Saídas 16 e 17Abr2016
Bruxas, ou pobres ou forretas e mais um que perdeu uns trocos à 200 e tal anos…
1ª Publicação: “Diário de um Detectorista Azarado”, em 10Abr2016.
URL: [RIP] https://eryxblog.wordpress.com/2016/04/19/saidas-16-e-17abr2016-bruxas-ou-pobres-ou-forretas-e-mais-um-que-perdeu-uns-trocos-a-200-e-tal-anos/
Até que enfim que o Racer já veio da reparação!!! Podia dizer que está como novo, o que é verdade! Ao invés de o repararem, deram-me um novo. Isso é que é serviço!!! E este vem ensinado como o “velhinho”.
Agora, fico é de pé atrás com as novas coils… Vamos a ver no que isto vai dar.
Nos dois fins-de-semana anteriores lá tive que me convencer de que para sair teria de levar o EuroAce, que agora é da minha senhora. Enfim… Gosto de EuroAce, disso não há dúvida alguma. Mas fiquei com a sensação de que tinha passado de cavalo para burro. Para começar, a quantidade e qualidade dos achados baixou drasticamente. Não tenho mesmo sorte nenhuma!!!
Saída 16Abr2016.
No sábado fui buscar o meu Racer e aproveitei para uma saída conjunta com mais dois camaradas de detecção. Foi um bocado aqui, outro ali e por aí em diante. Parece-me que já estava fora de sintonia com o Racer. Só catei uma reles moeda de 10 Réis, bem moída por sinal… E o comando/chave de um Renault Laguna. Tenho a certeza de que quem a perdeu deve ter visto a vida a andar para trás. Levar um carro trancado para casa às costas deve de ser obra digna de ser vista. Ou então chamou o reboque… É, se calhar foi isso que fez… Foi daquelas saídas em que fiquei mais desanimado do que um tipo tarado que é convidado para uma orgia e, chegado lá, repara que só há homens com homens…

Saída 17Abr2016_Bruxas forretas e troquinhos com 200 e poucos anos…
No Domingo, lá me aventurei para mais uma saída para zonas bem conhecidas. Nem esperava grande coisa, uma vez que são zonas já muito “batidas”, mas, isso das “zonas batidas” é coisa que não se leva muito a sério. Há sempre mais qualquer coisinha por lá. O facto de uma pessoa achar que bateu bem uma zona não invalida que outra pessoa lá vá e tire mais coisas. Isso tem a ver com o facto de cada um ler e se movimentar pelo terreno de maneira diferente. Por vezes é bom esquecer algumas teorias acerca de onde poderão haver bons achados e andar o mais à toa possível. Foi o que fiz esta manhã, com duas ligeiras excepções.
Saio do carro e engato a primeira, encosta acima e a direito. Ignorei a rota mais previsível e fácil. Antes de chegar ao topo, já tinha um botão e III Reais de D. João III. Raio de moeda amassada! Só com a lupa é que consegui “adivinhar” o que raio era aquele “estropício”! Andando praticamente sempre a direito num sobe e desce a dar para o ridículo, lá me encontrei perto de um pequeno vale onde, na última vez que saí com a minha senhora, encontrei duas moedas de V Réis (uma de D. Maria e D. Pedro III e a outra de D. João Príncipe Regente) bem próximas uma da outra. [Primeira excepção do dia] Nada como cuscar a coisa mais um pouco…
O pequeno vale a que me refiro fica no topo de uma valente de uma subida e, pelos achados feitos em outras ocasiões, já o tinha apontado como parte de um antigo caminho. Local porreiro para recuperar o fôlego depois de uma subida! Comecei por bater a meia encosta virada para nascente, mais abrigada e fresca nos meses de calor. E eis que vem um bruto de um sinal. 93. “Ou é coisa boa ou é uma saca de cebolas…”. Escavo e sai uma moeda de V Réis de D. Maria I. “Estranho…”, pensei eu, uma vez que as de V Réis costumam dar um sinal de 84 a 87. Passo a coil novamente sobre o buraco e… 93. Esgravato mais um pouco e aí sim. X Réis de D. João V. Do lado onde estará a data estão francamente mauzinhos (mas já consegui descortinar o “1714” depois de o ter deixado uma noitinha de molho). Volto a passar a coil novamente, como manda a tradição e…86. Bem, não vou dizer que não fiquei animado… Era mais uma de V Réis de D. Maria I. Passei uma vez mais a coil e não fui abençoado com mais nada… Raio de azar o meu!
