Saídas 1, 2 e 3Dez2016
Fim-de-semana prolongado, com pratas manhosas e alguns chuviscos…
1ª Publicação: “Diário de um Detectorista Azarado”, em 03Dez2016.
URL: [RIP] https://eryxblog.wordpress.com/2016/12/03/saidas-1-2-e-3dez2016-fim-de-semana-prolongado-com-pratas-manhosas-e-alguns-chuviscos/
Saída 1Dez2016 – “The silver 2$50 plague is back!”
Viva o feriado! Feitas as coisas que tinha planeadas, da parte da tarde lá fui eu fazer mais uns testes com o LTC (Lábios Tão Carnudos).
Como na saída do Domingo passado o LTC (Laringe, Traqueia e Couratos) farejou ½ Tostão de D. João V ao passar com a coil sobre um arbusto de Alecrim, nada como ver o que mais ele consegue. A moeda nem estava funda, nem nada que a valha, mas o sacana deu sinal de que ali estava algo, estando a coil a um palmo e pouco do chão. Um palmo meu são 28cm. Dá para ver que sou um mãozudo! Sabem o que dizem dos homens com mãos grandes… Agarram melhor as coisas, penso eu…
Bem, antes que me perca… O sinal foi daqueles mesmo certinhos! Um tom apenas, curto e agudo.
Pedi ao pé de Alecrim que se afastasse um pouco e, depois de tirar o ½ Tostão, confirmei o que já li algures numa revista Gina com quase tantos anos quanto eu. O LTC (Leiria Tem Castelo) é um guloso por pratas! Até parecia que estava ali uma caixa de Bombocas enterrada!
Infelizmente, como a zona já está mais batida que um Papa-Reformas conduzido por um idoso taralhoco e cegueta, pouco saiu. Sai sempre qualquer coisa, mas a maior parte já saiu…
E acabei por escrever sobre uma das saídas da semana passada… Só eu…
Voltando à saída do feriado, afastei-me, e muito, dos terrenos habituais.
Carregando no GPS um dos meus mapas com “búes” de caminhos antigos, lá fui eu para o meio do mato, percorrer mais um daqueles caminhos dos quais já não restam vestígios. O mato reclamou tudo de volta!
Havia esquecido que o LTC (Louvai Torquemada, Cenobitas) gosta pouco de dar toques na vegetação, pelo que tive que o aturar a ganir a cada dois passos. Acabei por andar devagar, muito devagarinho… E acabei por não conseguir fazer nada de jeito com ele. Abandonei o trajecto que estava a tentar fazer, e, apanhando um cruzamento com um caminho mais recente e bem trilhado, toca a voltar para o carro.
E as coisas começaram a sair!
Para estrear, assim que cheguei ao caminho e segui o azimute para zarpar dali, uns metros depois, um sinal curto e agudo. 2$50 em prata. “Pois, tinha que ser… Já andavam com saudades minhas. Ó praga!”. E foi sempre a cavar coisas até chegar ao carro, mesmo seguindo apenas por uma das vias do caminho.
O LTC (a Lua Tem Crateras) encontra coisas? Encontra. Mas, tirando a de ½ Tostão do Domingo passado, tudo o resto também seria tirado com o Racer. Sei que ele eventualmente vai surpreender-me, mas creio que será mais para o Verão.
Eu sei que tenho por aqui a foto… Algures…

Saída 2Dez2016 – “The silver 2$50 plague is back!” – Parte 2
Nada como um dia de férias tirado entre um feriado e um fim-de-semana, não é?
Voltei para a mesma zona, mas desta vez levei o Racer. Pelo menos este não se queixa quando toca no mato e arbustos.
Usei o caminho de ontem para chegar ao cruzamento onde abandonei o “caminho antigo”. E, seguindo na via oposta à de ontem, foi sempre a cavar até lá chegar. Estava apinhado de centavos, escudos e uma catraia de One Cent americana. Devem ter andado por aqui muitos “camónes” americanos. Já é a segunda que apanho.
Chego ao suposto cruzamento, suposto, porque não há indícios de que um caminho se cruzou com aquele, e embrenho-me mato adentro. E, pelas abertas entre os tojos e pilriteiros, lá fui abanando a coil.
O primeiro sinal foi um 81. Invulgar. Era um ceitil de D. João III. E desvio daqui, correcção no rumo ali, lá vem mais um sinal interessante. 84. Costumam sair coisas boas com esse ID. E também as de 20 Centavos de 1900 e pouco. Mas era um Pataco de D. Maria II, datado de 1833. Esbocei um sorriso que, quem me visse, pensaria que estava a ter um ataque cardíaco. Ou um sopro, pelo menos…
Meio metro depois, novamente um 84. “Eh, pá. O gajo devia de ter os bolsos rotos!”. Mas não. ERA UMA FDP DE 2$50 EM PRATA!!! Irra!!! E eu a babar-me todo pela antevisão de mais um Pataco ou algo parecido!
Mais uns Réis e um ceitil tipo chapinha, até que, bem perto do sítio onde tinha previsto abandonar o caminho para rumar ao carro, um Dinheiro. Ahhhh, as saudades que eu já tinha de um dinheirito… Parece-me ser de D. Fernando, mas só depois de uma limpeza mais cuidada o poderei confirmar.
E ainda tive tempo para tirar um mega-aplique decorativo tipo rosácea, uma fivela e aquilo que me fez tirar o boné e coçar a cabeça. “Olha que m*rda! Um supositório em bronze!”. Mas não. Acho que é latão ou outra liga qualquer. E, mesmo parecendo um sacana de um supositório, é apenas a ponta de uma coisa qualquer… Também, não me faltava mais nada! Agora detecto supositórios…
As fotos da praxe…

