Saída 22Out2016
A tragédia capilar continua e o ataque do Bubu…
1ª Publicação: “Diário de um Detectorista Azarado”, em 22Out2016.
URL: [RIP] https://eryxblog.wordpress.com/2016/10/22/saida-22out2016-a-tragedia-capilar-continua-e-o-ataque-do-bubu/
Atormentado pela eminência de me juntar ao CC (Clube dos Carecas), lá me vou convencendo da inevitabilidade da coisa. Com tanto cabelo para cair, tinha que começar logo pelo da cabeça! Ainda se fosse o do rabo ou das costas. Até podia ser o de uma perna apenas! Mas não. Tinha que ser o da cabeça.
Já não desfaço a barba à umas semanas para distrair os olhares da minha calvície precoce, mas nunca imaginei que isto fizesse tanta comichão! Suspeito que até um ninho de ratos já tenho no queixo. Devo de parecer um terrorista. Se usar um turbante, as pessoas desatam a fugir de mim a sete-pés. Não é todos os dias que se vê um terrorista com ratos na cara…
Pelo andar da coisa, num futuro próximo serei atormentado por pesadelos em que um tipo me anda a bater com um taco de snooker na cabeça, a tentar fazer a abertura de um jogo de bilhar.
Só me falta, à semelhança dos outros carecas, começar a desenvolver um gosto pouco saudável pelo roubo de roupa interior dos estendais de senhoras idosas. E algo me diz que tenho uma ideia algo distorcida daquilo que são os hábitos dos carecas…
Mas, foi só começar a escrever para me perder…
Como estava prevista chuva para hoje, a partida para Rio Maior foi adiada até haver confirmação. Pintar à chuva não é muito inteligente. Lembrei-me de um site que um colega de trabalho louvava como infalível na previsão meteorológica (Obrigado, Carlos.). Lá vou ao windguru e verifico que está prevista chuva a partir do meio da tarde. “Olha! Olha! ‘Tão a dar chuva para Rio Maior! Telefona à tua mãe. Já não vamos poder ir!”. Hehehe… Lá me perdi outra vez…
Tendo posto alguma da literatura relativa a antigas vias de deslocação nesta zona em dia, fiquei seduzido pela ideia de ir detectar um pouco mais longe. Destino: Marinha Grande. Terra do vidro e das p*tas que trabalham, quer em quartos obscuros, quer à beira da estrada. Há lá também uns belos trechos de pinhal, nos quais houve actividade humana desde à largos séculos. Pensei eu…
Deixo carro à beira da estrada, bem visível, e meto-me pinhal adentro. Tendo marcado no GPS a zona onde pretendia fazer uns buracos, foi fácil dar com aquilo no meio do nada.
Ligo a maquineta e cerca de 200 metros e vários lixos depois, uma moedita estranha. Tendo numa das faces “VICTORIA QUEEN OF GREAT BRITAIN”, achei estranho o facto de no outro lado estar “SPIEL MARKE”. Alemão??? Sem data, nem nada??? Bem, sempre é uma novidade.
E lá andei por ali. Moedita daqui, coisita dali. Mas nada de interessante.
Até que…
Andando meio perdido por entre uns tojos enormes, contorno um e dou de caras, a cerca de 20 metros de mim, com uma senhora agachada, de calças em baixo, a urinar virada para mim. Ao invés de começar a apontar para ela enquanto saltitava como um doido aos gritos, e uma vez que ela estava a olhar para o “repuxo”, mudei de direcção e continuei num ângulo de 90 graus em relação e ela. Ferrei os olhos na coil e, pelo canto do olho, vi-a soltar um gritinho quando se apercebeu da minha presença. O “repuxo” foi estrangulado de imediato e ela lá se conseguiu vestir meio agachada. Fiz de conta que não a tinha visto, pura e simplesmente. Agora dirão alguns tarados: “Uma gaja a mijar virada para ti e não te fizeste ao piso?”. Meus caros, a senhora tinha e tem idade para ser minha avó! Não sou muito bom a julgar idades, tanto que, para mim, a múmia do Ramsés e a Lili Canecas têm a mesma idade. Mas a senhora era, para todos os efeitos, velha como o caraças! Tive um bom vislumbre daquilo que espera uma mulher a partir de uma certa idade. Lembrou-me o tapete da minha sala. Felpudo e farfalhudo! Mas o meu tapete é preto, muito preto! Aquilo mais parecia uma cabeleira afro, queimada pela lixívia… Pareceu-me já ter algumas zonas um pouco puídas e presumo que a parreca da senhora também tivesse dentes, mas àquela distância não os consegui ver…
Mas que visão dos Infernos!!!
