Quem és?
Quem és tu quando estás só?
Que rosto te olha do outro lado do espelho?
Quão profunda é a escuridão que abrigas em ti?
Na solidão, as máscaras são pó
A cada dia que passa estás uma eternidade mais velho
Somos um só, partilhando a dor que existe em mim
Estamos vazios quando dizemos estar cheios
Somos o vórtice que se dobra sobre si próprio
Inquieto, voraz, devorando crenças e ilusões
Somos a sombra que se esconde nos cantos
A cruel surpresa que se oculta no óbvio
Gerada pelo fruto amargo das nossas criações
Fingimos para todos os que nos olham
Sendo metáfora até para nós
Mentimos, enganamos e escondemos
A nossa paz são os pesadelos dos que sonham
Medo e incerteza são os ecos da nossa voz
Catedral do tamanho do tempo que nós erguemos
Quem és tu quando estás só?
Quem sou eu senão nós…
“Quem és?”
António Eryx Santos
15:40/17-07-2010
Maiorga
