Saídas 23 e 25Dez2016
Miséria, miséria… E o Pai Natal é um trouxa com o saco cheio de chumbo…
1ª Publicação: “Diário de um Detectorista Azarado”, em 25Dez2016.
URL: [RIP] https://eryxblog.wordpress.com/2016/12/25/saidas-23-e-25dez-2016-miseria-miseria/
Saída 23Dez2016 – Nada de especial, mas de barriga cheia. E uma bateria…
Tirei o dia de férias para poder descansar e relaxar um pouco antes da azáfama natalícia.
Ainda sob os efeitos das refeições de ontem, lá me levantei bem cedinho para mais uma surtida.
O almoço de ontem foi de “caixão-à-cova”. Era para ir almoçar a casa, como de costume, mas não sei que mandingas e bruxarias um colega meu terá usado, lá me convenceu a ir almoçar sopa-da-pedra a um restaurante bem perto da empresa. Para mim, a sopa-da-pedra é droga servida num tacho! Ele lá conseguiu emborcar 4 pratos dela, tendo eu ficado pelos 3… Não gosto de comida quente e perdi muito tempo a soprar… Mais dois copos de vinho cada um, para deslizar melhor, e posso dizer que viemos de lá a dar palmadinhas na barriga.
Combinamos de lá voltar para o mês que vem, depois das análises que ambos temos programadas. Os níveis elevados de “castrol” (colesterol) e dos malvados dos triglicéridos são uma coisa que temos em comum, mas ele já me leva um avanço com as pedricas nos rins… E tem mais cabelo… Mas, após as análises…
Pode-se dizer que, no que toca às instruções dos médicos, somos pacientes cumpridores. Mais ou menos…
E o jantar lá em casa foi… Feijoada! A minha senhora encheu-me tanto o prato que acabei por fazer mais porcaria que uma criança. De cada vez que lá enfiava o garfo, caia algo do outro lado do prato. Hehehe… Só me faltava o babete…
Hoje, quando cheguei a casa da faina detectoristica, tinha à minha espera Cozido à Portuguesa. Aquela gaja quer matar-me!!! Não sei se vou conseguir limpar o sistema até às análises. Vai ser bonito, vai… Já estou a ver o médico a sacar de uma fita e a tirar-me as medidas, e a telefonar para uma das agências funerárias daqui, a informar que “vai mais um presunto a caminho”…
E já aqui vou e ainda nem falei da saída…
Não há muito para dizer. Voltei para o mesmo vale em “U” do Domingo passado, tendo especial atenção na zona onde encontrei as de 2 Reais Macuquinos de D. Filipe I, não fosse ter escapado mais alguma. Nicles. Se tiver pachorra, um destes dias, volto lá com a minha mega-enxada, para rapar uns tojos e mato estranho naquele sector. Pode ser que esteja lá mais qualquer coisa.
Bem, tirei de lá mais dois ceitís, ambos de D. Afonso V, o que já não foi mau de todo. E uma “coisa” com uma carrada de areia incrustada na pátina. Bem perto do local onde encontrei os V Réis de D. João V, a condição das moedas era idêntica. Visualmente, não noto diferença nenhuma no terreno, mas algo naquele cantinho faz com que a areia e a pátina se misturem como duas lésbicas ninfomaníacas numa luta na lama.
Depois de ter tirado a foto dos achados da saída, lá me entretive com um pedaço de cana-da-Índia, a tirar aquela profusão de grãos de areia (e grande parte da pátina também) da moedita. Nem valia a pena ter perdido tempo com ela. É um ½ Real Preto de D. Afonso V, em muito mau estado mesmo. É a minha sina…
Dou a saída por concluída e, de regresso ao carro, vejo o que me pareceu ser um vaso rectangular e preto perto de um tojo. Estive para lhe dar um pontapé, na esperança de que o mesmo atingisse o idiota que o tinha largado no meio do pinhal, mas não o fiz. E ainda bem! Quando me aproximei mais, verifiquei que era uma bateria de um carro! Uma Varta, aparentemente quase nova. Vejo marcas dos rodados de um tractor e adivinho que a mesma terá caído da viatura.
A estrada está a cerca de 50 metros e, agarrando-a pelas pegas, lá a levo para mais perto do alcatrão. Deixei o detector e a pá bem aninhados junto a um pinheiro, olhando sempre pelo canto do olho a ver se ele não se lembrava de dar de frosques.
