Saídas 17 e 25Set2016
O Monte da Pouca Paciência.
1ª Publicação: “Diário de um Detectorista Azarado”, em 27Set2016.
URL: [RIP] https://eryxblog.wordpress.com/2016/09/27/saidas-17-e-25set2016-o-monte-da-pouca-paciencia/
17Set2016 – Uma presumivel caixinha cheia de terra…
Como no Domingo não havia nada para ninguém devido à festa de aniversário da minha pequenita, no Sábado lá me levantei cedinho para mais uma jornada de detecção. Escolhi um cabeço que, não sendo nada de especial, destaca-se ligeiramente numa imensidão de pinhal plano a perder de vista. Daqui até lá ainda são uns quilómetros, mas andava à já uns tempos com curiosidade em ver o que poderia (ou não) haver por ali. Quer seja nas minhas cartas topográficas, quer seja em literatura ou nas minhas notas, nada consta acerca daquele monteco. A estrada mais próxima fica a quase dois quilómetros, pelo que toca a dar à sola.
Aterrei lá cerca das 10 da matina, depois de uma mui ligeira caminhada, pelo que vamos fazer alguma coisa com o detector… Minutos após o ter ligado, sou brindado com um chocalho. Pareceu-me inteiro, mas assim que o virei… Pouco mais de meio chocalho. Só me faltava lá estar também pouco mais de meia vaca (ou boi) agarrada…
Uns metros depois, um ceitil. Alegre, vi que estava no local certo. Toca a bater minuciosamente aquela zona. Para, porra, encontrar umas balas (uma delas, de zagalote), mais umas anilhas de pombo-correio para a caixa e uma velhaca de uma moeda de 5 Escudos!!! Isto é de bradar aos céus!
Começo a subir a encosta e sou confrontado com um sinal daqueles bem sumidinhos. “Das duas uma. Ou está bem fundo, ou é bem pequeno.”, pensei eu, animado pela hipótese de estar ali algo interessante. Ambas as hipóteses estavam correctas! Primeira pazada e nada. À terceira tenho vários sinais dispersos pelo monte de terra tirada. Vasculho cuidadosamente e encontro um minúsculo prego. Tiro mais uns quantos e nas pazadas seguintes mais três ou quatro. O Racer dizia-me que ainda havia mais pregos para cavar, mas desisti e tapei o buraco. Pareceu-me evidente que alguém perdeu ali uma caixinha que, pelo tamanho dos pregos, era pequenita. Madeira, nem vê-la. E o conteúdo não devia de ser metálico, uma vez que o sinal apontava para mais uns quantos preguitos. Se houvesse alguma variação, cuscava mais um pouco, mas não me pareceu tempo bem empregue. Já tinha gasto um bom bocado a esgravatar à procura de pregos, pelo que segui em frente, francamente desanimado pelo rumo que a saída estava a tomar. Se me saltasse um tipo vestido à Power Ranger detrás de um pinheiro, ao invés de me rir, ainda lhe dava com a pá na cara.
Continuando a subir, 1 Escudo. Se me tivesse aparecido alguém à frente, é certo que levava uma braça de pinheiro enfiada na saca das farturas para casa…
Praguejando como um labrego a quem roubaram o carro e deixaram os pneus, lá cheguei ao topo.
Sinal bem forte do fiel Racer, que se queria redimir da miséria que padecia até então. Quase à superfície, um Dinheiro de D. Fernando. Bem catita, o sacaninha. Mas tive que penar até o encontrar… E, mesmo ao lado, uma FDP de 2$50!!! E até estava bem mais funda que o Dinheiro!!! Nada como praguejar mais um pouco…
Está quase na hora do regresso e toca a descer pela encosta oposta. Ainda é mais um esticão até chegar ao carro.
Saco então aquilo que eu chamo de botão duplo. Aquela coisa servia para prender as duas abas do xaile ou algo que o valha. Já tenho uns quantos, mas sempre é uma variação aos habituais botões que costumo apanhar.
E uns passos depois, mais um Dinheiro de D. Fernando! “Ok. Comecei pela encosta errada.”, pensei eu, entre Vivas ao Rei e resmungos… “Mas espera aí, que depois de almoço eu venho cá fazer-te mais uma visita.”, prometi eu a um pinheiro esquisito que ali estava…
Almoço e, pensando eu em raspar-me de novo… “Temos que fazer isto, ir ali, ir buscar aquela coisa…”. Aaaaarrrrrggh!!!!
Pois é, vai-se o fim de semana e uma saídita apenas…
Pelo menos a minha senhora, que acreditava que a nossa filhota era uma pestinha, depois de ver alguns dos coleguinhas da pequenita na festa, passou a ver nela uma santinha miniatura… E eu ganhei mais dois dinheiritos!
Ora aqui vai a foto…

25Set2016 – O cemitério dos pombos e o meu primeiro Vintém de Esfera.
Passei a semana em pulgas para explorar a encosta que me faltava do tal montinho, no qual tinha achado dois dinheiritos do Ti Nando, mas, sem saber bem como é que a coisa se passou, descobri-me pintor destacado para ir pintar umas coisas à casa que a minha sogra herdou numa terreola para lá de Rio Maior. A minha senhora gosta de me fazer surpresas. Nem sempre são aquilo que se pode chamar de interessantes, mas enfim… Não tenho sorte nenhuma!
