o outro, nem uma pista da sua existência há. Excepto em alguns mapas na minha posse.
E, para uma coisa que durou pouco mais de uma hora, foi bastante bom, diga-se de passagem.
Um Dinheirito de D. Dinis, mais um Pataco e XX Réis, ambos de D. Maria II, 1834 e 1849, respectivamente, e, para não variar, mais uma bolachinha lisa. Já tenho um bom punhado de moedas completamente lisas. Raios de azar o meu!


[Frases do Quotidiano: Eis um diálogo surrealista.
“- Tenho que comprar uma caixa de 250 DVDs.”, diz-me um colega.
“- 250??? Só conheço de 50.”
“- Isso não dá para nada!”
“- Mas tu tens gravador de DVD?”, estranhei eu, uma vez que ele nem com o tablet se ajeita muito.
“- Não.”
“- Então, 50 dão-te para muito tempo.”]
Um abraço a todos e boas saídas!