Continuando o caminho em direcção ao carro, lá encontro mais um buraquinho feito pelos dois convivas da semana passada. Este estava tapado, mas ao passar com a coil sobre ele, sou brindado com um 51. Podia ser um dinheiro, mas como já o tinham cavado, vi logo que tinha de ser lixo. São uns queridos! Encontraram um pedaço de papel-prata e voltaram a enterrar aquilo. Já me pronunciei à coisa de um ano e tal sobre os detectoristas que voltam a enterrar o lixo que encontram, pelo que não vou bater mais nessa tecla. De qualquer modo, não me ocorre nada que possa ser dito (ou escrito) sem soar politicamente incorrecto…
Bem, levo o carro o mais próximo possível do local onde deixei a bateria e lá a aninhei na bagageira. Presumo que a mesma esteja em bom estado, uma vez que está intacta. Tenho que ver como ela carrega e se dá choques nos testículos de dois tipos cuja actividade principal é cavar buracos. Atenção, “cavar”. Não falei em “tapar”…
Fotos… fotos… Não. É apenas uma…

[Frases do quotidiano. Estando num armazém, algo fora de mão, atendo o telefone interno.
-“Bom dia. É da Solxxxxxx?”, perguntam do outro lado.
-“Sim.”
-“Estou a falar com quem?”
-“Comigo.” (Era, soube depois, a minha patroa!)]
[Álbuns ouvidos durante a composição: Crematory – Antiserum [Deluxe Edition](2014)]
Saída 25Dez2016 – Dia de Natal na Carreira de Tiro…
Durante a manhã, para ver se conseguia terminar a digestão do jantar de Natal, escolhi para a saída uma zona onde recentemente foi limpo muito do mato lá existente. Já por lá tinha andado uma série de vezes, mas havia mais mato do que zonas onde se conseguia detectar com o mínimo de condições.
Tempinho ameno e um Sol castiço, com os mosquitos ainda em casa a abrir as prendas, até que se estava mesmo bem por ali.
Além de algumas moedas, também lá tinha encontrado uma boa maquia de balas de vários calibres. Mas, nem imaginava que elas fossem assim tantas! Estive lá um pouco, antes do almoço, onde, além de uma dúzia de balas, encontrei também meio Dinheiro de D. Sancho II.
Da parte da tarde, depois de um ligeiro almoço e de um pequeno repouso, lá fui eu catar mais uma carrada de balas. Contei-as e foram 44 no total! Mais dois chumbinhos de uma Pressão-de-ar.
Mas também tinham que cair mais coisas no saco, é claro! Mais um Dinheiro, este de D. Afonso Qualquer-Coisa, e parte de outro de D. Sancheco II. E mais V Réis de D. João V, mesmo muito lisinhos. É uma chapita quase tão careca quanto eu!
Uma fivela e parte de outra, e mais umas coisecas sem grande interesse.
Para o tempo que lá estive, posso dizer que a saída foi parca de achados. Mas não de chumbo! Se me crescesse um cabelo na cabeça por cada bala que apanho, a esta hora andava a vender cabelo aos outros carecas!
Agora, alguns poderão interrogar-se do porquê de eu cavar tanta bala, sabendo em que gama de IDs elas caem. Elementar. As de .22 vão do 44 ao 53 nos IDs do Racer, por vezes até ao 56, se tiverem cobre. Os Dinheiros, pelo menos a maioria, vão dos 40 e poucos até aos 50 e poucos. Se forem de D. Fernando, podem chegar aos 80, estando a pouca profundidade.
Creio que já dá para ver o porquê de tanta bala. Por cada uma que deixasse para trás, podia estar a excluir um Dinheiro.
Bem, nem tive que cavar muito, diga-se de passagem. As balas estavam quase todas perto da superfície, e uma boa parte encontrei-as logo, ao passar com a ProPointer sobre o solo, depois do PinPoint feito. Curiosamente, o Dinheiro inteiro e o parcial, foram encontrados do mesmo modo. Praticamente à superfície.
É. O Pai Natal é um sacaninha que me deu muitas balas e poucas moedas… Havia de lhe crescer um eucalipto naquele buraco onde não brilha o Sol…
E as fotos da miséria natalícia…

[Frases do Quotidiano. Estando a conduzir uma carrinha de caixa aberta, paro ao sinal da minha chefe, que me pergunta:
-“O senhor viu o Sergei?” (Pronuncia-se Sérguei)
Com o barulho infernal da carrinha, percebi outra coisa…
-“Sou o quê???”]
[Álbuns ouvidos durante a composição: Thulcandra – Ascension Lost (2015)]
Um abraço a todos os que tiverem pachorra para ler isto até ao fim, e, já agora, Feliz Natal (que já lá vai…).