Sábado de manhã, lá arrancamos. Eu, cabisbaixo, macilento e resmungão. Animou-me um pouco a alegria da pequenita por ir à “casa do poço”, mas o Racer gritava por mim lá em casa…
Depois do almoço, vamos lá ao raio das pinturas. Toca a pintar o muro exterior e, tendo sobrado alguma tinta, aproveita-se e pinta-se também o poço. Lá acabei por arrebitar um bocado quando me apercebi de que estava a fazer mais ou menos o que costumo fazer ao fim-de-semana. Ao invés de “abanar” o braço na horizontal, estava a executar o mesmo movimento, mas na vertical. Foi quase como que um regresso aos tempos de solteiro sem namorada…
A primeira demão ficou concluída perto do fim do dia e a coisa até que ficou castiça! A casa já não parece tão assombrada! Mas o meu sogro lembrou-se logo de passar a segunda demão no dia seguinte, logo pela manhãzinha… Que raio de ideia! O homem não via que eu estava com comichão nos dedos para pegar no detector? Aaaaarrrrghh!!! Taciturno, jantei e fui para o choco.
Parece que durante a noite choveu qualquer coisita, porque estava tudo ensopado ao raiar do Sol. “Ó bons dias, alegrias, alergias e ou outras patologias!!!”. Vamos lá empurrar um pouco as coisas para partir, que “aqui não estamos a fazer nada”… Ficou combinado que no próximo Sábado se dará a segunda demão. Lá se vai o Sábado!
Chegado a casa, comi “qualquer coisa” à pressa e vamos lá para o raio do monte!!!
Tendo feito uma caminhadazita, lá cheguei ao meu destino. Ligo a maquineta e saco logo uma moedita. 1 cêntimo???????????????? Irra!!! Haja pachorra!!! A coisa afigurava-se-me negra como o rego do traseiro de uma gorducha de 200 quilos…
Mas aquilo estava mesmo minado! De anilhas de pombo-correio! Trouxe 10, mais uma anilha com chip que encontrei a olho. Um autêntico cemitério da pombalhada! E, pelo meio, lá tive a infelicidade de encontrar uma moedita de 2$50 e outra de 50 centavos…
Só quase uma hora e meia depois é que encontrei “algo de jeito”. V Réis de D. Maria I, de 1797. Já não é a primeira que apanho dessa data, mas é francamente a que está em melhor estado. Claro que fiquei um pouco animado, mas isso foi Sol de pouca dura.
Mais uma hora e umas anilhas, e nada de jeito. “Vou descansar um bocado ali naqueles pinheiros e preparar-me para dar à sola.”. No caminho para o local de descanso, aparece-me um sinal interessante. Demasiado intenso para uma anilha, sempre foi uma boa noticia. V Réis de D. Pedro II, absolutamente lisos de um dos lados, deixando adivinhar apenas o “P II” do outro. Só tenho sorte no azar!
Sento-me à sombra e bebo uns golitos de água. Fumo um cigarro e vejo porque tenho tantas notificações do Facebook à espera…
Desolado pelo tempo desperdiçado na saída (com excepção da de D. Maria I), lá me levanto. Dou dois passos e debaixo de uns galhos de pinheiro caídos, o Racer dá-me um 67. Para tirar a dúvida se o sinal não tinha sido causado pelo bater da coil nos galhos, afasto-os a pontapé (pois, estava bem disposto). O sinal continua lá. Pelo resultado das horas anteriores, pensei que ali viria mais uma anilha. Mas não. Com a pointer lá descobri uma rodela minúscula e prateada. Olhei com atenção e abri bem os olhos. Tinha ali o meu primeiro Vintém de Esfera! Em casa é que soube que é de D. João V. Ao fim de 2 anos e pouco é que tenho a felicidade de encontrar uma coisinha destas! E eu que andava a roer-me de inveja cada vez que via alguém postar uma moedita destas lá no Fórum!!!
Fiz uma pequena dança de alegria, é claro! Já queria uma destas na colecção à um ror de tempo! Mas acho que a minha pequena dança, vista de outra perspectiva, talvez se assemelhasse mais a um zombie epiléptico numa aula de zumba. Não tenho jeito nenhum para isso! Para fazer figuras tristes, sim. Agora dançar…
Só me falta fazer a solene promessa de rapar a cabeça quando encontrar um Morabitino. Bem, talvez só rape uma das sobrancelhas…
Mas já estava cansado e rumei ao carro. Aquele monte não me traz sorte nenhuma! Só no fim, antes de ter que me pôr na alheta, é que as coisas jeitosas calham na rifa. Duvido que lá volte, mas se o fizer, sento-me duas horas a chonar à sombra e só depois disso é que vou detectar. Se as coisas só aparecem depois de lá estar um bom bocado, convém que não me aborreça. Talvez peça a revista ao gajo do jipe branco, se o voltar a ver…
Pois, mais umas fotos… (Sim, já reparei que fotografei o Vintém de “pernas para o ar”)

Um abraço a todos e votos de boas saídas!