Tendo terminado de bater a meia encosta, olhei para a encosta oposta, virada para poente… “E se for de inverno? Não se apanham ali uns raiozitos de Sol para aquecer?” Dito e feito! Tinha apenas andado uns 10 metros nessa encosta quando vem um sinalzito interessante. 47. “Pode ser papel-prata ou podem ser as cuecas da Érica Fontes. Também pode ser outra coisa…”. E era. Um botão de um raio de uma liga qualquer que se parecia estar a esfarelar toda. A parte interessante era a Flor-de-Lis que ele tinha gravada. Interessante, mas não espectacular. Bolsa dos achados com ele e toca a continuar. 4 ou 5 metros depois, mais um sinal. 48. “É agora! São as cuecas dela!”. Não eram. Mas quase tão bom como isso. Um Dinheiro. Quando comecei a ficar com a cara dorida pelo sorriso, lá coloquei o Dinheiro na mica e prossegui. Estava a terminar o trecho e a preparar-me para descer para o vale vizinho quando lá vem mais um sinal. 51 puro. Sem hesitações nem oscilações. “Um Dinheiro!” E não é que era mesmo! Este deu para ver logo de caras que era de D. Afonso III, tal o estado da moeda.
Sentei-me e fumei um cigarro. O braço direito estava a matar-me. Tenho que fazer uns exames, mas está mais que certo que também já fui brindado com umas hérnias cervicais. Já não me bastavam as da zona sacra! É só medalhas!!!!
Arranco vale abaixo, com o detector no braço esquerdo para variar um pouco e, sempre a direito como um velho jarreta e teimoso, desenterrando fivela aqui, moeda ali e coisa acolá, lá acabei por me encontrar perto de uma encruzilhada castiça. [Segunda excepção do dia] “Fica do outro lado do monte e não custa nada espreitar…”. Assim que olhei lá para baixo notei logo que havia novidades. Quando lá cheguei, reparei num pedaço de pano quase todo enterrado e numa grande quantidade de cacos daquilo que me pareceu ser um prato (nestas coisas é quase sempre um prato). Mas, infelizmente, um daqueles energúmenos que parece que crescem em caves húmidas e bolorentas para saírem apenas para montar uma mota e andar pelo pinhal feitos idiotas enquanto as esposas estão a prestar “serviço” a um amigo que ficou “doente”…
Onde é que isto já vai! Bem, um daqueles palhaços passou por cima daquilo e escavacou o aparato todo. Já devem ter notado que não nutro lá muita simpatia pelos tipos das motas de cross e moto 4 que assombram os pinhais desta zona. Além da barulheira infernal que fazem nas suas, digamos, passeatas domingueiras, há certos animais (nem encontro um termo mais simpático) que, além de “desfigurarem” algumas dunas em áreas protegidas, têm o hábito de abrir as torneiras de segurança que acompanham uma conduta de água que atravessa a totalidade de um trecho de pinhal apenas para se refrescarem. Ainda se as fechassem depois! Mas não… Talvez lhes dê gozo ver os milhares de litros de água tratada que vão regar os pinheiros devido à sua inépcia. Ou talvez sejam apenas grunhos! Quando detecto situações destas, fecho as torneiras, mas é frustrante ver como pessoas que socialmente estarão inseridas e serão membros queridos e estimados, tornarem-se autênticos Neandertais apenas por provavelmente ninguém estar a ver… O mais triste disto tudo é o facto de conhecer alguns tipos que praticam este “desporto” e são pessoas 5*****. É como diz o povo, por uns, pagam todos! Enfim…
Bem, voltando à vaca fria… O serviço da bruxa estava todo descomposto, pelo que após a foto da praxe, lá passei a coil sobre aquilo. Sinais fraquitos, mas, sendo aquilo o que era, vale sempre a pena averiguar. Raios! 3 moedas de 1 cêntimo??? Mas o raio da bruxa, ou era pobre, ou era forreta!!! Um gajo não está habituado a ver tão pouco dinheiro numa coisa destas! Vou-me queixar à ASAE! Ainda fico com um trauma! 3 moedas de 1 cêntimo. Onde é que isto já se viu?!?
Estava a chegar a hora do almoço e, fazendo juz ao tipo de saída feita, tomei o azimute mais directo em direcção ao carro. Mais uma moedica de X Réis numa descida enviesada e uma pequena medalhita religiosa para desenjoar a coisa.

É como eu digo! Não tenho sorte nenhuma! Ainda se me aparecesse uma fulana escultural nua no meio do pinhal… Mas não! Com a minha sorte, ainda encontro o cadáver de uma marreca com duas cabeças. Ou pior. As cuecas da Érica Fontes… na mão do cadáver cheio de montinhos.
Um abraço a todos e boas saídas!
