Saída 2016Jul30
“Vamos só dar uma voltinha pelo pinhal”.
1ª Publicação: “Diário de um Detectorista Azarado”, em 10Ago2016.
URL: [RIP] https://eryxblog.wordpress.com/2016/08/10/saida-2016jul30-vamos-so-dar-uma-voltinha-pelo-pinhal/
Mais um belo dia para dar um saltinho a uma das minhas coutadas preferidas. Levanto-me às 7 da matina e como a minha senhora não está na posição esperada, lá visto a farda de detectorista e, ao colocar o telemóvel na mochila, reparo em duas chamadas não atendidas na noite anterior. É um caramelo que tem o dom de fazer mais buracos do que os que tapa. “Ligo-lhe no caminho”.
Arranco e faço a ligação. Já estão a caminho desta zona e peço para me ligarem quando cá estiverem. Sigo e depois de deixar o carro à sombra, começo na minha faina. Pobre faina, diga-se de passagem. Aos zigue-zagues, lá me encontro perto de uma encruzilhada onde, volta e meia, lá está mais um modesto ritual de bruxaria. Desta feita não havia nada, mas é sempre bom verificar, porque o que costumam escrever nos “papelinhos” (quando os há) é mais interessante que qualquer coisa que possa vir no Correio da Manhã…
Já tirei muita coisa daquela zona, muita mesmo. Aquilo está mais batido que sei lá o quê, mas as coisas continuam a sair… Mesmo a chegar à encruzilhada, um sinalzeco que não sei como, sempre me passou despercebido. Uma sacana de 50 Escudos, quase preta de um lado (como todas as que por aqui saem) e, estranho, branquinha e reluzente do outro lado. Foi a primeira que apanhei assim.
Dois metros ao lado, um sinal de “lixo”. Fiquei confuso porque o telemóvel tinha começado a tocar e estava indeciso entre interpretar o sinal como “algo” ou interferência do telélé. “Já chegámos e estamos nas bombas da X.”. “E eu estou em tal zona, perto daquela coisa.”. Pedem-me as coordenadas. WhatsApp para aqui, WhatsApp para ali e a actualização que nunca mais acaba… Ligo, e: “Olha, segues por aqui e viras ali. Depois é sempre em frente e quando vires tal coisa, andas 100 metros e vês umas coisas do lado direito. Eu espero-te perto da estrada.”. Desligo e volto a verificar o tal sinal de lixo. O “lixo” está lá. Mas como estava a metros de onde tirei 5$00 em prata, um Dinheiro de 6 linhas de Leão X (se não me engano) e V Réis de Ti Sebastião, não custa nada ver o que é. Metade de um Dinheiro de D. Sancho (Pança) II. Preferia um inteiro, mas “beggars can’t be choosers”.
Pouso a pá e a maquineta e subo a encosta. Do outro lado está a estrada e, uma chamada depois, ei-los que chegam. Enquanto um tira e esconde o AT Pro atrás de um tojo para não ser visível para os carros que passam, o caramelo júnior leva o seu tempo. Tira isto, põe aquilo, ajeita a outra coisa. E os carros a passar… Topo, pelo canto do olho, uma viatura da GNR a vir estrada fora nas calmas… “Olha que vem aí a GNR.”. Deu um pontapé ao XP para ficar quase debaixo do carro e quis o destino que a GNR parasse atrás do carro dele… “Bom dia. Está tudo bem?” O caramelo entrou em modo zombie e nem conseguiu responder. Todo equipado a rigor, com Garrett estampado por todo o lado, só lhe faltava um maçarico aceso nas unhas para parecer ainda mais suspeito… “Está tudo bem. Vamos só dar uma voltinha pelo pinhal.”, lá respondi eu para desbloquear o impasse. Pareceram satisfeitos e seguiram com a ronda.
Esperando uma aberta no trânsito, lá carregaram com as coisas encosta acima até à segurança do outro lado. Tinham combinado encontrar-se com um americano que vivia em Sintra naquela zona. Parece que ia também a companheira dele. “Isto está concorrido!”, pensei eu. Ao contrário do que esperava, o tal americano revelou-se um tipo impecável! Mas o seu Nokta não foi lá muito eficiente a sacar o que quer que fosse. Não perguntei porque não calhou, mas creio que estava à pouco tempo com aquela máquina e ainda estava a iniciar a curva de aprendizagem da mesma. Mas, tipo porreiraço!
O caramelo zombie lá sacou em pouco tempo duas de X Réis (D. João V ou D. José, já não me recordo) e, como revanche, não tirou nada de jeito o resto do dia, tirando um anel em cobre da parte da tarde. Hehehehe… Quanto ao seu companheiro de viagem, acho que nem sujou a pá. Pena. Merecia levar qualquer coisa de jeito para casa.
E eu, lenta, mas implacavelmente, lá ia tirando bala aqui, bala ali, moeda acolá. Mas a melhor foi a de V Réis de D. João V. Linda e a coisa de dois metros do trajecto que o caramelo zombie estava a fazer. Deu um sinal (86) que eu acreditei que fosse um Pacato. Nada mal.
Tive que me ausentar para um almoço rápido e a costumeira ida às compras. A meio da tarde, estando liberto, indago onde estão e minutos depois já lá estou. Muito fraquita para todos esta parte da tarde… Eles dão por terminada a saída e eu faço o mesmo.
Ficam então as fotos do “evento”…

Um abraço e boas saídas!