Um pouco mais afastado, vejo também um tipo com alguma idade, mas pareceu-me mais novo que a senhora. Gordinho até dizer chega e baixinho, parecia o Bubu do Dragon Ball.
E lá continuei na minha faina, fazendo de conta que era ceguinho. Só me faltava a bengala!
E mais moedita aqui, bala de mosquete ali e eis que, coisa de um quarto de hora, 20 minutos depois, sinto algo atrás de mim. Viro-me e tenho o Bubu à perna.
Lá vem o “Boa tarde” da praxe e ele mostra-se interessado na minha actividade. Dou uma explicação breve e ele fica com a ideia básica de que “então isso tira fotografias debaixo do chão”. Não é uma conclusão assim tão disparatada! Até que se instala um constrangedor silêncio. Eu quero continuar a detectar, mas com o Bubu ali parado a olhar para mim como quem quer pedir dinheiro emprestado e não tem coragem para isso, a coisa ficou num impasse.
Já calculava que ele fosse parente de “velha mijona” e que o trabalho a que ele se tinha dado para me perseguir estivesse relacionado com isso.
Eis que ele dispara: “Você viu, não viu?”. “Vi o quê?”. “Tu sabes!”. “Já é tu cá, tu lá? Mas vi o quê?”. “Eu sei que viste!”. “Mas vi o quê? E veja lá como fala, que não andamos juntos na escola!”. “Não é preciso falar assim. Eu sei que “viu-a” lá atrás.”. “Vi quem?”. “A Maria (o nome não é esse, mas para manter alguma dignidade à senhora…).”. “Quem???”. “Ela estava a fazer chichi…”. “Chichi???”. Eu aqui desfiz a cara séria que estava a mostrar e desmanchei-me com o riso. “O senhor quer saber se eu vi a Maria a mijar?”. “Eu sei que viste.”. “Olhe, se o senhor insiste nessa conversa, vamos ter barulho.”. “Calma. Calma. Eu só quero saber.”. “Mas saber o quê? Se a c*na da sua mulher parece a Amazónia com um geiser a saltar de lá?”. “Ela não é minha mulher. É a minha irmã. E tem problemas.”. “Parece-me que não é só ela que tem problemas.”. A esta altura do campeonato eu já estava ligeiramente aborrecido com aquele diálogo. E isso começou a transparecer no meu discurso. Mas o gajo topou? Nããã… Acho que nem uma seringa das farturas cheia de vaselina lhe tirava o desconforto que ele merecia que eu lhe provocasse no esfincter. “Ó homem. Então você anda atrás de mim no pinhal, só para que eu lhe diga como é a c*na da sua irmã??? Você bate bem???”, disse eu, aparentando menos calma do que a que tinha. “Calma. Calma. Não se irrite…”. “Está a ver aqueles bidões de resina? Volte a chatear-me com a c*na do raio da mulher e espeto consigo dentro de um.”, disse eu, furioso por fora, enquanto me escangalhava a rir por dentro.
E, virando-lhe as costas, pá no ombro e lá vou eu à minha vidinha que se fazia tarde. Uns 100 metros depois, espiei discretamente enquanto fazia mais um buraco, mas o Bubu não estava em lugar algum para ser visto.
Só a mim… Devo de ser algum íman para os doidos da zona. Tenho que fazer um peditório para aumentarem a altura dos muros do Júlio de Matos! Calha-me cada um…
Um bom bocado depois, até que enfim uma moeda de jeito. X Réis de D. Maria II de 1842, feitos para circular na Ilha da Madeira. Já é a segunda que apanho.
Mas, feitas as contas, o raio da saída foi uma miséria! Moedas, algumas. De jeito, tirando a de D. Maria e a “coisa inglesa/alemã”, o resto foi uma desgraça pegada. E temos também o Bubu para compor o ramalhete.
Ele merecia era que lhe fizesse um Kamehameha ao estilo do Son Goku do Dragon Ball. A coisa não se tornava mais surreal por isso!!! Tenho cá uma sorte…
Um gajo que está a ficar careca encontra umas moedas, vê uma cota a urinar e é assediado pelo Bubu. Pois, isto resume tudo. Não era necessário ter escrito tanto…
Vamos lá então às fotos…

O “arame” é uma pulseira que se partiu dentro da bolsa dos achados. De qualquer modo, ela já estava toda torcida…

Um abraço a todos e boas saídas! E fujam, se virem um tipo parecido com o Bubu!!!
