Peso da Loucura
Nascemos sós
Pequenos, idiotas e inocentes na nossa nudez
sem sabermos que um dia chegará a nossa vez
Não conhecemos a dúvida e a confusão
que a vida nos dará até à sua conclusão
Vivemos sós
E por dentro de nós apenas haver lugar para uma alma
continuamos indecisos entre a loucura e a calma
E entre o que somos e o que sonhamos ser
resta o vazio de uma vida que não chega para viver
Morremos sós
Carregando o corpo vergado e cansado da velha besta
sem noção que da lucidez gasta pelos anos pouco resta
Tendo ambos a memória que se esvai por companhia
tentando ser imortal por apenas mais um dia
“Peso da Loucura”
António Eryx Santos
14:58/25-04-2002
Valado dos Frades
