Podia estar aqui a debitar meia dúzia de parágrafos sobre o que se poderiam chamar de pequenos devaneios poéticos elaborados pela minha humilde pessoa.
Não vou fazer.
Ao invés disso, já tenho a papinha meio feita, no prefácio que escrevi na edição limitada a 5 exemplares (Eryx [1] -Poesia-) que produzi a pensar no Natal de 2002. A larga maioria dos poemas que estão neste Blog, residem lá.
Apenas vou acrescentar que, quanto às minhas produções em inglês, elas foram feitas naquilo que eu chamo de inglês bastardo. Uma mescla de inglês britânico e daquele inglês meio saloio dos americanos.
Pelo que…
Prefácio
Nada fica completo sem um prefácio, e talvez um posfácio e um Bonifácio…
O que se segue é o grosso da minha produção nas incursões pelo estranho mundo da poesia. Confesso que, algumas das coisas que escrevi são tão más, mas mesmo tão más, que as deixei de fora deste Tomo. Digamos que são os escritos perdidos…
Talvez seja este o meu legado. A memória esvai-se com o passar das gerações, e o que restará de nós daqui a um século? Talvez apenas um nome numa lápide, de um antepassado que ninguém sabe muito bem quem foi… Somos imortais na descendência que deixamos, mas do que nós somos entre as orelhas nada fica. Uns vídeos e umas fotografias desconexas, e talvez uma ou outra história que passa a fazer parte da mitologia familiar. Mas a pessoa, foi-se!
A palavra tem a magia de nos dar a conhecer. Se estiver escrita, podemos viver durante muito tempo! O sonhador, quando lê, visualiza e dá carne à palavra. Durante breves momentos, regressamos ao mundo dos vivos, graças à imaginação dos sonhadores que amam a palavra escrita.
Ao passar para aqui o volumoso acervo de folhas A-4, todas escritas com a minha velhinha máquina de escrever, dei com uma imensidão de erros ortográficos e de coisas descabidas. Até cheguei a inventar palavras!
A maioria dos erros foram sanados com a preciosa ajuda do corrector ortográfico, mas alguns foram deixados de propósito. Quando os escrevi, já os sabia como erros, pelo que os mantive.
Há fases em que, escrevesse o que escrevesse, parecia andar a bater sempre na mesma tecla. Depois mudava de tom, e partia para outras divagações.
Consigo, agora, identificar algumas fases da minha vida, pelo que escrevi na altura. Há revolta, depressão, amor, felicidade, alguma comédia à mistura, mas uma boa parte são mundos criados no papel.
Quase todos os meus escritos contam uma história, mas também há entradas que nada mais são do que eu a brincar com as palavras.
Falo muito em Deus e no Diabo, mas eu até sou ateu! Bem, talvez ateu-politeísta… Acredito com mais facilidade na multidão dos deuses egípcios, do que nas limitações das religiões monoteístas nas quais estamos imersos.
Tive alturas extremamente produtivas, mas, depois de me casar, o poder dizer o que me ia na alma através da palavra e do papel, passou para segundo plano. Na verdade, acho que passou para 5º ou 6º…
Tanto, que a minha última visita aos mundos poéticos foi há quase 10 anos. E foi tudo menos isso! O “Jack ‘n’ Jill”… O raio da rima apareceu, vinda do nada, e andei o dia todo cantarolar aquela coisa parva, durante o horário de trabalho. Tive mais momentos desses, mas o “Jack ‘n’ Jill” ainda encontrou o seu caminho até um pedaço de papel, onde foi gatafunhado.
E tenho também produções mais expandidas. Na verdade, seleccionava uma série de poemas, que passaram a ser capítulos de histórias mais longas e complexas. Essas amalgamas deixei-as de fora, para não me tornar ainda mais repetitivo. Esses poemas estão aqui, mas na sequência em que foram escritos.
Vou em breve começar a compilação dos textos em prosa que também fui produzindo ao longo destas décadas. A maioria, serão os textos que compus para o Blog. Calculo que venham aí pelo menos mais umas 300 ou 400 páginas…
E isto já vai longo…
Enjoy!
António Manuel da Silva Santos
Maiorga, 11 de Outubro de 2022