Parece ou não parece um sacana de um supositório???
Saída 3Dez2016 – “Olha que tão a dar chuva!”
É, “tavam”, e não se enganaram…
Nem era para sair hoje, mas como tive que me deslocar a casa dos meus sogros depois do almoço, nada como alongar um pouco o caminho. E, porque não, detectar um pouco…
Vamos a pôr as calças e o casaco impermeáveis, não vá chover mesmo a sério (pois, havia de chover a brincar…). Durante a manhã chuviscou um pouco, mas nada que me preocupasse muito.
Parei o carro num caminho secundário, bem perto da estrada, quase encostado à autoestrada, e deixei sobre o tablier uma folha A-4 com “fui aos cogumelos” escrito.
Mais valia que tivesse ido! Ainda só tinha cavado dois botões quando se larga um pé de água diluviano. O Racer não é à prova de água, mas o meu é à prova de chuva. E o vento!? “Qué isto, ó?”. Mas eu lá continuei, achando que mais parecia um daqueles bicharocos extremófilos, que só prosperam nas condições mais adversas. Mas não. Só me estava a molhar… A chuva era tanta que, tendo o carro à vista, ainda me ocorreu ir num instante buscar o chapéu de chuva. Mas com a ventania que estava, ainda me arriscava a tornar na Mary Poppins dos detectoristas… Imagino os condutores na autoestrada a ver um tipo a ser levado pelo vento, pendurado num chapéu de chuva, a passar gentilmente sobre a autoestrada, tendo na outra mão um detector de metais… Mais um caso para os X-Files portugueses…
E nem me arriscava a tirar sequer o boné!!! Não fosse o vento levar-me o resto do cabelo! É que isto não está famoso! Pedi à minha senhora para tirar umas fotos com o telemóvel há uns dias atrás e, tal como eu temia, já se começa a notar bem… Isto devem ser as inovações dos gajos da Linic. “Tens caspa??? Não te preocupes! Arrancamos-te o cabelo todo e ficas sem caspa!”. O que me leva a perguntar: “Os carecas têm caspa?”. Carecas, pronunciai-vos!
Mas vamos lá a parar com as divagações…
Aparentemente, com a chuva, as moedas começaram a “boiar”. Foi então que comecei a ter sinais “de jeito”.
A primeira foi uma “coisa”. Já foi uma moeda, mas alguém se deu ao trabalho de martelar o bordo da desgraçada até a desfigurar. Nem sei que moeda é, mas tenho a certeza de que não é nem um Dinheiro nem uma de 2 Euros…
Logo de seguida, um Ceitil. Vi que era de Afonso V, enquanto lutava para a meter na mica. Para celebrar, bem agachado, com o casaco do impermeável a fazer de capa, tiro a máquina de enrolar tabaco do bolso do casaco para fazer um cigarro. Abro-a e vejo, além dos filtros e do tabaco, uma pocinha de água dentro da caixa. “Olha, olha! Queres ver que não fechei o bolso!”. Não tinha. Quando tirei a caixinha do papel de enrolar, vejo na mão um montinho de papier-mache. Estava tão ensopado, que parecia que um pássaro me tinha largado uma poia de papel dentro do bolso… É como digo. Não tenho sorte nenhuma! Nem fumar um cigarro à chuva posso! Fiquei pior que estragado!
Conformado (e ensopado), lá prossigo. Uns minutos depois, mais um sinal. 100 Escudos. “Porra de sorte madrasta! Vou mas é para casa tomar um banho e pôr umas cavacas na lareira!”. A caminho do carro, para me incentivar a ir para casa cheio de vontade, uma de 20 Centavos e outra de XX Centavos… Pois, são as duas de 20 Centavos… Ó tempos confusos! Acho que ainda tenho os neurónios ensopados…
Mais uma foto para ilustrar a desgraça…

Um abraço a todos e boas saídas para os detectoristas!
