Saída 20Fev2016
Depilei a Santa Érica Fontes e “Desculpa, amor. Está tão escuro que nem reparei que já era de noite.”
1ª Publicação: Fórum “Prospectores de Portugal”, em 20Fev2016.
URL: http://www.prospectordemetal.com/t8558-saida-20fev2016-depilei-a-santa-erica-fontes-e-desculpa-amor-esta-tao-escuro-que-nem-reparei-que-ja-era-de-noite
2ª Publicação: “Diário de um Detectorista Azarado”, em 17Mar2016.
URL: [RIP] https://eryxblog.wordpress.com/2016/03/17/saida-20fev2016-depilei-a-santa-erica-fontes-e-desculpa-amor-esta-tao-escuro-que-nem-reparei-que-ja-era-de-noite/
Mortinho por ver o que mais conseguia sacar lá do cantinho da Santa Érica Fontes, lá fiz o sacrifício de me levantar bem cedinho para me pôr a caminho.
Espreito pela portada da cozinha e lá fora está tudo branquinho com a geada. Até me arrepiei todo! “Engonhando” o máximo que me foi possível, lá arranquei pelas 9 da matina.
Armado com o Racer, a minha fiel pá e com a maior enxada que consegui desencantar, lá aterrei no sitio onde, pelas minhas contas, já tirei 2 Meios Reais Cruzados de D. João I, 2 Reais Pretos de D. João I, 5 Meios Reais de D. Duarte, 4 Reais Pretos de D. Duarte e 3 Meios Reais Pretos de D. Afonso V. 16 moedas até então… Raios! São muitas moedas para um cantinho de areia minúsculo!
Fumo um cigarro para ver se descongelo as ideias e meto-me ao trabalho.
Com a enxada, literalmente que “depilei” o “montinho” da Santa Érica Fontes. Tudo o que era erva e mato num raio de mais ou menos 5 metros do ponto onde encontrei mais moedas foi abaixo! Uma verdadeira “rapada”!
Modo All Metal a bombar e toca a passar aquilo a pente-fino. Se a Érica tivesse um “chato” (vulgo, piolho-da-púbis) metálico, eu dava com ele. E, quem diria… Dei logo com dois! Fundinhos, fundinhos… Mas eram só duas de Meio Real Preto de D. Afonso V… ![]()
Nada de mais sinais…
E que tal aumentar a profundidade de detecção reduzindo a distância entre a coil e as moedas?
Fazendo um quadrado na areia com mais ou menos metro e meio de lado, fiz uso à enxada e cavei cerca de 20 cm de areia de lá. Parecia um daqueles “buraquinhos” que os arqueólogos tanto gostam de fazer. Só faltavam as estacas e os cordéis.
Passo com o detector lá dentro e “BING”! Fundo, como seria de esperar, mas lá estava… Mais um Meio Real Preto de D. Afonso V! (Atenção: Na primeira passagem, quando ainda havia mais 20 cm de areia sobre a moeda, mesmo em All Metal, o Racer nem piou.)
Uso o mesmo sistema imediatamente acima e a areia vai tapar o primeiro quadrado. Nada!
Mais uma vez, subindo a encosta e “BING”! Mais um Meio Real Preto de D. Afonso V.
Ainda fiz mais dois quadrados sem resultados.
Mas já estava todo “roto” e a garrafa de água, que parecia tão grande, revelou-se tão insuficiente. Estava frio, mas eu suava “em bica”! Só faltava espumar pela boca!
Lá tive que regressar a casa. Mas, quando estiver com vontade de terminar o curso de coveiro, tenho que lá ir fazer mais uns 2 ou 3 quadrados.
E assim, o número de moedas tiradas daquele cantinho subiu para 20. Alguém ficou teso à quase 600 anos atrás. Lucky me!!!
Estava a começar a almoçar quando telefona um camarada de detecção. Como a parte da tarde estava destinada para as compras, lá tive que declinar a saída com eles. Cheguei a casa quase às 5 (17 horas, em alguns relógios) e a minha senhora pergunta-me se não quero ir ter com eles. Já era tarde para os fazer vir de Leiria, pelo que optei, com muita pena, por sair sozinho. Afinal, era só uma rapidinha!
Zona acessível e mais que batida! Mas batida mesmo! Já andámos sei lá quantos! Ainda assim…
Depois de um bom bocado sem qualquer resultado, lá vem um bruto de um sinal. Quem diria, um Pataco de D. João VI! Foi o primeiro deste ano. Infelizmente, já é o segundo que tiro desta data… Podia ser de uma das que ainda não tenho… Bem, podia ser pior! Podia ser um texugo morto com uma granada enfiada no rabo…
E, mais à frente e tudo seguido com intervalos de poucos metros, os X Réis de D. José, a fivela e os V Réis de D. João V.
O mais curioso é que a fivela estava bem no fundo de um buraco que alguém cavou e tapou mal e porcamente. Como tinha uma enorme raiz mesmo no meio, o infeliz que desanimou e acabou por não tirar as dúvidas ficou sem uma fivela. Não é grande coisa, a fivela. Tenho outra idêntica, apanhada a uns bons quilómetros dali.
Já estava a ficar escuro e os dois últimos buracos já foram cavados à luz da vela (bem, da lanterna…). Era só lixo e um botão…
Toca o telemóvel e a minha senhora pergunta se falta muito para regressar. “Desculpa, amor. Está tão escuro que nem reparei que já era de noite.”
Tenho que regressar ao carro, gentilmente empurrado pelos mosquitos empanturrados com Zika…
Não tenho sorte nenhuma… Só falta receber uma carta de amor das Finanças. Isto está mau, muito mau e fraco… A culpa é do Centeno!
Ficam aqui as fotos…
A geral do dia.
Hmmm… Parece a mesma foto, mas sem a fivela e o resto da “tralha”…
Uma das de Meio Real Preto tinha uma gota de resina, quiçá medieval, colada nela. A resina tirou-se bem e a cachopa tem uma boa cor na zona onde estava a gosma…
Não sei se amanhã há saída, mas vamos a ver…
Um abraço a todos e boas saídas! Que isto por aqui vai como vai… Não tenho sorte nenhuma!
