Paradigmas do Vértice Negro – I – Idade
Meio cheio, meio vazio; eis o copo da sanidade
Uns prezam o quase nada que alcançaram
Outros dão valor ao muito que invejaram
Nas marés de teimosia que banham a longa idade
…Equilíbrio
…Fino
…Frágil…
Apenas os sãos sabem que loucos são
Enquanto os verdadeiros loucos
Exaltados com uivos roucos
Insistem que os loucos são os sãos
Perdidos na lembrança da Primavera de outrora
Mentes que vagueiam entre o Verão e o Outono
Presos em magros corpos cujo tempo é o dono
Egos reféns do Inverno da carne que os devora
Fardos que se carregam e atiram para um canto
Por sementes ingratas e ignorantes da história
Que horrorizadas empurram a viva memória
Da nodosa árvore que as acarinhou e deu tanto
As estrelas tornam-se letras de palavras
E as galáxias, parágrafos ocultos
Que o Universo não ousa desvendar
Obras do firmamento, vistas por almas escravas
Aprisionadas em esqueléticos e fugazes vultos
Cuja passagem pelo mundo está a terminar…
“Paradigmas do Vértice Negro – I – Idade”
António Eryx Santos
00:22/08-11-2022
Maiorga
