Saída 02Out2016
A medalhita do “São Sóchapas”!!!
1ª Publicação: “Diário de um Detectorista Azarado”, em 04Out2016.
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Saída 02Out2016 – A medalhita do “São Sóchapas”!!!
Lá ardeu mais um Sábado, gasto nas pinturas da “casa de campo” da minha sogra. “Campo”, salvo seja, é que a casa fica à beira da estrada… Mais um dia que me levou de volta às aventuras onanísticas da minha juventude, em que, ao invés de “chocalhar” o braço na horizontal, como tenho feito com o detector, fi-lo na vertical com um rolo, mas este, de pintar… E cheira-me que o Sábado que vem também vai ao ar. Começa bem, esta entrada no Diário…
Mas ainda conseguimos dar uma escapadinha a Lisboa durante a manhã. Aos anos que não ía à Feira da Ladra!!! A pequenita pelou-se toda por bonecos velhos do Super Mário e lá me engatou para lhe comprar um. Irra, 1 Euro por um bonequito?
E eu lá consegui comprar um saco militar, um dos chamados “chouriços”. (Vai dar jeito para levar o detector e a pá quando me der na veneta e for detectar com a acelera da minha senhora. Aquela coisa tem cá uns pneus grossos e largos como o camandro! Bons para andar no pinhal, digo-vos eu!) E, entretanto, a minha senhora engraçou tanto com um bornal, que acabei por lhe fazer a oferta.
Um bocadinho distantes do carro e algo atrasados (perdemos o 728, ou 528, ou raio que valha a porra do autocarro), lá caímos na esparrela de apanhar um táxi. Começo a perceber porque há pessoas a queixar-se dos taxistas. A grande maioria são profissionais competentes, mas, sendo eu, tinha que me calhar um dos “outros”. Não é que o raio do homem pôs-se a ralhar com uma senhora que estava a estacionar numa zona onde estavam apenas as bases dos cones que impedem o estacionamento, “porque os gajos aqui andam a rebocar tudo” e que os responsáveis pelo desaparecimentos dos cones “foram os mitras”. MITRAS??? Mas quem são os mitras? Isso tem algo a ver com o Mitraísmo (religião)??? Calha-me cada um na rifa… Já não me bastava andar com gazes sem os poder soltar, que ainda tinha que ouvir aquele urso sem me poder rir descaradamente… Ainda me cagav* todo!!!
Mas vamos à saída…
Escolhi para esta saída um pedacinho de pinhal sem nada de especial. É apenas um pequeno e acolhedor valezito. Estava calor e tive que me atirar para um ambiente mais fresco.
Almocei um pouco antes da hora habitual e lá zarpei eu. A minha senhora pegou na acelera e foi fazer um treino, seguido de umas compritas após a corridinha.
Estaciono e cerca de 200 metros depois, um sinalzito a dar para o fraquito. A oscilar entre o 42 e o 55, cheirou-me a lixo. Mas estava com tantas ganas de cavar e estrear umas modificações que fiz à minha querida e fiel pá, que acabei por ver o que seria aquilo. E saiu um Dinheiro de D. Sancho II. Tem uns quantos de grãos de areia agarradinhos à patina como carraças nas orelhas de um cão vadio, mas com um pedaço de cana-da-Índia aquilo vai tudo fora…
Estava extasiado pela maneira como as coisas tinham começado. Claro que depois estive mais de uma hora sem apanhar nada! Tinha que ser assim! Ou eu não fosse eu! Sorte macaca!!!
Já andava literalmente a dar pontapés às pinhas quando me telefona a minha cara metade. Tinha comprado uns pães que eu adoro e uns quantos queijos. Se eu não queria reforçar o almoço??? Ora essa, venham lá eles!!! Não tinha um canivete comigo (está na mochila “grande”) e, estranho, ela tinha um na mala. Por isso é que as malas das mulheres são tão pesadas!!! Afinal, além de uns quantos tijolos e duas sacas de cimento, ainda andam com canivetes! Vá-se lá saber que mais anda dentro daquelas malas!!! Não me admirava nada se um “mitra” enfiasse lá as unhas e de lá saísse um daqueles Rottweiler com uma coleira “cheia de picos” e um rio de baba a escorrer do traça-mato!!! Não me esqueço da vez em que fomos à Feira Erótica, ainda a mesma era em Lisboa, e ela conseguiu lá entrar com uma navalha ponta-e-mola na mala. Foi revistada como todos os outros, mas aquela mala tem tanta tralha que o segurança deve ter ficado desanimado. Quanto à navalha, mesmo concordando com a Lei, havia sido eu quem lha tinha comprado para possível defesa pessoal. É que ela é pequeninita e enfezadita. E ela sempre se sente um pouco mais segura. E dá jeito para cortar o queijo… E já me perdi…
Bem, ei-la que chega e, sentados à sombra, lá ataquei os pãezinhos e um dos queijos. Éh pá, soube-me mesmo bem aquele bocadinho. Ainda tentei com que ela fosse “ver uma coisa” atrás de uns tojos, mas ela topou-me logo… Ainda tinha mais umas compras a fazer e a limpeza da casa, que costuma ser ao Sábado, estava um dia atrasada… Raios!!! Nem nisso tenho sorte!!!
Ela foi para casa e eu lá voltei à minha faina, algo desanimado e incomodado por um inchaço que teimava em não desaparecer. Volto para o valezinho e, depois de umas balas, sai uma de 4 Centavos de 1917. “Tás, tás! Tás aqui, tás a voar contra um pinheiro”, resmunguei eu.
Poucos minutos depois, uma bússola daquelas de colocar na bracelete do relógio. “Pois, tinha que ser! Ainda este fim de semana vi um tipo no grupo de detectoristas no Facebook que encontrou uma alemã da Segunda Guerra Mundial, e é claro que eu tinha que encontrar a mesma coisa, mas na versão dos pobres!”. Irra para a minha sorte! Mas há mais e pior…
Apanho 3 das que já se tornaram familiares anilhas de pombo-correio de uma assentada. Até estavam todas em fila e tudo, de metro a metro. E, passados poucos minutos, uma moedita praticamente lisa, com mais uns cagalhotos de areia agarradinhos na pátina num dos lados. Parece-me ser um Meio Real Preto do D. Afonso V, mas não vou perder muito tempo de volta dela. Caixinha das chapas e está a andar.
E mais um botão duplo. Lá apanho um volta e meia, mas dois seguidos em duas saídas é mais uma prova de que o meu azar é inato. Isso lembra-me uma ocasião, há uns anos, em que depois de me queixar: “Tenho que ir à bruxa.”, me virei para uma colega de trabalho e lhe perguntei: “A que horas está em casa?”.
Mais uns chumbos vários e, prestes a inverter marcha para ir para casa lamber as feridas, mais uma p*ta de uma chapa!!! Ainda dá para ver que é um Real de D. Sebastião, mas, francamente! Vamos a ver o que sai dali depois de uma noite de molho no azeite…
Saindo do vale, um sinalzito sedutor. Um mero 67, mas prenho de sugestões. Como não estava a ter muito feedback do Racer, aquele sinal foi bem-vindo. E eis que sai mais uma medalhita religiosa! Ainda não olhei para ela com “olhos de ver”, mas suspeito que é o Santo das chapas.
E foram as únicas coisas que se aproveitaram desta infeliz saída. Mais um dinheirito para o álbum e uma medalheca para o álbum das medalhas. Pois, também tenho um álbum só para as medalhas. Tenho muitas, mas “boas” são poucas.
É como o meu azar. Tenho muito. E achados bons, poucos…
Se o azar fosse pesado, andava marreco!
